No centenário de Vergílio Ferreira a sua Avenida lisboeta

Freguesia de Marvila - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Completa-se este mês, no dia 28, o centenário do nascimento de Vergílio Ferreira, razão pela qual durante este mês de janeiro publicaremos topónimos lisboetas que  se relacionam com este escritor.

O autor de Aparição tem em Lisboa uma Avenida com o seu nome, em resultado de a Câmara Municipal de Lisboa ter aprovado por unanimidade, cinco dias após o seu falecimento, a atribuição do seu nome a uma artéria da cidade, o que se concretizou através do Edital municipal de 24 de setembro de 1996 na Rua M 3 do Bairro do Armador, na freguesia de Marvila.

Vergílio Ferreira defendeu que «Toda a biografia é uma rede de sinais que apontam o vazio do que jamais poderemos saber. Mas é nesse vazio que falta que está a razão do que chegou até nós.» e nós narramos que vergilio ferreiraVergílio António Ferreira (Gouveia – Melo/28.01.1916 – 01.03.1996/Lisboa), nasceu às 15 horas de uma sexta-feira, filho de António Augusto Ferreira e Josefa Ferreira, que emigraram deixando-o ao cuidado das tias, foi um importante romancista do século XX. O seu primeiro romance intitulava-se O caminho fica longe (1939), a que se seguiram Onde Tudo Foi Morrendo (1944) e Vagão J (1946). Em 1949 passou do neorrrealismo para o existencialismo, com o romance Mudança. E da sua vasta obra são ainda de salientar Manhã Submersa (1954), Aparição (1959), Cântico Final (1960), Alegria Breve (1965) Nítido Nulo (1971), Signo Sinal (1979), Para Sempre (1983), Uma Esplanada sobre o Mar (1987), Até ao Fim (1987), Em Nome da Terra (1990) ou Na Tua Face (1993).

A obra literária deste escritor que integra romances, contos, diarística e ensaios, interroga-se sobre o mistério da existência, sobre o destino da humanidade, sobre o lugar do Homem no Mundo, sobre o absurdo da vida e da morte, sobre a solidão, sobre os problemas da condição humana.

Algumas das suas obras literárias serviram de argumento para filmes como o filme de Manuel Guimarães a partir de Cântico Final (1974), o de António Macedo a partir do conto «Encontro» (1978), a Manhã Submersa (1979) e Mãe Genoveva (1983), ambos de Lauro António que também realizou as curtas Prefácio a Vergílio Ferreira (1975) e Vergílio Ferreira Numa Manhã Submersa (1979).

Licenciado em Filologia Clássica desde 1940, Vergílio Ferreira foi também o ensaísta que publicou Sobre o Humorismo de Eça de Queirós (1943), Da Fenomenologia a Sartre (1963) ou os 5 volumes Espaço do Invisível (1965, 1976,1977, 1987, 1998), para além de ter sido professor de Português e de Latim do ensino secundário em Faro, Bragança, Évora, Gouveia e, finalmente, a partir de 1959, no lisboeta Liceu Camões, tendo desde então fixado residência nesta cidade, no Bairro de Alvalade, com a sua mulher Regina Kasprzykowsky, professora polaca que se encontrava refugiada em Portugal da Guerra, com quem casara em 1946.

Vergílio Ferreira foi galardoado com o Prémio Camilo Castelo Branco (1960) por Aparição, o Prémio da Casa da Imprensa (1965) por Alegria Breve, a comenda de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (1979), o Prémio D. Dinis da Casa de Mateus (1981), o Prémio PEN Clube (1983) por Para Sempre bem como do Município de Lisboa, o Prémio do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários pelo conjunto da sua obra (1985), o Prémio da Associação Portuguesa de Escritores (1987) por Até ao Fim, o francês Prémio Femina (1990) por Manhã Submersa,  o Prémio Europália (1991) pelo conjunto da sua obra, o Prémio Camões (1992), o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (1994) por Na Tua Face, para além de ter sido eleito para a Academia Brasileira de Letras (1984) e para a Academia de Ciências de Lisboa (1992) e ter o seu nome na Biblioteca de Gouveia e nos Prémios Literários da Câmara Municipal de Gouveia e da Universidade de Évora.

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias)

Advertisements

5 thoughts on “No centenário de Vergílio Ferreira a sua Avenida lisboeta

  1. Pingback: A Rua dedicada a Gilberto Freyre do luso-tropicalismo | Toponímia de Lisboa

  2. Pingback: A Avenida do professor e político António Augusto de Aguiar | Toponímia de Lisboa

  3. Pingback: Vergílio Ferreira e Mário Dionísio | Toponímia de Lisboa

  4. Pingback: A Praça José Fontana do Liceu Camões | Toponímia de Lisboa

  5. Pingback: A Rua Luiz Pacheco e a aparição do sonâmbulo chupista | Toponímia de Lisboa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s