A Rua das Portas de Santo Antão segundo Fernando Assis Pacheco

Freguesias de Arroios, Santo António e Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios, Santo António e Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

Sobre a Rua das Portas de Santo Antão reproduzimos «As tentações de Santo Antão», de Fernando Assis Pacheco, publicado na revista Visão de 6 de janeiro de 1994:

Quem perguntar onde eram as portas que deram nome à rua, ficará sabendo que deve usar o singular: a porta era uma, chapeada de ferro metida num arco, para o qual se desceu durante séculos, quase a pique, da estrada de circunvalação entre muralhas para a Baixa. A porta propriamente dita estava situada no que hoje é o eixo do arruamento, mais ou menos a meio caminho da Rua do Jardim do Regedor para a igreja de S. Luís, Rei de França. Em 1509 foi preciso alargá-la, para o que o rei D. Manuel deu ordens estritas e acompanhou de perto a obra. Novo alargamento foi feito em 1727, sendo então retiradas as chapas de ferro. Sol de pouca dura: 28 anos depois o Terramoto destruía o arco e tornava a porta inútil. Só houve uma solução, que foi demolir tudo. E aí começou o perfil da zona a mudar.

Ali perto existiram quintas, hortas, casas apalaçadas. já porém lá não viviam as mancebas solteiras, prostitutas reconhecidas como tais, cuja memória persistiu numa Rua da Mancebia sobre a qual, a crer no olisipógrafo Gomes de Brito, terá sido traçada a do Jardim do Regedor. A freguesia era a de Santa Justa, a paróquia de Santa Justa e Santa Rufina. O grande proprietário da zona chamou-se no século XVI Fernão Álvares de Andrada, do conselho d’el-rei D. João III, seu escrivão da fazenda e tesoureiro-mor. Mais tarde o casamento de uma descendente fez o palácio engrossar o património dos condes da Ericeira. E que palácio: 120 cómodos, dez pátios, jardins, hortas, uma pinacoteca com telas de Tiziano, Correggio e Rubens, uma biblioteca de 18 mil volumes! O Terramoto, ainda ele, arrasou-o, e enquanto se pensava em reconstruir  seriamente o quarteirão entre o Largo da Anunciada e a actual Rua dos Condes surgiram nos escombros uma fieira de barracas e em 1770 um teatro, dos Condes, antepassado do cinema homónimo. Basta por ora.

VINDE, PEÕES

As obras encetadas pelo pelouro do Ambiente da CML, envolvendo um novo colector de esgotos e a remodelação de todas as infra-estruturas, nomeadamente de água, gás e telefone, tiveram a ver com um projecto do Instituto Superior de Agronomia para manutenção e reestruturação de espaços sem vegetação mas capazes de vir a ser integrados em corredores verdes quase contínuos, “com esporádicos atravessamentos de ruas”,  que no caso vertente abarcava também o Largo de S. Domingos. O seu coordenador, prof. arquitecto (paisagista) Gonçalo Ribeiro Teles, afirmou entretanto à “Capital” que “a repavimentação da Rua das Portas de Santo Antão” do Largo do Regedor à Rua dos Condes só por si “não é nada”, e “só quando se completar e avançar para S. Domingos, estabelecendo a necessária  ligação com o Rossio, é que se poderá ver como ficou”.

“Seja como for”, concedeu Ribeiro Teles, “o primeiro passo está dado”. Este troço de rua, limpo de carros e calcetado com vidraço branco, preto e rosa, ganhará a animação possível quando estiverem colocadas todas as 100 mesas e 300 cadeiras de braços das previstas esplanadas, e por lá abancarem os titulares das licenças já passadas pela CML – por exemplo o “homem-estátua” da Rua Augusta, o contador de histórias Paulo Matos e um grupo equatoriano de flautistas de “quena”. Politeama e Coliseu serão os grandes chamarizes, com uma ajuda a tempo do Teatro Nacional D. Maria II,  onde o “Leque de Lady Windermere”, de Oscar Wilde, na encenação de Carlos Avilez, esgota frequentemente a lotação  desde que estreou em 26 de Outubro do ano passado.

O Coliseu, entregue a obra pelo atelier de Maurício de Vasconcelos, reabre a 26 de Fevereiro com uma gala da Sinfónica de Londres, dirigida por Sir Georg Solti, sendo solista Pedro Burmester (piano). No programa, Beethoven e Tchaikovski. É um número da Lisboa 94.

ZERO CARROS 

Comerciantes e empresários estão de acordo em que a zona poderá beneficiar desta filosofia pedonal apoiada em espectáculos de prestígio, mas Francisco Montero Álvarez, sócio do restaurante de luxo Escorial, bate na tecla do corte de trânsito para enumerar prejuízos, não apenas para a sua casa mas para a mais de meia dúzia de residenciais e pensões das Portas de Santo Antão e do Jardim do Regedor.

