A Rua Silva e Albuquerque e o associativismo dos tipógrafos

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

Silva e Albuquerque, tipógrafo, revisor, jornalista e promotor de associações ligadas às artes gráficas começou por ser topónimo na Mouraria no final do séc. XIX mas as alterações urbanísticas nesta zona na década de 40 do séc. XX levaram-no para Alvalade no ano de 1950.

Silva e Albuquerque já havia dado o seu nome a três artérias lisboetas – aos antigos Largo, Rua e Travessa dos Canos, nas traseiras da Rua da Palma -, pelo Edital da edilidade presidida por Rosa Araújo de 20 de agosto de 1885, mas estes arruamentos desapareceram com as demolições efectuadas na Mouraria na década de 40 do séc. XX para facilitar a circulação e estacionamento automóvel. E assim, voltou à toponímia alfacinha com a legenda «Jornalista/1829 – 1879», na Rua 13 A do Sítio de Alvalade, pelo Edital de 25 de janeiro de 1950. O mesmo Edital inscreveu mais 12 nomes de jornalistas e/ou escritores a preencher as artérias do segundo grupo de arruamentos do Bairro de Alvalade, a saber, Acácio de Paiva, Alberto Osório de Castro, D. Alberto Bramão, Eduardo de Noronha, Epifânio Dias, Guilherme de Faria, João Saraiva, José Duro, José d’Esaguy, Maria Amália Vaz de Carvalho, Marquesa de Alorna e Raul Brandão.

José Maria da Silva e Albuquerque (24.12.1829 – 15.04.1879) foi tipógrafo, revisor, jornalista e notabilizou-se particularmente pelo desenvolvimento que imprimiu ao movimento associativo na área das artes gráficas. Foi em grande parte obra dele o Grémio Popular de Lisboa, fundado em 1857 para promover a instrução primária de crianças e adultos de meios operários e que em 1939 se passou a designar Associação Popular de Instrução e Assistência Silva Albuquerque. Silva e Albuquerque também contribuiu para diversas outras associações como a mutualista Associação Tipográfica Lisbonense e Artes Correlativas (1852), a Fraternal Lisbonense, a Associação de Auxílios Mútuos e a Caixa Económica da Tipografia Universal.

Silva e Albuquerque que Norberto de Araújo considerou «um apóstolo da instrução primária gratuita», iniciou-se no mundo do trabalho como tipógrafo na oficina do «Grátis», passou  e ficou muitos anos na tipografia de Manuel António Ferreira Portugal até em 1867 entrar para o quadro da Imprensa Nacional. Foi também revisor do Diário de Notícias, onde mais tarde veio a ser jornalista, bem como no Português, no Jornal do Centro Popular dos Melhoramentos das Classes Laboriosas, no Operário, no Mocidade e no Diário do Comércio.

Refira-se ainda que a sua peça em 2 actos O Operário e a Associação subiu à cena no antigo Teatro da Rua dos Condes. Foi também galardoado pela Câmara Municipal de Lisboa com a medalha humanitária da febre amarela.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

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