Camilo Castelo Branco nome de prémio e nome de rua

A Comédia Portuguesa, 15.12.1888

A Comédia Portuguesa, 15.12.1888

A Rua Camilo Castelo Branco liga-se a Vergílio Ferreira porque Camilo deu também nome ao Prémio da Sociedade Portuguesa de Escritores com que em 1960 esta galardoou Aparição de Vergílio Ferreira, publicada no ano anterior.

A uma rua de Lisboa Camilo deu nome logo no mês seguinte ao seu falecimento, por deliberação camarária de 24 de julho de 1890, no arruamento que ligava a Rua Alexandre Herculano à então Rua Fontes (a partir de 1902, Avenida Fontes Pereira de Melo), no então Bairro Camões.

Freguesia de Santo António (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (Lisboa/16.03.1825 – 01.06.1890/São Miguel de Seide – Vila Nova de Famalicão) foi um romancista prolífero, tanto mais que foi o primeiro escritor português a viver exclusivamente dos seus escritos e um paradigma da cultura portuguesa do século XIX que também se mostrou como cronista, dramaturgo, ensaísta, poeta, jornalista e tradutor, somando mais de 300 títulos.

Nascido alfacinha na Rua da Rosa, filho de Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira e de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, que o perfilhou em 1829, como «filho de mãe incógnita», foi um escritor que abarcou o romantismo, o ultra-romantismo, o realismo e o naturalismo,  e desde o seu primeiro livro Anátema (1851), são de destacar as suas obras Mistérios de Lisboa e A Filha do Arcediago (1854), Doze Casamentos Felizes (1861), Amor de Perdição,  Memórias do Cárcere, Coração, Cabeça e Estômago (todos em 1862), Amor de Salvação (1864), A EnjeitadaA Queda de um Anjo (ambos em 1866), A Doida do Candal (1867), O Retrato de Ricardina (1868), Novelas do Minho (1875-1877), Eusébio Macário (1879), A Corja (1880) e A Brasileira de Prazins (1882).

Refira-se que Camilo também usou diversos pseudónimos cuja escolha manifesta o seu humor e ironia, como AEIOUY, Anacleto dos Coentros, Anastácio das Lombrigas, O Antigo Juiz das Almas de Campanhã, Árqui-Zero, C. da Veiga, Carolina da Veiga Castelo Branco, O Cronista, Egresso Bernardo de Brito Júnior, Felizardo, Fouché, João Júnior, José Mendes Enxúdio, Manoel Coco,  Modesto, Ninguém, D. Rosária dos Cogumelos, Saragoçano,  Visconde de Qualquer Coisa, A Voz da Verdade.

A sua companheira de sempre, Ana Plácido, também o foi nas letras, já que com ela Camilo fundou e dirigiu, em 1868, A Gazeta Literária do Porto, para além de ter colaborado em inúmeras revistas e jornais como a Contemporânea e o  Jornal do Povo, O Nacional, Periódico dos Pobres ou A Verdade.

Em 1858, por proposta de Alexandre Herculano, foi eleito para a Academia das Ciências e em 18 de junho de 1885 foi agraciado por D. Luís I com o título de 1º Visconde de Correia Botelho, para além de ter recebido a Comenda Carlos III, de Espanha.

Camilo suicidou-se com um tiro disparado sobre o ouvido direito, na casa de São Miguel de Seide, que abriu em 1922 como Museu Camiliano e desde 1958, como Casa Museu de Camilo.

Freguesia de Santo António (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Planta: Sérgio Dias)

 

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