Acontece que a clientela da hotelaria é obrigada a carregar a bagagem à mão desde os Restauradores, o que piora em dias de chuva. O Escorial, esse já tem perdido reservas de mesas porque as pessoas, informadas pelos taxistas de que os carros não vão lá, telefonam a desistir – ou não telefonam, evaporam-se. Francisco Montero faz um apelo “às entidades competentes”: trabalhando com 80 por cento de comensais não-portugueses, por vezes idosos ou com dificuldades de locomoção, precisa como de pão para a boca que os táxis possam deixar ou vir buscar clientes à porta. Sem isso a crise não será vencida, ela que “está bem instalada” e responde por quebras de 60 por cento.

O Gambrinus, que também é de luxo, diz desconhecer a crise. Por um motivo simples: possui entrada alternativa nas traseiras (Largo do Regedor). É que o mapa das Portas de Santo Antão, quando nasceu, não nasceu igual para todos.

AFLUENTES 

Se considerarmos a rua que desce do Largo da Anunciada para o de S. Domingos como um rio, veremos que pela margem direita correm vários afluentes: Rua dos Condes, Travessa do Forno, Largo do Regedor. cada um deles com o seu cachet muito próprio, das salas de cinema porno (Rua dos Condes) a uma esquadra de polícia vizinha de um quartel de bombeiros e de um posto camarário de limpeza (Largo do Regedor), dando a volta para o reino das mãozinhas de vitela, dos escabeches e das moelas estufadas (Travessa do Forno).

As fitas porno passam no Odeon e no Olímpia, para um público que tem dos 40 aos 60 anos e compra diariamente algumas centenas de bilhetes sem marcação de lugar. Há quem jure que a renovação autêntica da zona obrigará a mexer também nestes cinemas. Como? De viva voz ninguém diz nada, mas percebe-se a ideia.

O que já sucedeu foi na noite de estreia da “Maldita Cocaína” aparecerem vendedores de pensos atacando a grã-finagem com pedidos insistentes de ajuda, por serem -alegavam – seropositivos.

COCA E COZINHA 

Montero Álvarez, quando lhe puxam pela imaginação, tem uma saída não tão peregrina como isso: a animação de rua devia ser à base de música e teatro de qualidade. Flautistas, “homem-estátua”? Hm…

Restauração de qualidade oferece o Politeama, concorrendo nesse ponto com o Escorial, o Gambrinus e as várias cervejarias-marisqueiras com nomes prometedores (Solmar, Lagosta Real, Torremolinos, Inhaca) ou menos bem logrados apesar da oferta de parrilhadas, mariscadas e javalis estendidos a todo o comprimento em mesas.

Na hora de escolher um serviço de apoio para os seus lanches, jantares e ceias-concerto, La Féria foi desinquietar à Casa da Comida um ex-actor e seu amigo, Jorge Vale, que figura entre as grandes autoridades gastronómicas de Lisboa. O contrato tem a duração de quatro anos, mas Vale, optimista, diz que a “Cocaína” vai ficar um século em cena.

Trabalham ali 42 pessoas entre cozinheiros, empregados de mesa e outro pessoal. O serviço desdobra-se em 30 ementas diferentes todos os dias. “The Great Musical” obriga a levantar os bilhetes pré-marcados até dois dias antes da data do espectáculo. Custam 1 500$00, galeria, 2 500$00, 1º balcão, e 3 500$00, tribuna; há camarotes de 7 500$00 a 37 500$00; espectáculo e jantar ficam por 8 000$00; espectáculo e lanche 5 300$00. O réveillon foi um bocado mais a doer, dos 20 000$00 aos 40 000$00. Mas estava presente a nata das “tias” e dos “tios” desta Lisboa que luxa.

HÁ DE TUDO

A verdade é que há de tudo, ricos e pobres, lojas refinadas e ginjinhas centenárias, negócio e expediente, na zona das Portas de Santo Antão. Até um cartório notarial, o 13º, com entrada pelo Largo do Regedor. Idem uma oficina de ourives num 1º andar, aliás por cima do Gambrinus, que assim se vê impedido de crescer como os soufflés. Há farmácias, cabeleireiros, salões de “máquinas de diversão”., lojas de electrónica e de som, uma editorial (Alpha e Omega), uma espingardaria (que também vende apetrechos de caça e pesca), uma loja de cintas e soutiens, outra de artigos militares.

O que já não há é o eléctrico que ia para Carnide e dava a volta tilintando nas Portas de Santo Antão. Nem o burro do vendedor de cenouras. Nem as marionetas no Coliseu, a 2$50 a entrada. Nem o peeping-show do mesmo Coliseu, que esteve lá até há dias. Nem a Cicciolina, coitadinha, que ultimamente dormia num desvão do Teatro Nacional e amanheceu morta na semana passada. Se o futuro continuar preto para o Benfica, também deixará de haver as instalações sociais da Rua do Jardim do Regedor nº 9. O Bingo já emalou a trouxa.

