A Rua Vieira da Silva, dedicada ao 2º presidente do Centro Promotor das Classes Laboriosas

A Rua Vieira da Silva na planta de Júlio Vieira da Silva Pinto de maio de 1910 (excerto)

A Rua Vieira da Silva na planta de Júlio Vieira da Silva Pinto de maio de 1910 (excerto)

Francisco Vieira da Silva, tipógrafo e jornalista que foi o 2º Presidente da Direção do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas, está desde o século XIX perpetuado no antigo bairro de Alcântara na Rua Vieira da Silva .

Embora se desconheçam registos documentais do nascimento preciso desta artéria, que hoje liga a Avenida 24 de Julho à Rua Prior do Crato na Freguesia da Estrela, é um topónimo já assim denominado no último quartel do séc. XIX. A Rua Vieira da Silva surge já no levantamento topográfico de Francisco Goullard de 1881, bem como plano de alargamento da Rua Vieira da Silva, de 28 de abril de 1892 a 1 de setembro de 1894, assinado pelo arquiteto José Luís Monteiro e os condutores de obras Pedro Joyce e Francisco Heitor de Macedo, e ainda no processo da troca de terrenos na margem direita do Rio Tejo do Cais do Sodré a Alcântara, entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Direcção Geral de Obras Públicas e Minas, de 16 de setembro de 1899 a 15 de maio de 1900, assinado pelo Engº António Maria Avelar e o Chefe da 3ª Repartição do Serviço Geral de Obras Públicas da CML, Augusto César dos Santos.

A legenda «Tipógrafo e Jornalista/1825 – 1868» só foi acrescentada em 1992, a partir de um parecer da Comissão Municipal de Toponímia por «em virtude da natural confusão que resulta da existência dos topónimos Rua Engenheiro Vieira da Silva e Rua Vieira da Silva, fosse inserida nos respectivos palcos toponímicos desses arruamentos, passem a constar, digo, uma legenda que melhor identifique as personalidades homenageadas. Assim, deliberou que as placas toponímicas desses arruamentos passem a conter os seguintes dizeres: Rua Eng.º Vieira da Silva/Olisipógrafo/1869 – 1951; Rua Vieira da Silva/Tipógrafo e Jornalista/1825 – 1868».

 

Assim, o homenageado neste arruamento é Francisco Maria Vieira da Silva (Lisboa/26.02.1825 – 10.06.1868/Lisboa), um tipógrafo e jornalista que a partir de 1863 se tornaria o Presidente do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas, sucedendo a António Rodrigues Sampaio. Esta associação que viveu entre 1853 e 1872 teve os seus primeiros Estatutos redigidos por Sousa Brandão e aprovados por decreto publicado em 16 de junho de 1853. Já após a morte de Vieira da Silva, em 19 de outubro de 1870 esta associação reformulou os seus estatutos, tendo por base os princípios da Internacional Operária, mas o governo não os aceitou e os mesmos foram revistos  por uma comissão constituída por Sousa Brandão, Eduardo Maia, José Fontana, Luís Eça e Nobre França, sendo aprovados a 8 de março de 1872. O Jornal do Centro Promotor, também teve como 1º diretor Rodrigues Sampaio e Vieira da Silva como segundo, sendo Casal Ribeiro o tesoureiro.

Após a criação da Associação dos Artistas Lisbonenses em 1839, Vieira da Silva ligou-se a Sousa Brandão e Lopes de Mendonça para desenvolverem movimentos associativos e desta união nasceu a publicação em 28 de abril de 1859 do 1º número do Eco dos Operários (O Ecco dos Operarios : Revista Social e Litteraria). Mais tarde, Vieira da Silva também colaborou no Aurora, Comércio do Porto, Globo, O País, Revista Universal Lisbonense ou Voz do Operário.

