A Rua Varela Silva e o desejo de «Aparição»

Freguesia de Santa Clara (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias)

Durante a rodagem de Cântico Final, de Manuel Guimarães, nos anos de 1974 e 1975, Varela Silva conheceu Vergílio Ferreira e em 1978 quis adaptar para o cinema Aparição, outra obra do escritor, mas nunca se concretizou tal desejo.

Segundo Lauro António, várias obras de Vergílio Ferreira foram desejadas para passarem ao cinema. Em 1973, Quirino Simões quis adaptar Alegria Breve; em 1978, Varela Silva pretendeu filmar Aparição; e em 1988, o realizador alemão Wolf Gaudlitz e o próprio Lauro António, desejaram o mesmo para Até ao Fim, tendo sido Gaudlitz que ganhou o direito de adaptação embora não o tenha levado a cabo.

Varela Silva entrou para a toponímia de Lisboa a partir de uma sugestão da APOIARTE – Associação de Apoio aos Artistas, e pelo Edital municipal de 14/07/2004 ficou na artéria identificada como Rua 2A do Vale da Ameixoeira. O mesmo  Edital consagrou na mesma freguesia mais 4 atores: António Vilar, Arnaldo Assis Pacheco, José Viana e Raul de Carvalho.

rua varela_silva

Alberto Varela Silva (Lisboa/15.09.1929 – 15.12.1995/Lisboa), nascido no bairro da Madragoa, começou a recitar poesias em sociedades de cultura e recreio e acabou por ingressar no grupo de teatro amador da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul onde descobriu Pirandelo, Tchekov e Alves Redol e foi mesmo nesse palco que se estreou na peça O Falar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett, mantendo em paralelo diversos ofícios para conseguir estar no teatro.

Em 1953,  a convite da companhia Amélia Rey Colaço/Robles Monteiro, estreou-se no Teatro Nacional D. Maria II, em O Regente de Marcelino Mesquita, no papel de Conde de Ourém. Um ano mais tarde, profissionalizou-se nesta companhia e, em mais de quarenta anos de carreira, participou em cerca de 200 peças- como Um Eléctrico Chamado Desejo, Felizmente Há Luar  ou Passa Por Mim no Rossio – onde representou todos os géneros, da farsa à tragédia, da comédia à revista e também se dedicou à encenação, em mais de 20 peças, como A Sapateira Prodigiosa (1960), Estranha Forma de Amar (1976) ou O Fidalgo Aprendiz (1988).

No cinema, escreveu o argumento de Pão, Amor e… Totobola! (1964) de Henrique Campos e integrou o elenco de 8 filmes, entre os quais A Ribeira da Saudade (1963) de João Mendes, Benilde ou a Virgem Mãe (1975) de Manoel de Oliveira, Cântico Final (1975) de Manuel Guimarães, O Diabo Desceu à Vila (1979) de Teixeira da Fonseca ou Aqui d’El Rei! (1992) de António Pedro Vasconcelos. Para a televisão escreveu, dirigiu, realizou e interpretou vários programas, como telenovelas portuguesas, onde participou logo na primeira – Vila Faia – em 1982. É de salientar ainda que na RTP foi jurado do concurso Retrato de Família e que escreveu a série Histórias simples de gente cá do bairro, sobre lisboetas comuns.

Também escreveu o livro de contos Histórias Que Não Me Pediram (1956), a comédia em três atos Amanhã Há Récita (1955), bem como as peças Ponto de vista (1961), Um Príncipe do Meu Bairro (1966) ou a revista O pato das cantigas (1978), com Nicolau Breyner.

Freguesia de Santa Clara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias)

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