A Rua Alexandre Ferreira próxima dos «Inválidos do Comércio»

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Seis anos após o seu falecimento, Alexandre Ferreira ficou perpetuado numa artéria próxima dos Inválidos do Comércio, instituição a que ele presidiu até ao ano do seu falecimento, a partir de propostas do vereadores António Maria Pereira e Eduardo Neves, ficando por  Edital de 28/12/1956 num troço da Estrada do Desvio, entre a Rua do Lumiar e a Estrada que conduz à Ameixoeira, com a legenda «Mutualista/1877 – 1950» acrescentada a partir de uma sugestão da Comissão Municipal de Toponímia de 4 de maio de 1957.

A Associação Inválidos do Comércio foi fundada em 1929, com Estatutos aprovados em 10 de Abril desse ano e Alexandre Ferreira foi o seu Presidente da Direção até falecer, no ano de 1950, para além de ter doado as suas propriedades no Lumiar para a construção da Casa de Repouso dos Inválidos do Comércio.

O Diário Ilustrado, 28.06. 1925

O Diário Ilustrado, 28.06. 1925

Alexandre Branco Ferreira (Porto/04.11.1877- 15.03.1950/Lisboa), filho de Caetano Branco Ferreira e Maria da Conceição, e republicano desde que assistiu ao 31 de Janeiro de 1891, foi um comerciante de artigos de fotografia e profissional de seguros que se radicou em Lisboa, na zona do Lumiar, a partir de 1904, e nesta cidade  foi vereador municipal em três executivos, entre 1917 e junho de 1926. Destacou-se no Pelouro da Instrução e da Assistência por ter criado os lactários, as consultas médicas para mães e crianças, bem como o fornecimento de roupa e calçado às famílias carenciadas, para além de ter fundado a Colónia Balnear da Cruz Quebrada e colónias de campo na Quinta de Santo Elói (na Paiã). Foi também o responsável pela transferência do Museu Rafael Bordalo Pinheiro para a administração municipal. Já em 1911 Alexandre Ferreira havia sido o responsável pela criação  da Universidade Livre – que funcionou durante 25 anos-  e e em 1922, no  âmbito da CML, organizou o Congresso Nacional de Educação Popular.

Alexandre Ferreira foi ainda  nomeado Secretário Geral da Comissão Nacional da Comemoração do 4º centenário do nascimento de Camões (1924), eleito deputado na legislatura de 1925 onde esteve até ao 28 de maio de 1926 e presidiu a diversas instituições de instrução, cultura, mutualismo e beneficência, como a Academia de Amadores de Música. Publicou  O Mutualismo na Evolução Social (1926), O Ensino Profissional da Mulher (1930), Necessidade de Orientar em Moldes Novos a Causa da Educação Física (1932) e a partir de 1930 revelou-se também como conferencista divulgador da obra de beneficência dos Inválidos do Comércio e da campanha contra o analfabetismo promovida pelo Diário de Notícias.

Refira-se ainda que Alexandre Ferreira foi pai do escritor José Gomes Ferreira – também presente na toponímia de Lisboa, em Campo de Ourique -, e morou na Rua de São Julião (1904), na Calçada do Monte Agudo nº 52 r/c – esqº (em 1906 e que hoje é a Rua Heliodoro Salgado) e na Rua Maria Andrade nº 3 r/c – esqº (1917 ), para além de ter trabalhado na área de fotografia da Drogaria Peninsular na Rua Augusta nº 39-41 e depois estabelecido a sua loja de fotografia no nº 55 da Rua Nova do Almada.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

 

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