Mas há instituições tão sólidas como a Sociedade de Geografia, a Associação Comercial e o Ateneu Comercial de Lisboa, a Casa do Alentejo. Nem só de néons e boás se vive.

E há, ó apetite, a Manteigaria Londrina, que fez nome a vender “a melhor manteiga” nacional em bacias de esmalte e hoje tem fama com os seus faisões e as suas carnes fumadas e os seus queijos à ovelheira e os seus Portos de colecção.

E a casa de ferragens Francisco Ramos, Lda., logo ao começo para quem chega do Rossio, centenária, que em 1905 prometia “seriedade nas transacções e preços os mais esmerados” e ainda não lhes perdeu o gosto, mas pede muita desculpa de não guardar em stock a totalidade dos números de parafusos – que são 10 mil!

Quem entrar no Restaurante Churrasco e raspar o verniz de 1994, descobrirá que era aí o famoso Capilé, onde abancavam Almada Negreiros e outros modernistas vindos do Martinho do Rossio, e nos anos 60 os artistas de circo à espera de contrato.

Tudo vai mudando, mas as Portas de Santo Antão são andanças, histórias e tentações.

Freguesias de Arroios, Santo António e Santa Maria Maior (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios, Santo António e Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias)

Em S. José de Entre as Hortas a Rua da Senhora da Fé

Freguesia de Santo António (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

Por trás da Avenida da Liberdade, a ligar a Rua de Santo António dos Capuchos à Rua de São José, fica a Rua da Fé onde no seu nº 60 se encontra desde 1985 o restaurante Esquina da Fé, que Fernando Assis Pacheco frequentava como bom amante da gastronomia tradicional portuguesa que era.

A Rua da Fé é um topónimo cuja origem radica na sua proximidade à Igreja de S. José dos Carpinteiros, que ainda hoje encontramos na Rua de São José, e à sua capela de Nossa Senhora da Fé. A Igreja ostenta um arco triunfal com duas capelas laterais, dedicadas uma a Nossa Senhora da Fé e outra ao Senhor dos Passos. A importância da Senhora da Fé está também patente em documentos da Irmandade de São José dos Carpinteiros, nomeadamente de 1884 a 1886, para recolha de donativos  a favor das suas festas religiosas do Sagrado Lausperene, em que ficamos a saber que estas eram também em honra de São José no dia 19 de março e da Senhora da Fé a 18 ou a 21 do mesmo mês.

Desconhecemos a data precisa em que este topónimo foi fixado  na memória de Lisboa mas será certamente anterior ao terramoto de 1755, já que tanto a Rua da Fé como a Rua direita de São José assim aparecem referidas nas memórias paroquiais da Freguesia de São José anteriores ao terramoto.

A Ermida de S. José de Entre as Hortas ou de S. José dos Carpinteiros foi mandada construir pela Irmandade de São José dos Carpinteiros em 1546 no meio das quintas, hortas e olivais que existiam então nesta zona norte da cidade. Em 1567 o Cardeal Infante D. Henrique instituiu uma nova paróquia com o nome de São José e em meados do séc.XVII a Igreja de São José dos Carpinteiros foi ampliada. O templo sobreviveu ao terramoto de 1755, apesar da destruição da fachada original, reconstruída poucos anos depois, segundo instruções do mestre-pedreiro Caetano Tomás. Anexo à Igreja, e com ela comunicando, está um edifício onde, a partir de 1755, funcionou a Casa dos 24, a instituição criada por Dom João I, Mestre de Avis, como forma de agradecer o apoio que lhe foi dado pelas corporações de ofícios durante a crise de 1383-1385.

Refira-se ainda que no nº 47 da Rua da Fé nasceu em 21 de março de 1846 Rafael Bordalo Pinheiro, na casa do seu avô paterno.

Freguesia de Santo António (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

Variações de Fernando Assis Pacheco na Avenida da Liberdade

Freguesia deste e do outro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Santa Maria Maior e Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

A Avenida da Liberdade também foi um eixo da vida de Fernando Assis Pacheco   dado que ao trabalhar para a Projornal a partir de 1979, muitas foram as publicações com morada nesta artéria em que o jornalista marcou presença, como n’O Jornal, no satírico Bisnau, na revista Visão, como chefe de redacção do Jornal de Letras ou como diretor-adjunto do Se7e.

