A republicana Avenida Cinco de Outubro

Freguesias de Alvalade e das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Alvalade e das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Fernando Assis Pacheco foi colaborador da RTP, ainda as suas instalações eram no Lumiar e na Avenida Cinco de Outubro, escrevendo argumentos e diálogos para documentários, de que é exemplo Num mar de moliço (1966), realizado por Alfredo Tropa, com quem Assis Pacheco foi também co-autor do filme Bárbara (1980), a primeira longa-metragem produzida pela RTP. A ligação à RTP ficou ainda marcada  pela reedição em 1997, de Trabalhos e Paixões de Benito Prada de Fernando Assis Pacheco,  na Coleção 40 Anos de RTP.

Cinco de Outubro, data da implantação da República no ano de 1910, foi fixada pela edilidade lisboeta  logo no seu primeiro Edital de toponímia, um mês após a implantação da República, em 5 de novembro de 1910. Por esse mesmo Edital  foram também fixados na memória da cidade a Avenida da República, a Avenida Almirante Reis, a Avenida Miguel Bombarda, a Avenida Elias Garcia e mais cinco.

Até aí esta artéria designava-se Rua António Maria de Avelar, por deliberação camarária de 12 de agosto de 1897 e edital do dia 21 do mesmo mês, tendo passado a Avenida, por deliberação camarária de 4 de dezembro de 1902 e edital de 11 do mesmo mês, homenageando um engenheiro (Lisboa/06.11.1854 – 27.10.1912/Lisboa) e funcionário da Câmara de Lisboa desde 1879, ligado ao plano das Avenidas Novas já que substituiu por longos períodos o director-geral das Obras Municipais, Ressano Garcia. A proposta para ser alterada para Avenida Cinco de Outubro partiu do vereador Nunes Loureiro na reunião de câmara de 6 de outubro de 1910 e foi aprovada por aclamação.

Brevemente, refira-se que os outros topónimos alterados por este Edital de 5 de novembro de 1910 foram a Avenida da República- comemorativa da implantação da República em Portugal -, para substituir a artéria até aí designada por Avenida Ressano Garcia; a Avenida Almirante Reis– o Almirante Cândido do Reis que se suicidou no dia 4 de Outubro julgando perdida a causa republicana e por isso foi considerado um dos primeiros mártires da revolução -, para suceder à artéria até aí designada por Avenida Dona Amélia; a Avenida Miguel Bombarda – médico republicano que foi assassinado no dia 3 de Outubro, no Hospital de Rilhafoles, por um seu doente esquizofrénico e que foi considerado um dos primeiros mártires da revolução -, para sobrevir à artéria até aí designada por Avenida Hintze Ribeiro; a Avenida Elias Garcia – propagandista e jornalista republicano -, para sobrepor-se à artéria até aí designada por Avenida José Luciano; a Rua de Ponta Delgada, para substituir a artéria até aí designada por Rua Mota Veiga; a Rua do Comércio, para suceder à artéria até aí designada por Rua de El-Rei; a Rua dos Fanqueiros, para sobrevir à artéria até aí designada por Rua da Princesa; a Rua da Prata, para sobrepor-se à artéria até aí designada por Rua Bela da Rainha e, a Praça Afonso de Albuquerque, para renomear a artéria até aí designada por Praça D. Fernando.

A edilidade republicana alterou a toponímia de Lisboa, substituindo os nomes das individualidades demasiado comprometidas com o regime anterior e os topónimos de cariz religioso por outros evocativos dos ideais republicanos. Numa época em que a televisão não existia e a leitura de jornais só estava acessível a uma minoria a difusão dos topónimos Cinco de Outubro e República levaram a todo o país a imagem de um estado republicano triunfante.

Freguesias de Alvalade e das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Alvalade e das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)