O Largo Miguel José Mendes em homenagem à Voz do Operário

Freguesia de Carnide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Foto: Sérgio Dias)

Na sequência  de uma proposta da Assembleia Municipal de Lisboa por ocasião do 130º aniversário da Voz do Operário, foi o nome de um dos fundadores de A Voz do Operário, Miguel José Mendes, dado a um Largo de Carnide pelo Edital municipal de 11 de novembro de 1983, com a legenda «Mutualista/1835 – 1906».

Miguel José Mendes (1835 – 23 ou 24.02.1906/Lisboa) foi um livre-pensador e um dos elementos mais representativos do movimento mutualista que levou à fundação em 13 de fevereiro de 1883 da Sociedade Cooperativa A Voz do Operário e que enquanto seu dirigente pugnou para a tornar uma associação modelar no campo da assistência social, cultural e beneficente. Foi também o director do seu jornal Voz do Operário.

De acordo com a tradição, o operário tabaqueiro de Lisboa Custódio Gomes  indignado com a recusa dos jornais publicarem uma notícia sobre as condições de vida dos operários tabaqueiros, terá afirmado que «soubesse eu escrever que não estava com demoras. Já há muito que tínhamos um jornal. Bem ou mal, o que lá se disser é o que é verdade. Amanhã reúne a nossa Associação [Associação de Socorros Mútuos União Fraternal dos Operários dos Tabacos], e hei-de propor que se publique um periódico, que nos defenda a todos, e mesmo aos companheiros de outras classes». A proposta foi feita e aceite, nascendo assim o Voz do Operário,  a 11 de outubro de 1879, pelas mãos de um outro operário tabaqueiro, Custódio Brás Pacheco. As necessidades de manutenção económica do periódico levaram a que os operários procurassem formas de financiá-lo, o que os conduziu à fundação da Sociedade Cooperativa A Voz do Operário, em cujos estatutos se estabelecia como objeto da Sociedade «sustentar a publicação do periódico ‘A Voz do Operário’, órgão dos manipuladores de tabaco, desligado de qualquer partido ou grupo político», bem como «estudar o modo de resolver o grandioso problema do trabalho, procurando por todos os meios legais melhorar as condições deste» e «estabelecer escolas, gabinete de leitura, caixa económica e tudo quanto, em harmonia com a índole das sociedades desta natureza, e com as circunstâncias do cofre, possa concorrer para a instrução e bem estar da classe trabalhadora em geral e dos sócios em particular.» Os 316 sócios de então  contribuíam com uma quota semanal de vinte réis.V

Por solicitação dos associados, em julho de 1883 a Voz do Operário também passou a prestar assistência funerária, correspondendo a uma necessidade da classe que se via confrontada com o exorbitante preço dos funerais.

Freguesia de Carnide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Carnide
(Planta: Sérgio Dias)

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