A Avenida da Liberdade nasceu por iniciativa municipal e do sonho de José Gregório Rosa Araújo, então presidente da Câmara Municipal de Lisboa, aberta e rasgada com expropriações e demolições, marcando a primeira fase do plano de extensão de Lisboa, de crescimento urbano para norte, delineado no último quartel do XIX, tomando este topónimo o lugar do Passeio Público e das Ruas Oriental e Ocidental do Passeio por deliberação camarária de 18 de agosto de 1879. O projeto desta Avenida da Liberdade, aprovado entre 1877 e 1879 pela Câmara Municipal de Lisboa, retomou propostas urbanísticas anteriores que conceberam a Avenida como prolongamento do Passeio Público limitada na futura Rotunda do Marquês de Pombal.

A Avenida da Liberdade, com 90 metros de largura e 1273 de comprimento, foi inaugurada em 1886, no mesmo ano em que as ruas Barata Salgueiro e Castilho foram calcetadas e iluminadas e, no dia 25 de maio desse ano foi o palco de um grande desfile com Infantaria e Cavalaria, para o futuro rei D. Carlos mostrar à sua noiva no dia do casamento. E logo no começo do séc. XX, este novo boulevard que herdara algumas árvores e estatuária do Passeio Público, era já palco de passeios de domingo da burguesia lisboeta e depois, a área escolhida para edifícios de prestigiados arquitetos como o Hotel Tivoli de Norte Júnior (1922), o Cinema Tivoli de Raul Lino (1924), o Hotel Vitória de Cassiano Branco (1936), o jornal Diário de Notícias de Pardal Monteiro (1940).

E Fernando Assis Pacheco que não era indiferente ao mundo ao seu redor e assim também aos usos e costumes da Avenida da Liberdade,  incluiu em 1987, no seu livro Variações em Sousa,  o seu poema «As putas da Avenida»:

Eu vi gelar as putas da Avenida
ao griso de Janeiro e tive pena
do que elas chamam em jargão a vida
com um requebro triste de açucena

vi-as às duas e às três falando
como se fala antes de entrar em cena
o gesto já compondo à voz de mando
do director fatal que lhes ordena

essa pose de flor recém-cortada
que para as mais batidas não é nada
senão fingirem lírios da Lorena

mas a todas o griso ia aturdindo
e eu que do trabalho vinha vindo
calçando as luvas senti tanta pena

 

Freguesia deste e do outro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Santa Maria Maior e Santo António
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

A Rua Gomes Freire da Judiciária

Fernando Assis Pacheco à porta da Judiciária num processo contra o DL (Foto: Fernando Assis Pacheco no Facebook)

Fernando Assis Pacheco à porta da Judiciária num processo contra o Diário de Lisboa                                                (Foto: Fernando Assis Pacheco no Facebook)

Enquanto jornalista do Diário de Lisboa desde 1965 Fernando Assis Pacheco foi testemunha de vários processos contra o jornal onde trabalhava, o que o conduziu inúmeras vezes com os seus camaradas de profissão para a sede da Polícia Judiciária, na Rua Gomes Freire, uma artéria evocativa de alguém que também pugnou pela liberdade.

Tanto a Rua Gomes Freire como o arruamento onde se inicia – o Campo Mártires da Pátria – evocam aqueles que foram enforcados no dia 18 de Outubro de 1817 por contestação ao general Beresford, tendo Gomes Freire sofrido a punição no Forte de São Julião da Barra e os outros onze em praça pública no que era o Campo de Santana e onde hoje são homenageados pela toponímia. A Rua Gomes Freire foi fixada na que era a a Rua da Carreira dos Cavalos por Edital municipal de 22/08/1879, mais ou menos um mês após a atribuição do Campo Mártires da Pátria por Edital de 11/07/1879.

Ilustração Portuguesa, 1905

Ilustração Portuguesa, 1905

O topónimo Rua Gomes Freire perpetua a memória de Gomes Freire de Andrade (Viena/ 27.01.1757 – 18.10.1817/Forte de S. Julião da Barra), o filho de um diplomata que seguiu a carreira militar e foi considerado como um dos mais ilustres e perseguidos mártires da liberdade em Portugal.

Como militar, Gomes Freire de Andrade combateu em Argel (1784), na Rússia (1788), na Guerra do Rossilhão (1790) e já como marechal-de-campo, na Guerra das Laranjas (1801). Em 1803 participou também nos motins de Campo de Ourique que já anunciavam uma série de acontecimentos que culminaram com o estabelecimento do Regime Liberal em Portugal em 1820. Gomes Freire era o comandante de Infantaria 4 aquartelado em Campo de Ourique e em pleno Passeio Público prendeu Grosson, o comandante da Guarda Real da Polícia de Lisboa. Seguiram-se rixas entre os dois comandos e a 27 de julho, Gomes Freire foi preso e o seu regimento transferido para Cascais. A existência de dois partidos que procuravam influenciar o regente, um pró-inglês e o outro pró- francês, implicava a cumplicidade de Novion e a oficialidade da Guarda Real no grupo de pressão francês e jacobino, e a de Gomes Freire com os seus subordinados, no grupo inglês e maçónico.