Vieira da Silva foi também em 1861 um dos sócios fundadores da Comissão Central 1.º de Dezembro de 1640, junto com mais 39 figuras, como Anselmo José Braamcamp, Alexandre Herculano, o Barão de Santa Engrácia, Brito Aranha, o Conde Redondo, José Estêvão, Luís de Castro Guimarães, Manuel de Jesus Coelho, Mendes Leal ou Silva e Albuquerque. Aquela que hoje conhecemos como Sociedade Histórica da Independência de Portugal foi fundada com o nome de Associação Nacional 1.º de Dezembro de 1640, com 40 simbólicos membros para a dirigir, como os 40 conjurados, em maio e julho de 1861, tendo os seus estatutos sido aprovados em 1 de dezembro de 1869.

 

Freguesia da Estrela

Freguesia da Estrela

 

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A Rua do fundador da 1ª associação mutualista portuguesa, Fernandes da Fonseca

Freguesia de Santa Maria Maior (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Foto: Sérgio Dias)

A antiga Carreirinha do Socorro passou no final do século XIX, através do Edital municipal de 20/07/1888, a designar-se Rua Fernandes da Fonseca para, de acordo com Norberto de Araújo, perpetuar «a memória do fundador da Sociedade de socorro mútuo dos Artistas Lisbonenses» ou Associação dos Artistas Lisbonenses, uma associação operária mutualista que foi a primeira no nosso país, fundada  em 3 de fevereiro de 1839 por Alexandre Fernandes da Fonseca e 19 operários, com o intuito de apoiar os operários na velhice, na doença e no desemprego.

Em 1851, por ocasião do 12º aniversário da Sociedade dos Artistas Lisbonenses, os seus estatutos foram publicados na Revista Universal Lisbonense, publicação que contou mesmo entre os seus colaboradores  com alguns membros da associação. No ano seguinte, o jornal fez também notícia do aniversário da associação e deu conta que a mesma somava já 448 sócios, sendo presidente o Sr. Chaves, serralheiro de profissão.

Diário Ilustrado, 28.02.1898

Diário Ilustrado, 28.02.1898

Alexandre Fernandes da Fonseca (Aldeia do Bispo- Guarda/28.02.1798- 05.05.1860/Lisboa), o impulsionador da Sociedade dos Artistas Lisbonenses, a que ele chamava a sua «filha querida» e que mais tarde tomou o seu nome, viera para Lisboa em 1823, tendo trabalhado num dos 4 estabelecimentos de António Marrare em Lisboa – eram cafés junto ao Teatro de São Carlos, no Cais do Sodré, no Chiado e na Rua dos Sapateiros -, para no ano de 1832 se estabelecer por conta própria. Findas as guerras liberais foi nomeado fiscal dos trabalhos da Casa Real (em 1834) e depois, apontador-geral das obras feitas para a Câmara dos Pares em São Bento e para o Paço das Necessidades. A partir de 3 de abril de 1855 desempenhou as funções de porteiro e de almoxarife no Palácio de Queluz. Fernandes da Fonseca foi sepultado no túmulo de Veríssimo José Baptista, no Cemitério dos Prazeres.

Freguesia de Santa Maria Maior (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Maria Maior
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do Pacheco que foi Custódio e Brás

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Por proposta do Vogal da Câmara Júlio César de Carvalho Teixeira, aprovada na sessão de câmara de 12/01/1933, foi o nome de Custódio Pacheco atribuído à Rua U do Bairro do Arco Cego, mas o Edital  de 21/01/1933 tornou-a Rua Brás Pacheco, sendo vontade manifesta da edilidade lisboeta homenagear nesta artéria Custódio Brás Pacheco, figura muito ligada ao movimento associativo desta cidade.

Pelo mesmo edital de 1933 foram atribuídos mais os seguintes topónimos no Bairro Social do Arco do Cego: Rua Bacelar e Silva (Rua B),  Rua Cardoso de Oliveira, Rua Costa Goodolfim (Rua A), Rua Desidério Beça (Rua V) , Rua Gomes da Silva (Rua D) e Rua Ladislau Piçarra (Rua C). Este Bairro Social foi construído na antiga Quinta das Cortes ao abrigo do Decreto 4137 de 25 de abril de 1918, tendo a a obra começado em 1919 mas apenas sido concluída na década de trinta, com inauguração oficial do Bairro em 10 de março de 1935.

