A Rua do naturalista José Anchieta

Placa Tipo II - Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Artur Matos)

Placa Tipo II – Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Artur Matos)

A antiga Rua da Figueira passou por Edital de 07/09/1885 a ser a Rua Anchieta, em homenagem ao naturalista José Anchieta, e o mesmo Edital municipal atribuiu nas proximidades também os topónimos Rua Capelo (antes Rua e Travessa da Parreirinha), Rua Ivens (ex-Rua de São Francisco) e Rua Serpa Pinto (ex-Rua Nova dos Mártires), todos referentes a exploradores dos territórios africanos.

Refira-se que Hermenegildo Capelo, Roberto Ivens e Alexandre Serpa Pinto conheceram José Anchieta na sua casa de Caconda, entre janeiro e fevereiro  de 1878.

José Alberto de Oliveira Anchieta (Setúbal/09.10.1832 – 14.09.1897/Chicambi- Angola), nascido em Setúbal mas logo batizado em Lisboa, na freguesia da Encarnação (hoje Freguesia da Misericórdia), foi um naturalista do séc. XIX que desenvolveu as suas investigações em África, sendo de salientar que em 1864-1865 fez por sua iniciativa e a suas expensas a exploração de Cabinda até ao rio Quilo, e entre 1866 e 1897, ao serviço do Museu de Lisboa, por  100 mil reis mensais (o que era uma quantia modesta na época), viajou por Angola colecionando espécies zoológicas e botânicas que enviava para Portugal para Barbosa du Bocage. Muitas das espécies de anfíbios, aves,  cobras, lagartos, mamíferos e peixes descritos por ele eram desconhecidos pelo que foram nomeados com a designação anchietae relativa ao seu apelido. Apenas deixou um texto publicado: «Traços geológicos da África Ocidental Portuguesa», impresso em  1885 na Tipografia Progresso de Benguela.

Antes, Anchieta frequentara o Colégio Militar, a Universidade de Coimbra (1852-1853) e a Escola Politécnica, sendo que apenas teve aprovações na cadeira de Zoologia (em 1853-1854 e em 1865-1866). Em 1854 seguira Félix de Brito Capelo para Cabo Verde estudando a natureza local e, em Santo Antão, prestou auxílio às vítimas de uma epidemia de cólera, o que o terá motivado a estudar Medicina em Londres e Paris, provavelmente em 1856 e 1857. Supõe-se também que José Anchieta terá usado a fotografia para documentar os seus trabalhos de investigação, já que em carta de 18 de julho de 1870 a Barbosa du Bocage lhe solicitou uma máquina fotográfica melhor do que a que possuía e Serpa Pinto narrou que ele tinha equipamento fotográfico em casa.

José Anchieta foi sócio da Academia de Ciências de Lisboa e a partir de 1876, também da Sociedade de Geografia de Lisboa que o galardoou com duas medalhas de ouro nos anos de 1879 e de 1883.

O Occidente, 30.11.1897

O Occidente, 30.11.1897

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