A Rua Nova da Trindade de 1836

Placa Tipo II - Freguesias da Misericórdia e e de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo II – Freguesias da Misericórdia e e de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

Fernando Assis Pacheco teve em 2004 uma reedição do seu Variações em Sousa pela editora Cotovia, cuja sede se regista no nº 24 da Rua Nova da Trindade, artéria cujo topónimo evoca o Convento da Santíssima Trindade, apesar de ter sido aberta em 1836, após a extinção deste monastério.

Freguesias da Misericórdia e e de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias da Misericórdia e e de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

Esta artéria que hoje se estende  do Largo do Chiado ao Largo Trindade Coelho  foi espaço da Portaria do Carro, da Travessa do Secretário de Guerra até em 1836 ser a Rua Nova da Trindade.

Segundo Gustavo de Matos Sequeira «A Portaria do Carro, ficava, como o leitor já sabe, onde corre o leito da rua Nova da Trindade, junto à entrada da travessa de João de Deus». Depois, no séc. XIX, em 1836, suprimido o convento é aberta a Rua Nova da Trindade, no prolongamento da Travessa do Secretário da Guerra. De seguida, um edital do Governo Civil de Lisboa de 1 de setembro de 1859, fez com que a Rua Nova da Trindade e a Travessa de João de Deus (apenas a parte no seguimento daquela) passassem a constituir um arruamento único com a denominação de Rua Nova da Trindade e, quatro anos depois, outro edital do Governo Civil de Lisboa, de 6 de junho de 1863, incorporou a Travessa do Secretário da Guerra na Rua Nova da Trindade, «favoravel à pretenção dos supplicantes, no sentido de que a referida travessa se considere, como realmente é, prolongamento e continuação da rua nova da Trindade». Ainda de acordo com Gustavo de Matos Sequeira a Travessa do Secretário da Guerra, referente a Francisco Pereira da Cunha, só surge em 1680 sendo sabido que em 1552 era a Rua da Trindade.

O Convento da Santíssima Trindade, fundado por D. Afonso II  em 1218, para a Ordem da Santíssima Trindade do Resgate dos Cativos, religiosos franceses, vulgarmente conhecidos por Trinitários, que se estabeleceram assim em Lisboa numa zona envolvida por um olival, na franja urbana da cidade, originou diversos topónimos na zona. Após o terramoto de 1755 a sua reconstrução prolongou-se por décadas, acompanhando o edifício parte do lado oriental da Rua Larga de S. Roque (hoje, Rua da Misericórdia) e tinha a fachada principal virada a sul, nela se abrindo a portaria para o lado norte do Largo da Trindade e a nova igreja do convento localizava-se no prédio da Livraria Barateira. Em 1833 são dispersos os frades e em 1834, é suprimido o convento, através do seu loteamento e venda. O refeitório do antigo edifício conventual é o vestígio  que ainda hoje podemos encontrar como salão grande da Cervejaria Trindade.

Freguesias da Misericórdia e e de Santa Maria Maior (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias da Misericórdia e e de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias)

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7 thoughts on “A Rua Nova da Trindade de 1836

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  3. Bom dia,

    Muitissimo obrigado pelo interessantissimo post; gostaria de perguntar se, por algum motivo, os números das portas da Rua Nova da Trindade terão sofrido alteração, desde a data até hoje. Estou à procura do no. 48 desta rua, durante o final de 1890, porém, presentemente, a rua termina no número 26.

    Agradeço desde já qualquer ajuda,

    Com os melhores cumprimentos,

    André Santos

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