O Caminho Fica Longe e a Travessa de Ana Queimada

O nº 23 da Travessa da Queimada (Foto: Mário Marzagão, 2011)

O nº 23 da Travessa da Queimada
(Foto: Mário Marzagão, 2011)

Vergílio Ferreira tem uma ligação à Travessa da Queimada, no Bairro Alto, por via do seu primeiro romance, O Caminho Fica Longe, que foi publicado em 1943 pela Inquérito, editora que se encontrava sediada no nº23-1º Dtº desta artéria, no Palácio Palhares Rebelo.

A Travessa da Queimada, que  terá sido também designada como Travessa dos Poiais, alonga-se desde o antigo largo de São Roque, hoje Largo Trindade Coelho, até à Rua da Atalaia e foi primitivamente qualificada como rua, sendo que este arruamento marcou também o limite da 1ª fase de urbanização da Vila Nova de Andrade, futuro Bairro Alto de São Roque, que decorreu de 1513 a 1518, partindo das Portas de Santa Catarina para poente e subindo até à Travessa da Queimada. A modernidade da urbanização do Bairro Alto revelou-se por ser construída em quadrícula, com um traçado de ruas ortogonal, antes de Lisboa sequer pensar ter  a Baixa pombalina.

Sobre a origem deste topónimo a explicação mais verosímil é a do olisipógrafo Vieira da Silva que o deriva de uma certa fidalga, Ana Queimada de seu nome, que em meados do séc. XVI tinha aforado naquele local  um chão aos frades de São Roque, para construir moradias nobres.

O nº 23 desta Travessa é o Palácio Rebelo Palhares do séc. XVII, que pertenceu ao 1º. Conde Almeida Araújo e onde, para além da Editorial Inquérito, se albergaram os jornais Diário Ilustrado (1872-1910), Correio da Europa (1902) e A Bola, desde 1945.

Freguesia da Misericórdia (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Misericórdia (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Misericórdia
(Planta: Sérgio Dias)