A Rua Luz Soriano do «Diário de Lisboa»

Fernando Assis Pacheco no Diário de Lisboa (Foto: © Fernando Assis Pacheco no Facebook)

Fernando Assis Pacheco no Diário de Lisboa
(Foto: © Fernando Assis Pacheco no Facebook)

Fernando Assis Pacheco foi desde 1965  jornalista do Diário de Lisboa, um dos muitos jornais que animaram o Bairro Alto e que se encontrava sediado nos nº 44 e nº 48 da Rua Luz Soriano, rua íngreme que Assis Pacheco calcorreou muitos dias, já que trabalhou neste jornal de 1965 e até 1971, interrompendo de 1972 a 1974 para estar no República, na Rua da Misericórdia, regressando ao vespertino em 1974 e até 1979, ano em que passou a trabalhar nas várias publicações da Projornal, na Avenida da Liberdade.

Esta Rua Luz Soriano que veio substituir a seiscentista denominação de Rua do Carvalho nasceu ainda em vida do homenageado, em resultado da deliberação camarária de 12/04/1887 e do Edital municipal de 08/07/1887 que a justifica assim: «a mesma câmara considerando que a doação que lhe fora feita pelo cidadão Simão José da Luz Soriano, da verba de oito contos de réis e da propriedade de casas em que reside, na rua do Carvalho, para a fundação e manutenção de uma escola de instrucção primaria, constitue um valioso serviço prestado ao municipio; considerando que actos d’estes merecem immediato galardão para que sirvam de incitamento a presentes e vindouros; considerando que é dever da camara retribuir o generoso donativo de tão prestante cidadão com um acto que a todos recorde o seu nome philantropico.»

Freguesia da Misericórdia - placa de azulejo (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Misericórdia – placa de azulejo
(Foto: Sérgio Dias)

Simão José da Luz Soriano (Lisboa/2 ou 08.09.1802- 18.08.1891/Lisboa) firmou-se como um político do Liberalismo, assim como um historiador que deixou obras monumentais como História do Cerco do Porto precedida de uma extensa noticia sobre as diferentes fases políticas da monarquia, desde os mais remotos tempos até ao ano de 1820, e desde este mesmo ano até ao começo do sobredito cerco(1846-1849) – obra que, apesar dos seus defeitos, tem extremo interesse como valor de consulta;  ou os 17 volumes da História da Guerra Civil e do Estabelecimento do Governo Parlamentar em Portugal (1866-1890) que Luz Soriano foi encarregue de escrever pelo governo, por uma verba anual de 600$000 réis. São ainda de salientar a sua História do Reinado de D. José (1867)  ou Vida do Marquês de Sá da Bandeira (1887-1888).

Nos seus muitos legados beneméritos Luz Soriano fez também doações à Casa Pia de Lisboa, Misericórdias de Lisboa e Coimbra para atribuição de bolsas de estudos superiores, assim como contribuiu para o monumento a Afonso de Albuquerque (em Belém) e para o do marquês de Sá da Bandeira.

Aluno da Casa Pia de Lisboa que o fez patrono da Biblioteca-Museu do Ateneu Casapiano, foi mediante uma bolsa que Luz Soriano estudou matemática e filosofia em Coimbra e, depois das guerras liberais, se formou em Medicina, mas nunca exerceu. Em 1828, devido às suas ideias liberais, emigrara para a Galiza e depois, para Plymouth, seguindo daí em 1829 para a Terceira – quartel general do exército liberal – onde exerceu jornalismo político, sendo o redator principal da Crónica da Terceira. Regressado com D. Pedro IV em 1832, inserido no grupo dos Bravos do Mindelo (com Herculano e Garrett), iniciou uma relevante carreira de funcionário da Secretaria da Marinha e Ultramar.  Em 1851 foi também deputado por Angola,  sendo reeleito nas seguintes legislaturas, e foi ainda ao serviço desta província africana que impulsionou o desenvolvimento da colónia de Moçâmedes, para se consolidar o domínio português no porto de Ambriz, de que a Inglaterra pretendia assenhorear-se.

Freguesia da Misericórdia (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias)

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