Mação graduado e de ideologia revolucionária, Gomes Freire de Andrade foi acusado de participação ativa na conspiração de 1817 contra Beresford e nesse mesmo ano executado por enforcamento, tal como 11 companheiros, embora na  Cidadela de Cascais.

Freguesia de Arroios (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Arroios
(Foto: Sérgio Dias)

 

A Avenida Fontes Pereira de Melo e A Visita da Cornélia

0 0 Fernando Assis Pacheco durante A Visita da Cornélia, com a colega de equipa e cunhada Carminho Ruella Ramos (Foto: Fernando Assis Pacheco no Facebook)

Fernando Assis Pacheco em A Visita da Cornélia, com a par de equipa e cunhada Carminho Ruella Ramos
(Foto: Fernando Assis Pacheco no Facebook)

Na Avenida Fontes Pereira de Melo está instalado 0 Teatro Villaret, palco a partir do qual foi transmitido pela RTP no ano de 1977 – de 6 de junho a 28 de novembro -, sempre às 2ªs feiras,  o concurso de sucesso A Visita da Cornélia, apresentado por Raul Solnado, e no qual Fernando Assis Pacheco fazia par com a sua cunhada Carminho Ruella Ramos e se tornaram concorrentes muito populares.

Durante 7 semanas Assis Pacheco ocupou o pódio do concurso e como nenhum dos outros concorrentes o destronava – como  a família Pitum Keil do Amaral, José Fanha ou Tozé Martinho e Tareka – viu-se obrigado a desistir. Refira-se ainda que foi organizada no Ginásio do Clube Atlético de Campo de Ourique, a 7 de dezembro de 1977,  um espectáculo com «As estrelas da Cornélia»: Fernando Assis Pacheco, Carlos Fragateiro, Clarisse e Tó, José Fanha, Lucilina e Victor, Hugo Maia de Loureiro, Pitum  e Vasco Raimundo.

Freguesias de Santo António , de Arroios e das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Santo António , de Arroios e das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Esta artéria que homenageia António Maria Fontes Pereira de Melo, falecido em janeiro de 1887, nasceu integrada no Plano das Avenidas Novas, do Eng.º Ressano Garcia, aprovado em 1888 na Câmara Municipal de Lisboa, que seguia as ideias urbanísticas do séc. XIX, aplicando os princípios higienistas de combate à insalubridade das densas vilas da industrialização, definindo um traço regular formado por quarteirões uniformes, numa sequência de eixos estruturantes articulados por rotundas. Neste plano, a Avenida Fontes Pereira de Melo constituía o elemento de ligação do conjunto das ruas adjacentes ao Parque da Liberdade (hoje Parque Eduardo VII) com o núcleo Picoas – Campo Grande.

Tão evidente era o nome do político que construiu o Fontismo que o topónimo foi atribuído como Rua Fontes, por deliberação camarária de 31/12/1887 e Edital de 10/01/1888.  Mais tarde, o Edital municipal de 11/12/1902 mudou-lhe a categoria para Avenida, já como Fontes Pereira de Melo.

António Maria Fontes Pereira de Melo (Lisboa/08.09.1819-22.01.1887/Lisboa), foi o chefe do Partido Regenerador que presidiu ao Conselho de Ministros  por três vezes,  de 1871 a 1886, período que ficou conhecido como Fontismo, caracterizado pela promoção de obras públicas como o aumento do número de estradas, o primeiro troço dos caminhos-de-ferro, a primeira linha telegráfica e a inauguração de carreiras regulares de barcos a vapor (no Tejo, Sado e Lisboa- Açores) e serviços postais, para além da fundação dos Institutos Industrial e Agrícola, sendo então pela primeira vez ter criado o Ministério das Obras Públicas que ele próprio assumiu.

Fontes Pereira de Melo começou a sua carreira política como deputado por Cabo Verde e nessa qualidade se mostrou contrário à Lei das Rolhas de 1850 que impunha restrições à liberdade de imprensa. Foi ainda Ministro da Marinha e do Ultramar, Ministro da Fazenda e da Guerra, governador da Companhia de Crédito Predial Português e Presidente do Supremo Tribunal Administrativo.

Freguesias de Santo António , de Arroios e das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Santo António , de Arroios e das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Almeida e Sousa da Livraria Ler

Freguesia de Campo de Ourique (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Sérgio Dias)

Escritor apaixonado por livros, Fernando Assis Pacheco era uma frequentador assíduo da Livraria Ler, com morada em Campo de Ourique, no nº 24-C da Rua Almeida e Sousa, numa esquina virada para o Jardim Teófilo Braga, mais conhecido por Jardim da Parada.

