A Rua do sindicalista Mário Castelhano, último coordenador da CGT

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

Mário Castelhano, que foi o último coordenador do secretariado da Confederação Geral do Trabalho e morreu em 1940 no Tarrafal, teve passados quase 39 anos, desde a publicação do Edital de 19/06/1979, uma artéria que o homenageia, na Freguesia das Avenidas Novas, no que era um troço da Avenida António Augusto de Aguiar entre as Ruas Dr. Álvaro de Castro e Cardeal Mercier, com a legenda «Sindicalista/1896 – 1940». A sugestão aceite pela edilidade partiu de Emídio Santana, outro sindicalista libertário.

Mário dos Santos Castelhano (Lisboa/31.05.1896 – 12.10.1940/Tarrafal-Cabo Verde) foi um operário ferroviário e militante prestigiado do movimento operário e sindical que desempenhou as funções de secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT) e de diretor do jornal diário A Batalha, órgão da confederação de sindicatos portugueses, a partir de 1926 e por isso o último antes da CGT ser ilegalizada e o jornal proibido no ano de 1927.

Mário Castelhano começou a trabalhar aos 14 anos começou a trabalhar na Companhia Portuguesa do Caminhos-de-Ferro e assim participou na greve de 1911 e esteve envolvido na organização das greves de 1918 e 1920, o que lhe custou o despedimento. Passou então a ocupar-se na escrituração do Sindicato de Ferroviários de Lisboa, da Federação Ferroviária e da Confederação Geral do Trabalho. Foi depois membro da comissão executiva da Federação Ferroviária, com o pelouro das relações internacionais e a responsabilidade de redator-principal do jornal A Federação Ferroviária. Dirigiu também os jornais O Ferroviário e O Rápido.

Mário Castelhano foi preso em outubro de 1927 e deportado para Angola, onde ficou dois anos. Em setembro de 1930, foi enviado para os Açores e em Abril de 1931, para a Madeira, participando na insurreição desta ilha contra o Governo mas após a derrota fugiu da ilha embarcando clandestinamente no porão do navio Niassa e, em 1933, estava de novo à frente do secretariado da CGT e do grupo que organiza o movimento revolucionário e grevista do 18 de janeiro de 1934, mostrando sempre o seu carácter íntegro, uma grande tolerância e ser um defensor acérrimo de ideias anarco-sindicalistas, razões pelas quais acumulou  o ter sido várias vezes preso e deportado, com a última a acontecer três dias antes do 18 de janeiro e acabando por falecer aos 44 anos, vítima de infecção intestinal contraída enquanto estava preso no campo de concentração do Tarrafal e para a qual lhe foi negada qualquer assistência médica.

Mário Castelhano publicou Os Meios de Transportes e a Transformação Social (1932), e postumamente, Quatro Anos de Deportação (1975) como volume 19 da Coleção Seara Nova. A 30 de Junho de 1980 foi galardoado como Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

 

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