bras pacheco

Custódio Braz Pacheco (Vila Nova de Milfontes/27.11.1828 –  dezembro de 1883/Lisboa) foi um operário da indústria tabaqueira lisboeta que enquanto tal foi fundador com Júlio Maria da Costa, Joaquim Augusto Dias, Pedro José de Carvalho, José Bento de Oliveira, Agostinho Alves de Sousa, Eusébio Luís da Paula e João António Alves do jornal A Voz do Operário, do qual foi também redator principal  tendo assinado o editorial do 1º número, em 11 de outubro de 1879. Foi a partir daqui que mais tarde, em  13 de fevereiro de 1883, nasceu a Sociedade A Voz do Operário. Brás Pacheco também colaborou com mais associações como o Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas, a Associação Fraternidade Operária de José Fontana e fundou em 1863 a União Fraternal dos Operários da Fabricação dos Tabacos, da qual foi até dirigente durante alguns anos.

Considerado um elemento moderado, Brás Pacheco foi ainda, em 1878 candidato pelo Partido Republicano Federal às eleições.

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Alexandre Ferreira próxima dos «Inválidos do Comércio»

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Seis anos após o seu falecimento, Alexandre Ferreira ficou perpetuado numa artéria próxima dos Inválidos do Comércio, instituição a que ele presidiu até ao ano do seu falecimento, a partir de propostas do vereadores António Maria Pereira e Eduardo Neves, ficando por  Edital de 28/12/1956 num troço da Estrada do Desvio, entre a Rua do Lumiar e a Estrada que conduz à Ameixoeira, com a legenda «Mutualista/1877 – 1950» acrescentada a partir de uma sugestão da Comissão Municipal de Toponímia de 4 de maio de 1957.

A Associação Inválidos do Comércio foi fundada em 1929, com Estatutos aprovados em 10 de Abril desse ano e Alexandre Ferreira foi o seu Presidente da Direção até falecer, no ano de 1950, para além de ter doado as suas propriedades no Lumiar para a construção da Casa de Repouso dos Inválidos do Comércio.

O Diário Ilustrado, 28.06. 1925

O Diário Ilustrado, 28.06. 1925

Alexandre Branco Ferreira (Porto/04.11.1877- 15.03.1950/Lisboa), filho de Caetano Branco Ferreira e Maria da Conceição, e republicano desde que assistiu ao 31 de Janeiro de 1891, foi um comerciante de artigos de fotografia e profissional de seguros que se radicou em Lisboa, na zona do Lumiar, a partir de 1904, e nesta cidade  foi vereador municipal em três executivos, entre 1917 e junho de 1926. Destacou-se no Pelouro da Instrução e da Assistência por ter criado os lactários, as consultas médicas para mães e crianças, bem como o fornecimento de roupa e calçado às famílias carenciadas, para além de ter fundado a Colónia Balnear da Cruz Quebrada e colónias de campo na Quinta de Santo Elói (na Paiã). Foi também o responsável pela transferência do Museu Rafael Bordalo Pinheiro para a administração municipal. Já em 1911 Alexandre Ferreira havia sido o responsável pela criação  da Universidade Livre – que funcionou durante 25 anos-  e e em 1922, no  âmbito da CML, organizou o Congresso Nacional de Educação Popular.

Alexandre Ferreira foi ainda  nomeado Secretário Geral da Comissão Nacional da Comemoração do 4º centenário do nascimento de Camões (1924), eleito deputado na legislatura de 1925 onde esteve até ao 28 de maio de 1926 e presidiu a diversas instituições de instrução, cultura, mutualismo e beneficência, como a Academia de Amadores de Música. Publicou  O Mutualismo na Evolução Social (1926), O Ensino Profissional da Mulher (1930), Necessidade de Orientar em Moldes Novos a Causa da Educação Física (1932) e a partir de 1930 revelou-se também como conferencista divulgador da obra de beneficência dos Inválidos do Comércio e da campanha contra o analfabetismo promovida pelo Diário de Notícias.