O topónimo Rua Almeida e Sousa foi atribuído pela Câmara Municipal de Lisboa ainda no século XIX, através do Edital de 23/05/1882, à Rua nº 4 de Campo de Ourique, Bairro de quarteirões ortogonais de acordo com o plano do Engº Ressano Garcia. Por este mesmo edital foram homenageados outros três jurisconsultos no Bairro de Campo de Ourique, a saber, Pereira e Sousa (na Rua nº1), Correia Teles (Rua n.º 2), e Coelho da Rocha (Rua nº5).

Manuel de Almeida e Sousa Lobão (Vouzela/19.03.1745 – 31.12.1817/Lobão- Viseu) foi um  jurisconsulto muito conceituado na sua época, formado em Cânones pela Universidade de Coimbra, em 1766, e foi permanentemente requisitado para consultas e pleitos, sem abandonar o seu aturado estudo da jurisprudência portuguesa, legando-nos sobre o assunto uma imensa obra escrita, nomeadamente sobre processo civil, casamento civil, direito romano e canónico.

Depois, Almeida e Sousa Lobão retirou-se para Lobão, terra com a qual criou uma grande afinidade, a ponto de usar o topónimo como apelido e aí manteve o seu estudo das matérias forenses.

Freguesia de Campo de Ourique (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Sérgio Dias)

A republicana Avenida Cinco de Outubro

Freguesias de Alvalade e das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Alvalade e das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Fernando Assis Pacheco foi colaborador da RTP, ainda as suas instalações eram no Lumiar e na Avenida Cinco de Outubro, escrevendo argumentos e diálogos para documentários, de que é exemplo Num mar de moliço (1966), realizado por Alfredo Tropa, com quem Assis Pacheco foi também co-autor do filme Bárbara (1980), a primeira longa-metragem produzida pela RTP. A ligação à RTP ficou ainda marcada  pela reedição em 1997, de Trabalhos e Paixões de Benito Prada de Fernando Assis Pacheco,  na Coleção 40 Anos de RTP.

Cinco de Outubro, data da implantação da República no ano de 1910, foi fixada pela edilidade lisboeta  logo no seu primeiro Edital de toponímia, um mês após a implantação da República, em 5 de novembro de 1910. Por esse mesmo Edital  foram também fixados na memória da cidade a Avenida da República, a Avenida Almirante Reis, a Avenida Miguel Bombarda, a Avenida Elias Garcia e mais cinco.

Até aí esta artéria designava-se Rua António Maria de Avelar, por deliberação camarária de 12 de agosto de 1897 e edital do dia 21 do mesmo mês, tendo passado a Avenida, por deliberação camarária de 4 de dezembro de 1902 e edital de 11 do mesmo mês, homenageando um engenheiro (Lisboa/06.11.1854 – 27.10.1912/Lisboa) e funcionário da Câmara de Lisboa desde 1879, ligado ao plano das Avenidas Novas já que substituiu por longos períodos o director-geral das Obras Municipais, Ressano Garcia. A proposta para ser alterada para Avenida Cinco de Outubro partiu do vereador Nunes Loureiro na reunião de câmara de 6 de outubro de 1910 e foi aprovada por aclamação.

Brevemente, refira-se que os outros topónimos alterados por este Edital de 5 de novembro de 1910 foram a Avenida da República- comemorativa da implantação da República em Portugal -, para substituir a artéria até aí designada por Avenida Ressano Garcia; a Avenida Almirante Reis– o Almirante Cândido do Reis que se suicidou no dia 4 de Outubro julgando perdida a causa republicana e por isso foi considerado um dos primeiros mártires da revolução -, para suceder à artéria até aí designada por Avenida Dona Amélia; a Avenida Miguel Bombarda – médico republicano que foi assassinado no dia 3 de Outubro, no Hospital de Rilhafoles, por um seu doente esquizofrénico e que foi considerado um dos primeiros mártires da revolução -, para sobrevir à artéria até aí designada por Avenida Hintze Ribeiro; a Avenida Elias Garcia – propagandista e jornalista republicano -, para sobrepor-se à artéria até aí designada por Avenida José Luciano; a Rua de Ponta Delgada, para substituir a artéria até aí designada por Rua Mota Veiga; a Rua do Comércio, para suceder à artéria até aí designada por Rua de El-Rei; a Rua dos Fanqueiros, para sobrevir à artéria até aí designada por Rua da Princesa; a Rua da Prata, para sobrepor-se à artéria até aí designada por Rua Bela da Rainha e, a Praça Afonso de Albuquerque, para renomear a artéria até aí designada por Praça D. Fernando.

A edilidade republicana alterou a toponímia de Lisboa, substituindo os nomes das individualidades demasiado comprometidas com o regime anterior e os topónimos de cariz religioso por outros evocativos dos ideais republicanos. Numa época em que a televisão não existia e a leitura de jornais só estava acessível a uma minoria a difusão dos topónimos Cinco de Outubro e República levaram a todo o país a imagem de um estado republicano triunfante.

