A Rua de São Julião e dos Algibebes

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior

Esta artéria pombalina resultante do reordenamento urbanístico da Baixa lisboeta após o terramoto de 1755, que se estende da Rua da Padaria ao  Largo de São Julião, teve o seu topónimo atribuído pelo decreto régio de 5 de Novembro de 1760 (o primeiro a instituir topónimos na cidade) como Rua de São Julião e a determinação de neste arruamento se instalarem os algibebes, vendedores de fatos já feitos ao invés dos alfaiates por medida.

Se seguirmos Norberto de Araújo esta artéria teria como antepassada a rua de San Gião referida  no Pranto de Maria Parda do teatro vicentino, e segundo Luís Pastor de Macedo começou a ser referida com o nome oficial de São Julião em 1762, e com o nome dado vulgarmente de rua ou travessa dos Algibebes em 1781.

Os algibebes eram artífices que desde 1639 integravam a Casa dos Vinte e Quatro e que, por despacho do Senado de 19 de dezembro de 1768, foram unidos com os alfaiatas num só, passando a fazer parte do mesmo arruamento, da mesma irmandade e da mesma capela.

A Rua de São Julião, tal como o Largo da mesma invocação, devem o seu nome à Igreja medieval de São Julião, onde de acordo com a tradição terá sido batizado Pedro Julião, também conhecido como Pedro Hispano e que se tornou o Papa João XXI, em 20 de setembro de 1276.

Esta igreja de São Julião foi paróquia do Paço da Ribeira mas ruiu com o terramoto o que obrigou à sua reedificação, que decorreu apenas a partir de 1802 e até 1810, e que no século  XX passou a pertencer ao Banco de Portugal, sendo agora o Museu da Moeda, pela adaptação do arquiteto Gonçalo Byrne.

Em frente da Igreja de São Julião foi instalada em 1907 a Padaria Inglesa, com fachada de vitrais arte nova e que hoje é uma delegação bancária. É também uma artéria com diversas ligações a Fernando Pessoa já que em 1916, foi na  firma Xavier Pinto & C.ª instalada no n.º 101  que o poeta recebeu a notícia do suicídio de Mário de Sá Carneiro, que outra firma de representações no 3.º andar do n.º 41 foi pelo escritor dirigida entre 1917 e 1919 e, que na década de vinte do século passado albergava o escritório pessoal de Pessoa no 1.º andar do n.º 52.

Pastor de Macedo informa ainda que viveram nesta rua Maria dos Anjos Totta «dos Totta da casa bancária», Camilo Castelo Branco em 1860 e  o ator Chaby Pinheiro nasceu no 3º andar do nº 53. Domingos Nunes Correia foi um algibebe já estabelecido em 1786 na Rua de São Julião e, nos nºs 150 a 156 passou a estar desde 1871 a alfaiataria de êxito na época de Jacinto Nunes Correia.

Rua de São Julião Placa 20150928

Freguesia de Santa Maria Maior

Freguesia de Santa Maria Maior (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias)

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