Refira-se ainda que Alexandre Ferreira foi pai do escritor José Gomes Ferreira – também presente na toponímia de Lisboa, em Campo de Ourique -, e morou na Rua de São Julião (1904), na Calçada do Monte Agudo nº 52 r/c – esqº (em 1906 e que hoje é a Rua Heliodoro Salgado) e na Rua Maria Andrade nº 3 r/c – esqº (1917 ), para além de ter trabalhado na área de fotografia da Drogaria Peninsular na Rua Augusta nº 39-41 e depois estabelecido a sua loja de fotografia no nº 55 da Rua Nova do Almada.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

 

O Largo Miguel José Mendes em homenagem à Voz do Operário

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

Na sequência  de uma proposta da Assembleia Municipal de Lisboa por ocasião do 130º aniversário da Voz do Operário, foi o nome de um dos fundadores de A Voz do Operário, Miguel José Mendes, dado a um Largo de Carnide pelo Edital municipal de 11 de novembro de 1983, com a legenda «Mutualista/1835 – 1906».

Miguel José Mendes (1835 – 23 ou 24.02.1906/Lisboa) foi um livre-pensador e um dos elementos mais representativos do movimento mutualista que levou à fundação em 13 de fevereiro de 1883 da Sociedade Cooperativa A Voz do Operário e que enquanto seu dirigente pugnou para a tornar uma associação modelar no campo da assistência social, cultural e beneficente. Foi também o director do seu jornal Voz do Operário.

De acordo com a tradição, o operário tabaqueiro de Lisboa Custódio Gomes  indignado com a recusa dos jornais publicarem uma notícia sobre as condições de vida dos operários tabaqueiros, terá afirmado que «soubesse eu escrever que não estava com demoras. Já há muito que tínhamos um jornal. Bem ou mal, o que lá se disser é o que é verdade. Amanhã reúne a nossa Associação [Associação de Socorros Mútuos União Fraternal dos Operários dos Tabacos], e hei-de propor que se publique um periódico, que nos defenda a todos, e mesmo aos companheiros de outras classes». A proposta foi feita e aceite, nascendo assim o Voz do Operário,  a 11 de outubro de 1879, pelas mãos de um outro operário tabaqueiro, Custódio Brás Pacheco. As necessidades de manutenção económica do periódico levaram a que os operários procurassem formas de financiá-lo, o que os conduziu à fundação da Sociedade Cooperativa A Voz do Operário, em cujos estatutos se estabelecia como objeto da Sociedade «sustentar a publicação do periódico ‘A Voz do Operário’, órgão dos manipuladores de tabaco, desligado de qualquer partido ou grupo político», bem como «estudar o modo de resolver o grandioso problema do trabalho, procurando por todos os meios legais melhorar as condições deste» e «estabelecer escolas, gabinete de leitura, caixa económica e tudo quanto, em harmonia com a índole das sociedades desta natureza, e com as circunstâncias do cofre, possa concorrer para a instrução e bem estar da classe trabalhadora em geral e dos sócios em particular.» Os 316 sócios de então  contribuíam com uma quota semanal de vinte réis.V

Por solicitação dos associados, em julho de 1883 a Voz do Operário também passou a prestar assistência funerária, correspondendo a uma necessidade da classe que se via confrontada com o exorbitante preço dos funerais.

Freguesia de Carnide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua Manuel de Jesus Coelho, da Associação das Classes Laboriosas

Freguesia de Santo António (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Foto: Sérgio Dias)

Menos de três após o seu falecimento foi Manuel de Jesus Coelho, um dos fundadores da Associação das Classes Laboriosas, colocado como topónimo da rua aberta nos terrenos da extinta Travessa da Horta da Cera, entre a Rua de São José e a Avenida da Liberdade, pelo Edital de 10 de janeiro de 1888.

Manuel de Jesus Coelho (Lisboa/13.03.1808 – 26.09.1885/Lisboa) foi um tipógrafo e combatente liberal ligado ao setembrismo que também se empenhou na fundação de diversas instituições operárias e populares. Foi  um dos fundadores da Associação das Classes Laboriosas, bem como do Asilo de Santa Catarina, em 1857, destinado aos órfãos das vítimas da febre amarela. Foi agraciado com a medalha humanitária da Câmara Municipal de Lisboa.