Freguesias de Alvalade e das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Alvalade e das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Luz Soriano do «Diário de Lisboa»

Fernando Assis Pacheco no Diário de Lisboa (Foto: © Fernando Assis Pacheco no Facebook)

Fernando Assis Pacheco no Diário de Lisboa
(Foto: © Fernando Assis Pacheco no Facebook)

Fernando Assis Pacheco foi desde 1965  jornalista do Diário de Lisboa, um dos muitos jornais que animaram o Bairro Alto e que se encontrava sediado nos nº 44 e nº 48 da Rua Luz Soriano, rua íngreme que Assis Pacheco calcorreou muitos dias, já que trabalhou neste jornal de 1965 e até 1971, interrompendo de 1972 a 1974 para estar no República, na Rua da Misericórdia, regressando ao vespertino em 1974 e até 1979, ano em que passou a trabalhar nas várias publicações da Projornal, na Avenida da Liberdade.

Esta Rua Luz Soriano que veio substituir a seiscentista denominação de Rua do Carvalho nasceu ainda em vida do homenageado, em resultado da deliberação camarária de 12/04/1887 e do Edital municipal de 08/07/1887 que a justifica assim: «a mesma câmara considerando que a doação que lhe fora feita pelo cidadão Simão José da Luz Soriano, da verba de oito contos de réis e da propriedade de casas em que reside, na rua do Carvalho, para a fundação e manutenção de uma escola de instrucção primaria, constitue um valioso serviço prestado ao municipio; considerando que actos d’estes merecem immediato galardão para que sirvam de incitamento a presentes e vindouros; considerando que é dever da camara retribuir o generoso donativo de tão prestante cidadão com um acto que a todos recorde o seu nome philantropico.»

Freguesia da Misericórdia - placa de azulejo (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Misericórdia – placa de azulejo
(Foto: Sérgio Dias)

Simão José da Luz Soriano (Lisboa/2 ou 08.09.1802- 18.08.1891/Lisboa) firmou-se como um político do Liberalismo, assim como um historiador que deixou obras monumentais como História do Cerco do Porto precedida de uma extensa noticia sobre as diferentes fases políticas da monarquia, desde os mais remotos tempos até ao ano de 1820, e desde este mesmo ano até ao começo do sobredito cerco(1846-1849) – obra que, apesar dos seus defeitos, tem extremo interesse como valor de consulta;  ou os 17 volumes da História da Guerra Civil e do Estabelecimento do Governo Parlamentar em Portugal (1866-1890) que Luz Soriano foi encarregue de escrever pelo governo, por uma verba anual de 600$000 réis. São ainda de salientar a sua História do Reinado de D. José (1867)  ou Vida do Marquês de Sá da Bandeira (1887-1888).

Nos seus muitos legados beneméritos Luz Soriano fez também doações à Casa Pia de Lisboa, Misericórdias de Lisboa e Coimbra para atribuição de bolsas de estudos superiores, assim como contribuiu para o monumento a Afonso de Albuquerque (em Belém) e para o do marquês de Sá da Bandeira.

Aluno da Casa Pia de Lisboa que o fez patrono da Biblioteca-Museu do Ateneu Casapiano, foi mediante uma bolsa que Luz Soriano estudou matemática e filosofia em Coimbra e, depois das guerras liberais, se formou em Medicina, mas nunca exerceu. Em 1828, devido às suas ideias liberais, emigrara para a Galiza e depois, para Plymouth, seguindo daí em 1829 para a Terceira – quartel general do exército liberal – onde exerceu jornalismo político, sendo o redator principal da Crónica da Terceira. Regressado com D. Pedro IV em 1832, inserido no grupo dos Bravos do Mindelo (com Herculano e Garrett), iniciou uma relevante carreira de funcionário da Secretaria da Marinha e Ultramar.  Em 1851 foi também deputado por Angola,  sendo reeleito nas seguintes legislaturas, e foi ainda ao serviço desta província africana que impulsionou o desenvolvimento da colónia de Moçâmedes, para se consolidar o domínio português no porto de Ambriz, de que a Inglaterra pretendia assenhorear-se.

Freguesia da Misericórdia (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Misericórdia
(Foto: Sérgio Dias)

A Travessa de Nossa Senhora das Dores ou do Patrocínio

Freguesia da Estrela (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Estrela
(Foto: Sérgio Dias)

Fernando Assis Pacheco fixou-se em Lisboa no bairro de Campo de Ourique e aí viveu desde a década de sessenta e durante mais de 30 anos no rés-do-chão do nº 19 da Travessa do Patrocínio.

Este arruamento que liga a Travessa do Jardim à Rua do Patrocínio teve topónimo atribuído ainda no séc. XIX, por deliberação camarária de 30/07/1888 e Edital municipal de 2 de agosto de 1888.

