A Rua do cineasta que trouxe «Cântico Final» para o cinema

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Manuel Guimarães conhecia Vergílio Ferreira e adaptou para cinema o romance Cântico Final,  no decorrer de 1974 e 1975, naquele que foi também o seu último filme, aliás com a montagem concluída pelo seu filho, Dórdio Guimarães.

Este filme foi também um testamento de Manuel Guimarães que se espelhou na personagem do  professor de liceu ameaçado de morte por um cancro, tendo numa entrevista televisiva em 1974 expressado também o seu desejo e a impossibilidade de fazer o mesmo com Alegria Breve, outro romance de Virgílio Ferreira.

A Rua Manuel Guimarães foi atribuída 32 anos após o falecimento deste realizador, pelo Edital municipal de 10/04/2007, na Rua D à Avenida Maria Helena Vieira da Silva, nas proximidades de outras artérias com nomes de cineastas como Manuel Costa e Silva e António Lopes Ribeiro.

rua manuel guimarães Cara

Manuel Fernandes Pinheiro Guimarães (Albergaria-a-Velha/19.08.1915 – 29.01.1975/Lisboa) foi um cineasta ligado ao neorrealismo, sendo obra sua o documentário de curta-metragem O Desterrado (1949), premiado com o Prémio Paz dos Reis do SNI, assim como os filmes Saltimbancos (1951), numa adaptação de Circo de Leão Penedo; Nazaré (1952), com argumento de Alves Redol, obra que foi amputada em cerca de metade pela censura devido à sua crítica social; Vidas sem rumo (1953-1956); A Costureirinha da Sé (1958), onde se viu obrigado a incluir publicidade explícita para o custear; O Crime da Aldeia Velha (1964), adaptação do livro homónimo de Bernardo Santareno; O trigo e o joio (1965), adaptação da obra homónima de Fernando Namora; Lotação Esgotada (1972) e Cântico Final (1974-1975) , em 35 mm e a cores.

Manuel Guimarães estudara pintura na Escola de Belas Artes do Porto e foi como desenhador de cartazes de cinema que se iniciou na ligação à 7ª arte. Depois, foi  assistente de vários realizadores como Manoel de Oliveira, António Lopes Ribeiro, Jorge Brum do Canto, Arthur Duarte e Armando de Miranda. Acossado pelo regime após o seu filme Nazaré, Manuel Guimarães passou a partir de 1956 sobretudo para a realização de filmes de cariz comercial sobre eventos desportivos assim como documentários sobre Barcelos, o Porto e os vinhos da região, e também temas de arte.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

 

Anúncios

3 thoughts on “A Rua do cineasta que trouxe «Cântico Final» para o cinema

  1. Pingback: Novembro: As Ruas dos Cinemas de Lisboa – a partir de amanhã | Toponímia de Lisboa

  2. Pingback: A Avenida do mestre da guitarra portuguesa Carlos Paredes | Toponímia de Lisboa

  3. Pingback: A Rua Varela Silva e o desejo de «Aparição» | Toponímia de Lisboa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s