Variações de Fernando Assis Pacheco na Avenida da Liberdade

Freguesia deste e do outro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Santa Maria Maior e Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

A Avenida da Liberdade também foi um eixo da vida de Fernando Assis Pacheco   dado que ao trabalhar para a Projornal a partir de 1979, muitas foram as publicações com morada nesta artéria em que o jornalista marcou presença, como n’O Jornal, no satírico Bisnau, na revista Visão, como chefe de redacção do Jornal de Letras ou como diretor-adjunto do Se7e.

A Avenida da Liberdade nasceu por iniciativa municipal e do sonho de José Gregório Rosa Araújo, então presidente da Câmara Municipal de Lisboa, aberta e rasgada com expropriações e demolições, marcando a primeira fase do plano de extensão de Lisboa, de crescimento urbano para norte, delineado no último quartel do XIX, tomando este topónimo o lugar do Passeio Público e das Ruas Oriental e Ocidental do Passeio por deliberação camarária de 18 de agosto de 1879. O projeto desta Avenida da Liberdade, aprovado entre 1877 e 1879 pela Câmara Municipal de Lisboa, retomou propostas urbanísticas anteriores que conceberam a Avenida como prolongamento do Passeio Público limitada na futura Rotunda do Marquês de Pombal.

A Avenida da Liberdade, com 90 metros de largura e 1273 de comprimento, foi inaugurada em 1886, no mesmo ano em que as ruas Barata Salgueiro e Castilho foram calcetadas e iluminadas e, no dia 25 de maio desse ano foi o palco de um grande desfile com Infantaria e Cavalaria, para o futuro rei D. Carlos mostrar à sua noiva no dia do casamento. E logo no começo do séc. XX, este novo boulevard que herdara algumas árvores e estatuária do Passeio Público, era já palco de passeios de domingo da burguesia lisboeta e depois, a área escolhida para edifícios de prestigiados arquitetos como o Hotel Tivoli de Norte Júnior (1922), o Cinema Tivoli de Raul Lino (1924), o Hotel Vitória de Cassiano Branco (1936), o jornal Diário de Notícias de Pardal Monteiro (1940).

E Fernando Assis Pacheco que não era indiferente ao mundo ao seu redor e assim também aos usos e costumes da Avenida da Liberdade,  incluiu em 1987, no seu livro Variações em Sousa,  o seu poema «As putas da Avenida»:

Eu vi gelar as putas da Avenida
ao griso de Janeiro e tive pena
do que elas chamam em jargão a vida
com um requebro triste de açucena

vi-as às duas e às três falando
como se fala antes de entrar em cena
o gesto já compondo à voz de mando
do director fatal que lhes ordena

essa pose de flor recém-cortada
que para as mais batidas não é nada
senão fingirem lírios da Lorena

mas a todas o griso ia aturdindo
e eu que do trabalho vinha vindo
calçando as luvas senti tanta pena

 

Freguesia deste e do outro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Santa Maria Maior e Santo António
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

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