Já em 1831 Manuel de Jesus Coelho imprimia clandestinamente as notícias que chegavam da Terceira pelo que chegou a estar preso no Limoeiro até à entrada das tropas liberais em Lisboa. A partir de 1834 chefiou a tipografia da Crónica Constitucional, o jornal oficial, e mais tarde, dirigiu o jornal Nacional a convite de Passos Manuel, a que se seguiram O Patriota, O Português e  o Independência Nacional. Em 1847, durante a guerra civil da Patuleia, combateu como capitão nas acções de Estremoz e do Alto Viso, pelo que foi galardoado com a Torre e Espada. A partir de 1857 abandonou a imprensa para trabalhar na Alfândega de Lisboa, onde em 1880 chegou a 1º Oficial.

Freguesia de Santo António (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santo António
(Planta: Sérgio Dias)

O sindicalista António Janeiro na rua onde viveu

Freguesia de Belém (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

O sindicalista António Janeiro viveu com a sua família na Rua 9 no Bairro de Caselas e, cerca de 2 meses após o seu falecimento, recebeu essa artéria o seu nome, pelo Edital municipal de 05/08/1986, com a legenda «Sindicalista/1945 – 1986».

Rua António Janeiro cara

António Gonçalves Janeiro (Vale da Meda – Vila Nova de Ourém/12.12.1945 – 18.06.1986/Lisboa),  foi um dirigente da UGT que começou como delegado sindical em 1969, em plena primavera marcelista. A partir de 1978 tornou-se presidente da direção do SITESE (Sindicato dos Trabalhadores e Técnicos de Serviços) e exerceu essa função até 1986.

António Janeiro foi um grande impulsionador da criação de um centro de formação profissional por um sindicato – o Citeforma (Centro de Formação Profissional dos Trabalhadores de Escritório, Comércio, Serviços e Novas Tecnologias) – que foi instituído no ano seguinte à sua morte, em 1987.

Em 1978, António Janeiro  passou também a exercer o cargo de secretário-geral da FETESE (Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores de Serviços) e em outubro desse ano, na sequência do Movimento Carta Aberta, foi também co-fundador da UGT, organização onde integrou o Conselho Geral, assim como o 1º sindicalista português a ser eleito para um órgão internacional, como membro do comité executivo mundial de FIET (Federação Internacional dos Quadros e Técnicos).

Aderiu ao Partido Socialista  em 1974 e aí foi membro das Comissões Nacional e Política. Também pelo PS foi eleito deputado à Assembleia da República a partir de 1979 e  sucessivamente  reeleito pelo círculo eleitoral de Lisboa, até à sua morte. António Janeiro foi postumamente agraciado com a Ordem da Liberdade, em 10 de junho de 1990.

Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua do cinéfilo João Ortigão Ramos do ACP

Freguesia de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

João Ortigão Ramos, que foi presidente do Automóvel Clube de Portugal de 1928 até ao ano do seu falecimento (1971), deu ainda nesse mesmo ano o seu nome a uma artéria de Benfica- a Rua I e II à Estrada dos Arneiros, mesmo em frente da entrada principal do cemitério de Benfica-, através do Edital municipal de 25 de novembro de 1971.

João Ortigão Ramos em 26.07.1953 no Circuito de Monsanto (Foto: Claudino Madeira, Arquivo Municipal de Lisboa)

João Ortigão Ramos (de costas) em 26.07.1953 
(Foto: Claudino Madeira, Arquivo Municipal de Lisboa)

João António Ortigão Ramos (Lisboa/31.12.1897 – 13.06.1971/Lisboa) nasceu filho de António Ferreira Ramos – empresário de teatro e negociante no Brasil que foi proprietário desde 1917 do Teatro República que renomeou São Luiz – e de Berta Ramalho Ortigão, a filha mais nova do escritor Ramalho Ortigão, e ligou a sua vida à história dos automóveis e do cinema em Portugal, através do São Luiz Cine e da  Tobis Portuguesa, bem como sendo um ás do volante na década de trinta do séc. XX, sobretudo no Circuito do Campo Grande e na Volta a Portugal, tendo sido ainda Presidente do Automóvel Clube de Portugal de 1928 a 1971.

