As duas entradas de Costa Goodolfim na toponímia de Lisboa

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Costa Goodolfim, autor de A associação: história de desenvolvimento das associações portuguesas, entrou por duas vezes na toponímia alfacinha, uma em 1926 e outra, que permaneceu até hoje, em 1933.

Costa Goodolfim entrou pela primeira vez na toponímia de Lisboa a partir de uma sugestão de 10 de maio de 1926 da Comissão de Melhoramentos do Bairro da Bélgica, para serem atribuídos nomes alusivos à Bélgica, seguindo o exemplo do que havia sido feito no Bairro de Inglaterra. O nome foi atribuído em planta à Rua H do Bairro da Bélgica com a legenda «Propagandista de Beneficência e Publicista/1844», mas esta artéria que começava no prolongamento da Avenida António Augusto Aguiar e findava na Estrada das Laranjeiras não chegou a ser executada enquanto tal.

Passados 7 anos, em 12 de janeiro de 1933, foi aprovada por unanimidade a proposta do Vogal da Câmara Carvalho Teixeira, para atribuir às ruas do Bairro Social do Arco do Cego os nomes de «prestigiosos mutualistas» sugerindo para Costa Goodolfim a Rua A, acompanhado de Bacelar e Silva na  Rua B, Ladislau Piçarra na Rua C,  Gomes da Silva na Rua D, Custódio Pacheco na Rua U,  Desidério Beça na Rua V, tendo assim sido consignado no Edital de 21 de janeiro de 1933 que trocou o nome de Custódio Pacheco por Braz Pacheco (trata-se de Custódio Brás Pacheco) e acrescentou Cardoso de Oliveira na Rua X.

Galeria Republicana, julho de 1882

Galeria Republicana, julho de 1882

José Cipriano da Costa Goodolfim (Lisboa/03.11.1842 ou 1844– 06.12.1910/Lisboa) , alfacinha nascido na freguesia de Marvila, foi um funcionário da Companhia do Gás desde 1860 que também se distinguiu como poeta, jornalista e sobretudo, como um dos principais impulsionadores das primeiras associações operárias existentes em Portugal, tendo mesmo redigido  os estatutos de A Voz do Operário e se tornou perito em questões de mutualismo e previdência.

Dedicado aos ideais do movimento associativo representou associações portuguesas em diversos congressos estrangeiros e em 1883 foi mesmo encarregado pela Câmara Municipal de Lisboa de organizar e dirigir as caixas económicas escolares o que o levou a publicar nesse ano As caixas económicas escolares. Aliás, nesta área do associativismo deixou vasta obra, sendo de realçar A associação: história de desenvolvimento das associações portuguesas (1872), As caixas económicas em Portugal (1883), A Previdência (1889), As Misericórdias (1897), «Assistance publique en Portugal» (1900), «O crédito» (1904), «Elogio de João José de Sousa Telles: lido na sessão solemne do Albergue dos Inválidos do Trabalho em 3 de Julho de 1904» (1904), «Congresso Nacional de Mutualidade: da acção da mutualidade na federação dos serviços pharmaceuticos: Liga das Associações: das pharmacias» (1910), «Da acção da mutualidade na economia social: organização das caixas económicas e do serviço de empréstimos sobre penhores apresentada no Congresso Nacional da Mutualidade» (1910).

Trabalhou toda a sua vida na Companhia do Gás e sobre a qual daria à luz Companhia Lisbonense de Illuminação a Gaz: traços geraes para a sua historia (1892). Em paralelo, colaborou em vários jornais como O Eco dos Operários, Portugal Litterario, Album Litterario,  Jornal de LisboaRevolução de Setembro e Diário de Notícias. Também publicou poesia: Primeiros versos e O sepulcro de Perrho: poemeto traduzido do verso sueco (ambos em 1865), O monumento a Camões e o caso sucedido na noite de 20 de Outubro – opúsculo em verso satírico com um prefácio sério (1867), Lendas árabes: Zahra, imitação em prosa: as duas sultanas, imitação em verso e Passado e presente, poesia cómica (ambos em 1869) ou ainda, Folhas secas (1907).

Costa Goodolfim aderiu ainda ao primeiro centro republicano, nascido da ideia dos que frequentavam a Nova Livraria Internacional na Rua do Arsenal nº 96, e que funcionou na Praça da Alegria, para além de ter sido sócio de inúmeras associações como a Academia Real das Ciências de Lisboa, a Sociedade de Geografia, a Sociedade Protectora dos Animais , a Associação dos Arqueólogos Portugueses, a Academia de Buenos Aires, a Associação dos Escritores e Artistas Espanhóis ou a Associação Humanitária Europeia de Londres.

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

 

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