Fernando Assis Pacheco em Campo de Ourique

capa da brochura

Fernando Assis Pacheco celebraria hoje o seu 79º aniversário e, Lisboa continua a guardar a memória deste jornalista e escritor, numa rua de Campo de Ourique, desde que o Edital de 9 de fevereiro de 1999 atribuiu o seu nome à Rua Particular à Rua Saraiva de Carvalho.

Freguesia de Campo de Ourique (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Sérgio Dias)

Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco (Coimbra/01.02.1937 – 30.11.1995/Lisboa) foi um jornalista, escritor, crítico literário, tradutor e apaixonado da arte de viver que residiu mais de trinta anos na Travessa do Patrocínio.

Como jornalista, Assis era capaz de arrancar histórias ao quotidiano e transformá-las em crónicas brilhantes, tendo deixado a sua marca inconfundível na imprensa escrita em títulos como o Diário de Lisboa, o República, o JL-Jornal de Letras, o Artes e Ideias, o Musicalíssimo, a revista Visão, bem como no Se7e onde também foi diretor-adjunto  e, n’ O Jornal onde acumulou com as funções de Chefe de Redação e de critico literário.

A sua primeira obra Cuidar dos Vivos (1963), um conjunto de poemas de protesto político e cívico, publicada com o patrocínio paterno, já comportava o que serão os seus temas na poesia e na ficção: a experiência da Guerra Colonial e a realidade social e política. Na sua obra somou a poesia de Câu Kiên: Um Resumo  (1972) reeditado em 1976 como Catalabanza Quilolo e Volta, Memórias do Contencioso (1976, com edição definitiva em 1980), Siquer este refúgio (1978), Enquanto o autor fuma um caricoço, seguido de Os Sons que passam (1978), A Profissão Dominante (1982), Variações em Sousa e Nausicaah! (ambos em 1984), A Bela do Bairro e outros poemas (1986), a antologia  Musa Irregular  (1991) ou a ficção de Walt  (1978) bem como Os Trabalhos e Paixões de Benito Prada (1993), assim como as edições publicadas postumamente como a poesia de Respiração Assistida (2003), as crónicas de futebol publicadas no jornal Record em 1972 com o título de Memórias de um Craque  (2005) e o recente Bronco Angel, o cow-boy analfabeto (2015), fascículos originalmente escritos semanalmente para o Bisnau sob o pseudónimo de William Faulkingway.

Fernando Assis Pacheco,  filho de José V. M. Assis Pacheco e Maria da Conceição Mendes de Assis Pacheco, casou em 4 de fevereiro de 1963 com Maria do Rosário Pinto de Ruela Ramos, a sua Rosarinho, de quem teve 6 filhos: Rita, Ana, Rosa, Catarina, Bárbara e João.

Licenciado em Filologia Germânica, Assis Pacheco também traduziu obras de Pablo Neruda e de Gabriel García Marquez e foi colaborador da RTP. Nasceu e viveu a juventude em Coimbra tendo sido ator do TEUC e CITAC bem como redator da revista Vértice. Entre 1961 e 1963 cumpriu o serviço militar em Portugal mas nos dois anos seguintes foi destacado para a guerra colonial, em Angola. Conhecido pelo seu sentido de humor e bonomia ficou também popular por via da televisão, como participante do concurso A Visita da Cornélia. Amante de livros e da vida, como ele próprio referiu «contava não esticar o pernil antes de 1999, mas tropeçou sem querer» em 1995, aos 58 anos, à porta da Livraria Buchholz.

Freguesia de Campo de Ourique (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias)

Anúncios

3 thoughts on “Fernando Assis Pacheco em Campo de Ourique

  1. Pingback: A Travessa dos Inglesinhos do «Record» | Toponímia de Lisboa

  2. Pingback: A Rua Nova da Trindade de 1836 | Toponímia de Lisboa

  3. Pingback: A Travessa de Nossa Senhora das Dores ou do Patrocínio | Toponímia de Lisboa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s