Tendo frequentado o 1º ano do Instituto Superior Técnico de Lisboa escolheu antes estudar em França organização e equipamento de um estúdio de cinema, passando a dirigir o São Luiz Cine (tornou o Teatro São Luiz num cinema em 7 de abril de 1928) que como tal se estreou com Metropolis de Fritz Lang e uma orquestra de quinze figuras, para além de ter sido o 1º cinema com equipamento para filmes sonoros, em 1930.  Ortigão Ramos também ajudou a erguer a Tobis de que foi membro do conselho de produção dos estúdios a partir de 1932, pelo que não se estranha que tenha sido produtor cinematográfico, nomeadamente do  primeiro filme sonoro totalmente produzido em Portugal, A Canção de Lisboa (1933) de Cottinelli Telmo. Participava também na tertúlia cinematográfica do seu São Luiz com António Lopes Ribeiro, Chianca de Garcia, Cottinelli Telmo, Domingos Mascarenhas, Félix Ribeiro, Leitão de Barros e o  Dr. Ricardo Jorge.

João Ortigão Ramos foi ainda Presidente da Assembleia Geral e da Direção do Grémio Nacional dos Cinemas, membro da Comissão Organizadora da Caixa de Previdência dos Profissionais de Espetáculos e Presidente da Assembleia Geral da União dos Grémios dos Espetáculos, em cuja qualidade integrou a Câmara Corporativa em representação das entidades patronais.

Na sua carreira político-administrativa foi Vogal da Junta Autónoma das Estradas, Vogal do Conselho Nacional de Turismo, Vereador da Câmara Municipal de Lisboa de 1951 a 1954 e deputado nas VII e VIII Legislaturas.

 

Freguesia de Benfica

Freguesia de Benfica

A Rua do sindicalista Manuel Lopes

Freguesia de Santa Clara (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Manuel Lopes, que liga a Rua Maria de Lourdes Pintasilgo à Rua Rogério de Moura, homenageia um fundador da Intersindical Nacional desde que o Edital de 07/05/2001 assim denominou a Rua X do Alto do Lumiar.

O mesmo edital municipal atribuiu na então freguesia da Charneca (hoje, de Santa Clara) um conjunto de 9 topónimos referentes a figuras que se destacaram na vida nacional após o 25 de Abril e faleceram no final da década de noventa do século XX, a saber: o Cardeal Patriarca D. António Ribeiro, o jornalista Victor Cunha Rego, os políticos Luís Sá, Melo Antunes, Octávio Pato, Tito de Morais e Vasco da Gama Fernandes, o autarca Nuno Kruz Abecasis e o sindicalista Manuel Lopes.

Rua Manuel Lopes foto

Manuel Correia Lopes (Coimbra/18.11.1943 – 15.01.1999/Lisboa), figura de referência do movimento sindical português e fundador da Intersindical Nacional, levou uma vida dedicada ao mundo do trabalho, desde o Sindicato dos Lanifícios de Lisboa até membro da Comissão Executiva da CGTP-IN, desde deputado na Assembleia da República no período de 1980/85 – deputado independente nas listas do PCP – até na Assembleia Municipal de Lisboa, a partir de 1990, em três mandatos consecutivos.

Começou a trabalhar aos 12 anos, como aprendiz na indústria têxtil, na empresa Manuel Lopes Henriques & Filho, Lda., em Lisboa. Iniciou a sua empenhada atividade de militante sindical em 1964, no Sindicato dos Lanifícios de Lisboa, de que foi presidente em 1970, altura a partir da qual dedicou a sua vida ao sindicalismo e à luta pela defesa dos direitos dos trabalhadores portugueses e nesse mesmo ano foi fundador da Intersindical Nacional. A partir do 2º Congresso da Intersindical passou a integrar sempre o secretariado e dois anos mais tarde, passou a pertencer à Comissão Executiva, altura a partir da qual Manuel Lopes foi sucessivamente eleito pelos Congressos da CGTP-IN para a Direção da Central Sindical , sendo da Comissão Executiva do Conselho Nacional e também responsável pelo departamento de informação e relações públicas  e pelo departamento de emprego e formação profissional à data do seu falecimento.

Em representação da CGTP-IN, Manuel Lopes desempenhou ainda vários cargos junto de organismos nacionais e internacionais que comprovaram as suas elevadas qualidades de sindicalista, nomeadamente, no Conselho Económico e Social assim como na Comissão Permanente de Concertação Social, no Instituto de Emprego e Formação Profissional desde 1989, no Observatório do Emprego e Formação Profissional, como membro do Comité Permanente do Emprego e do Comité Consultivo para a Formação Profissional, ambos da União Europeia, e ainda, nos conselhos de opinião da RTP e RDP bem como no Conselho Geral do INOFOR.

Foi também um dos oradores do 1º de Maio de 1974 e em julho do ano seguinte foi o primeiro português delegado à conferência da OIT- Organização Internacional do Trabalho, sendo ainda Manuel Lopes  o primeiro sindicalista a falar no direito à greve em televisão.

Refira-se ainda que durante vários anos Manuel Lopes foi o presidente da Mesa da Assembleia Geral da Voz do Operário e que o seu percurso incluiu ter  ingressado aos 15 anos na JOC-Juventude Operária Católica, organização de que foi dirigente entre 1960 e 1966, para mais tarde, militar no MDP/CDE onde foi membro da sua Comissão Política em 1969, assim como em 1973 foi um dos fundadores do MES- Movimento de Esquerda Socialista.

Freguesia de Santa Clara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias)

A Rua dedicada a Sebastião Saraiva Lima da Associação Comercial de Lisboa

Freguesia da Penha de França (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Foto: Sérgio Dias)

Sebastião Saraiva Lima, comerciante republicano com um papel importante no associativismo dos comerciantes lisboetas ficou perpetuado na Rua particular municipalizada a Manuel Joaquim Saraiva no Bairro do Poço dos Mouros e ao seu prolongamento no Bairro municipalizado a Joaquim Rodrigues Gadanho, pela deliberação da Comissão Executiva da CML de 31/10/1917 «como prova de gratidão pelos serviços prestados por este ilustre republicano», bem como pelo consequente Edital de 12/11/1917 que lhe fixou a legenda «Propagandista dos Princípios Associativos/1857 – 1893».

Sebastião Correia Saraiva Lima (Águeda-Mourisca do Vouga/28.12.1857 – 11.06.1893/Lisboa) era um comerciante republicano que foi  Presidente da Associação Comercial de Lisboa em 1888, para além de outros cargos dirigentes que nela exerceu noutros anos. A Associação Comercial de Lojistas de Lisboa foi fundada em 1 de janeiro de 1870 e mudou de nome algumas vezes depois: União de Grémios de Lojistas de Lisboa (1940), União das Associações de Comerciantes do Distrito de Lisboa (1975) e União de Associações do Comércio e Serviços (2001). Em 1890, Saraiva Lima foi um dos principais impulsionadores do boicote aos produtos britânicos com que o comércio de Lisboa participou no movimento nacional de protesto contra o Ultimato Inglês. Já o Diário Ilustrado de 31 de dezembro de 1897 noticiou uma sessão solene para inauguração do seu retrato na Associação de Lojistas de Lisboa na qual uma carta de Manuel Gomes Duarte sugeria que se pedisse à CML a atribuição do seu nome ao Largo da Abegoaria (Largo Rafael Bordalo Pinheiro desde 11/02/1915).

Saraiva Lima assumiu também por duas vezes as funções de vereador na Câmara Municipal de Lisboa. A primeira foi em 1890, graças aos votos do Partido Republicano Português no qual militava e também aos votos de inúmeros comerciantes que o admiravam e assim ficou na companhia dos vereadores republicanos Teófilo Braga e Elias Garcia. Esta vereação foi dissolvida mas após várias Comissões Administrativas, Sebastião Saraiva Lima foi novamente eleito para 1892 e 1893, junto com Leão de Oliveira, outro republicano.

 

Freguesia da Penha de França (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Penha de França
(Planta: Sérgio Dias)