A Rua Emídio Santana, o homem que atentou contra Salazar em 1937

Freguesia de Santa Clara (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Foto: Sérgio Dias)

A partir de uma deliberação camarária do dia seguinte à morte de Emídio Santana foi este sindicalista colocado na toponímia de Lisboa, pelo Edital de 09/12/1988, na Rua A à Quinta do Reguengo.

Rua Emidio Santana anos 80Emídio Santana (Lisboa/04.07.1906 – 16.10.1988/Lisboa) foi um sindicalista e libertário sobretudo célebre pelo atentado contra Salazar que ele e outros anarco-sindicalistas concretizaram no dia 4 de julho de 1937, na Avenida Barbosa du Bocage. Após este atentado contra Salazar, refugiou-se em Inglaterra mas a polícia inglesa deteve-o e entregou-o às autoridades portugueses e assim cumpriu 16 anos de prisão.

Emídio Santana começou a trabalhar aos 14 anos, como aprendiz de carpinteiro de moldes, ao mesmo tempo que estudava à noite na Escola Industrial Afonso Domingues e aderiu ao Sindicato da Metalurgia. Em 1924 aderiu às Juventudes Sindicalistas de que foi eleito secretário-geral em abril de 1926, bem como membro do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos, filiado na antiga CGT – Confederação Geral do Trabalho. A partir do golpe de estado de 26 de maio de 1926 Emídio Santana integrou o movimento de resistência à ditadura, particularmente, na actividade sindical clandestina o que lhe valeu ser preso em 1927, 1930 e 1933. Também neste contexto participou na organização da greve insurreccional de 18 de janeiro de 1934 e em 1936, representou a CGTP no Congresso da Confederación Nacional del Trabajo de Espanha.

Após o 25 de Abril de 1974, Emídio Santana reorganizou o movimento anarquista e a publicação do jornal anarco-sindicalista A Batalha. Publicou também O atentado à Salazar (1976), Carta de reflexão aos anarquistas : tomemos todos a nossa responsabilidade (1977), Memórias de um militante anarco-sindicalista (1987) e Onde o Homem Acaba e a Maldição Começa (1989).

Finalmente, refira-se que ele e João Freire sugeriram à autarquia lisboeta a atribuição dos nomes de Mário Castelhano, Alexandre Vieira e Confederação Geral do Trabalho a ruas de Lisboa, pedido que foi analisado na reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 28 de maio de 1979 e do qual resultou a atribuição da Rua Mário Castelhano em 19 de junho de 1979 já que a Rua Alexandre Vieira já existia desde o Edital municipal de 29 de janeiro de 1979.

Freguesia de Santa Clara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara
(Planta: Sérgio Dias)

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