A Rua António Albino Machado da Cooperativa de Habitação e do SAAL

Freguesias de Alvalade e, São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias de Alvalade e de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua António Albino Machado nasceu do pedido dos moradores do Bairro das Fonsecas/Calçada com o intuito de homenagear aquele que foi o fundador e 1º Presidente da Cooperativa de Habitações Económicas 25 de Abril (C.H.E. 25 de Abril). A autarquia lisboeta concordou e pelo Edital de 03/08/1984 fixou o topónimo na artéria identificada como Rua 6 do Novo Bairro das Fonsecas (ou Fonsecas/Calçada).

O Bairro das Fonsecas/Calçada foi construído como resultado do empenho das Cooperativas de Habitação 25 de Abril (Bairro das Fonsecas) e Unidade do Povo (Quinta da Calçada) e o SAAL (Serviço Ambulatório de Apoio Local). No bairro das Fonsecas foram construídos três blocos – A, B e C – com 82, 156 e 97 fogos.

Rua António Albino Machado face

António Albino Machado (S. Cipriano/1915 – 08.03.1984) foi o 1º Presidente da C.H.E. 25 de Abril e esteve na vanguarda da luta dos bairros pobres da cidade de Lisboa por melhor habitação.

António Albino Machado foi um homem dos sete instrumentos tendo sido pastor (dos 9 aos 13 anos), pintor e tropa (dos 15 aos 21) , até ter sido preso por causa da revolta anti-militarista. Nessa sua 1ª vez na prisão começou a escrever poesia e conheceu revolucionários. Em 1936 foi detido pela PIDE, em Bragança, acusado de ser comunista, o que lhe viria a acontecer mais 8 vezes. Depois, entre 1940 e 1960 trabalhou como pescador, caçador profissional, vendedor ambulante, bem como na extracção do minério e colaborou empenhadamente nas campanhas eleitorais de Norton de Matos e de Humberto Delgado. Chegou a Lisboa em 1960 e foi trabalhar como telefonista nos Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique, passando depois a vendedor ambulante e a escrever e vender versos alusivos a acontecimentos que tocavam de perto o povo.  E a 11 de maio de 1974 a população do Bairro das Fonsecas, um bairro de barracas clandestino, onde não havia água canalizada, eletricidade nem esgotos e cuja população era originária do norte do país, elegeu em plenário uma comissão de moradores onde António Albino Machado se incluía. Esta comissão de moradores fez a primeira manifestação a pé até Belém reivindicando uma habitação condigna e participou na 1ª Assembleia Popular formada na região de Lisboa, a Assembleia Popular da Pontinha, assim como colaborou para a formação da Intercomissão dos bairros de lata e bairros pobres da cidade.

António Albino Machado dedicou toda a sua vida, segundo as suas próprias palavras, à «construção da sociedade justa, que todos – operários, povo trabalhadores, camponeses, soldados e marinheiros e todos os outros explorados – temos que construir.» Num dos seus poemas reivindica o direito à habitação e à dignidade: «Mas a Luta continua, quer eles queiram, quer não; o trabalhador tem direito à sua habitação.»

Freguesias de Alvalade e de São Domingos de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias de Alvalade e de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

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