Este topónimo advém da existência nesta zona da Igreja de Nossa Senhora das Dores ou do Patrocínio, que segundo o olisipógrafo Norberto de Araújo «é coeva da construção da Basílica da Estrêla, e foi fundada – diz-se que com materiais que do monumento de D. Maria I sobejaram – pelo Padre António Luiz de Carvalho, em honra das Sete Dores de Maria Santíssima» para além de que «a fachada dêste templo, bem proporcionada, de ordem jónica, acusa o final do século XVIII». Esta igreja, também conhecida por Igreja do Patrocínio, foi escolhida em 1934 para sede provisória da então criada Paróquia do Beato Nuno Álvares (hoje, Santo Condestável).

A Rua do Patrocínio, que antes do Terramoto de 1755 era a Rua Direita da Boa Morte, ligando hoje a Rua de Santo António à Estrela à Rua Domingos Sequeira, é um topónimo que radica na mesma ligação a essa Igreja que acolhia no seu espaço.

Fernando Assis Pacheco com as 5 filhas e o cão em casa, em 1977 (Foto: Fernando Assis Pacheco no Facebook)

Fernando Assis Pacheco com as 5 filhas e o cão em casa, em 1977
(Foto: Fernando Assis Pacheco no Facebook)

Freguesia da Estrela (Planta: Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Estrela
(Planta: Foto: Sérgio Dias)

Fernando Assis Pacheco em Campo de Ourique

capa da brochura

Fernando Assis Pacheco celebraria hoje o seu 79º aniversário e, Lisboa continua a guardar a memória deste jornalista e escritor, numa rua de Campo de Ourique, desde que o Edital de 9 de fevereiro de 1999 atribuiu o seu nome à Rua Particular à Rua Saraiva de Carvalho.

Freguesia de Campo de Ourique (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Foto: Sérgio Dias)

Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco (Coimbra/01.02.1937 – 30.11.1995/Lisboa) foi um jornalista, escritor, crítico literário, tradutor e apaixonado da arte de viver que residiu mais de trinta anos na Travessa do Patrocínio.

Como jornalista, Assis era capaz de arrancar histórias ao quotidiano e transformá-las em crónicas brilhantes, tendo deixado a sua marca inconfundível na imprensa escrita em títulos como o Diário de Lisboa, o República, o JL-Jornal de Letras, o Artes e Ideias, o Musicalíssimo, a revista Visão, bem como no Se7e onde também foi diretor-adjunto  e, n’ O Jornal onde acumulou com as funções de Chefe de Redação e de critico literário.

A sua primeira obra Cuidar dos Vivos (1963), um conjunto de poemas de protesto político e cívico, publicada com o patrocínio paterno, já comportava o que serão os seus temas na poesia e na ficção: a experiência da Guerra Colonial e a realidade social e política. Na sua obra somou a poesia de Câu Kiên: Um Resumo  (1972) reeditado em 1976 como Catalabanza Quilolo e Volta, Memórias do Contencioso (1976, com edição definitiva em 1980), Siquer este refúgio (1978), Enquanto o autor fuma um caricoço, seguido de Os Sons que passam (1978), A Profissão Dominante (1982), Variações em Sousa e Nausicaah! (ambos em 1984), A Bela do Bairro e outros poemas (1986), a antologia  Musa Irregular  (1991) ou a ficção de Walt  (1978) bem como Os Trabalhos e Paixões de Benito Prada (1993), assim como as edições publicadas postumamente como a poesia de Respiração Assistida (2003), as crónicas de futebol publicadas no jornal Record em 1972 com o título de Memórias de um Craque  (2005) e o recente Bronco Angel, o cow-boy analfabeto (2015), fascículos originalmente escritos semanalmente para o Bisnau sob o pseudónimo de William Faulkingway.

Fernando Assis Pacheco,  filho de José V. M. Assis Pacheco e Maria da Conceição Mendes de Assis Pacheco, casou em 4 de fevereiro de 1963 com Maria do Rosário Pinto de Ruela Ramos, a sua Rosarinho, de quem teve 6 filhos: Rita, Ana, Rosa, Catarina, Bárbara e João.

Licenciado em Filologia Germânica, Assis Pacheco também traduziu obras de Pablo Neruda e de Gabriel García Marquez e foi colaborador da RTP. Nasceu e viveu a juventude em Coimbra tendo sido ator do TEUC e CITAC bem como redator da revista Vértice. Entre 1961 e 1963 cumpriu o serviço militar em Portugal mas nos dois anos seguintes foi destacado para a guerra colonial, em Angola. Conhecido pelo seu sentido de humor e bonomia ficou também popular por via da televisão, como participante do concurso A Visita da Cornélia. Amante de livros e da vida, como ele próprio referiu «contava não esticar o pernil antes de 1999, mas tropeçou sem querer» em 1995, aos 58 anos, à porta da Livraria Buchholz.

Freguesia de Campo de Ourique (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias)