Vergílio Ferreira e Mário Dionísio

Autorretrato de 1945 (Casa da Achada)

Autorretrato de 1945
(Casa da Achada)

Mário Dionísio cruzou-se na vida com Vergílio Ferreira, como a correspondência trocada entre ambos entre 1945 e 1974 documenta, para além de ambos terem sido professores de português no Liceu Camões e ambos completarem no corrente ano o centenário de nascimento.

A Rua Mário Dionísio nasceu do Edital municipal de 01/08/2005, na Rua A do PER 8, na Freguesia do Lumiar, doze anos após o seu falecimento.

Mário Dionísio de Assis Monteiro (Lisboa/16.07.1916-17.11.1993/Lisboa), nascido na Rua Andrade nº 2 e licenciado em Filologia Românica em 1939 na Universidade de Lisboa, foi um intelectual multifacetado que se mostrou como escritor, ensaísta, pintor, crítico de arte e tradutor, para além de ter sido professor do Ensino Secundário durante praticamente quarenta anos, no Colégio Moderno e no Liceu Camões, bem como na Faculdade de Letras de Lisboa, a partir de 1978 e até 1987, como docente de Técnicas de Expressão do Português.

Mário Dionísio foi autor de uma obra literária autónoma, com ensaio, poesia, conto e romance. São de salientar Poemas (1941), As Solicitações e Emboscadas (1945), O Riso Dissonante (1950), Memória dum Pintor Desconhecido (1965), os poemas em francês Le Feu qui dort (1967), Terceira Idade (1982), o seu único romance Não há morte nem princípio (1969), os seus contos O Dia Cinzento (1944), Monólogo a Duas Vozes (1986) , a sua Autobiografia (1987) e o seu último livro, de contos, A morte é para os outros (1988). 

Ao longo da sua vida foi um dos principais promotores e teorizadores do neorrealismo português, sendo assinalável a sua regular colaboração em jornais e revistas literárias, como Altitude, A Capital, Diário de Lisboa, O Diabo, Gazeta MusicalLiberdadePresença, RepúblicaRevista de Portugal, Seara Nova, O Tempo e o Modo ou Vértice. Foi ainda diretor de programas da RTP de dezembro 1975 a março de 1976.

Pintor desde 1941, Mário Dionísio usou os pseudónimos de Leandro Gil e José Alfredo Chaves, expondo em mostras coletivas desde a década de quarenta mas só em 1989 realizou a sua primeira exposição individual de pintura. Publicou também A Paleta e o Mundo,  obra editada em fascículos a partir de 1956 ( e até 1962) com orientação gráfica de Maria Keil que lhe valeu 0 Grande Prémio de Ensaio da Sociedade Portuguesa de Escritores (1963). Refira-se ainda que na sua obra pictórica pintou retratos dos seus contemporâneos como Joaquim Namorado (1952),  Carlos de Oliveira e João José Cochofel (1988) ou José Gomes Ferreira (1989). Obteve também o troféu «Pintor do Ano» da Antena 1, em 1989.

Como cidadão, casou em 1940  com a sua antiga colega de curso Maria Letícia Clemente da Silva, de quem terá uma única filha, a escritora Eduarda Dionísio. Também se mostrou empenhadamente anti-regime desde o início dos anos 30 do século passado, tendo integrado o Movimento de Unidade Democrática (MUD), onde ficará mais tarde responsável por estabelecer a ligação entre a sua Comissão de Escritores, Jornalistas e Artistas e o Partido Comunista Português, para onde entrará em 1945 e ficará até 1952. Na década de 60 frequentava ainda a tertúlia do Café Bocage, na Avenida da República, onde se encontrava com José Gomes Ferreira, Carlos de Oliveira, João José Cochofel, Augusto Abelaira e outros.

Mário Dionísio foi galardoado com 0 Prémio do Centro Português da Associação Internacional de Críticos, ex-aequo com Alexandre O’Neill, em 1982 e, nove anos depois, em 1991, o Museu do Neo-Realismo organizou em Vila Franca de Xira e em Lisboa, exposições e colóquios sobre os seus 50 Anos de Vida Literária e Artística. Finalmente, em setembro de 2008, familiares, amigos, ex-alunos, ex-assistentes, conhecedores e estudiosos da sua obra fundaram em Lisboa, na Rua da Achada, a Casa da Achada – Centro Mário Dionísio, que abriu ao público um ano depois.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

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