Rua da Rosa nas Memórias do Contencioso

Freguesia da Misericórdia

Freguesia da Misericórdia

Nas suas Memórias do Contencioso (1980), Fernando Assis Pacheco publicou o poema «Rua da Rosa, Lisboa: O pombo», que nos remete para essa artéria do Bairro Alto cujo nome radica nas partilhas da família Andrade.

A empresa do Descobrimentos que fez muitos portugueses seguirem a rota dos ventos fez também, no regresso, aumentar o número de gentes em Lisboa e, particularmente, no então recente traçado do Bairro Alto, onde se insere a Rua da Rosa.

Gomes de Brito, olisipógrafo e antigo Chefe do Arquivo Geral da Câmara,  defende na sua obra Ruas de Lisboa que já em 1597, existia a  chamada Rua das Rosas das Partilhas.

Sabido é que a Vila Nova de Andrade, depois designada Bairro Alto de S. Roque, começou a ser loteada em 1513. A Rua da Rosa, cortando o bairro no sentido sul-norte e, até há bem pouco tempo servindo de linha divisória entre as Freguesias de Santa Catarina e da Encarnação, constitui a fronteira de uma urbanização de palácios e edifícios populares em coexistência, sendo estes últimos construídos desde o início do bairro a leste daquela via, e os palácios ou edifícios com jardins sempre voltados a oeste. E esta Rua da Rosa  foi também a linha de divisão de propriedades entre os irmãos da família Andrade, nas partilhas que fizeram. Ainda em 1620-30, dos bens de Miguel Leitão de Andrade fazia parte a zona entre a Rua da Rosa e a Rua Formosa (hoje, Rua de O Século).

memórias do contencioso raa1964

E terminamos com  o poema de Fernando Assis Pacheco:

Se o galo gala o pombo pomba? este pombava
ao sol das três da tarde lisboeta num passeio da Rua da Rosa
senhor de si não digo nem arrogante mas com alguns direitos v g do apetite
pombava enquanto carros subiam em segunda aí está cauteloso
o peito inflado as penas do rabo num leque amorável sendo
nele tudo isto «a procura de Deus derramado na urbe» a vinte e dois anos e meio
do fim do mundo
ó futurólogos que me não largais

preciso para o voyeur: pombava e dançava e nos intervalos
céleres da dança pombava ainda apesar de tudo obsequioso
com a fêmea não fosse ela sôbolos pneus que rodam
rua acima ficar-se como a amiga de Ignacio Morel (in Ramón J. Sender)

igual a mim quando pombo ia pombando este pois que se trata
de a buscar sempre mesmo repetida
de uma geração a outra aquilo que é soberbo o amor a novidade

Freguesia da Misericórdia (Planta : Sérgio Dias)

Freguesia da Misericórdia
(Planta : Sérgio Dias)

 

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3 thoughts on “Rua da Rosa nas Memórias do Contencioso

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