A Rua Luís Pastor de Macedo, olisipógrafo da Comissão de Toponímia e Vice-presidente da CML

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

No ano seguinte ao seu falecimento foi o olisipógrafo e autarca Luís Pastor de Macedo integrado na toponímia de Lisboa, a pedido do próprio Presidente da CML de então, Engº Santos e Castro, através do Edital de 01/02/1972 que o colocou na Rua A do plano de Urbanização dos Terrenos da Tobis Portuguesa (excluindo o troço paralelo à Rua B) e também designada como Rua A à Alameda das Linhas de Torres, com a legenda «Olisipógrafo/1901 – 1971».

Em 1954 (Foto: Claudino Madeira, Arquivo Municipal)

Em 1954
(Foto: Claudino Madeira, Arquivo Municipal)

Luís Pastor de Macedo (Lisboa/23.02.1901 – 13.11.1971/Lisboa), nascido na antiga Freguesia da Madalena,  era comerciante proprietário de uma casa de panos na Rua dos Fanqueiros que foi também um dos fundadores e organizadores do Grupo «Amigos de Lisboa», tendo redigido os seus estatutos e nela desempenhado o cargo de Secretário-Geral. É assim que na 1ª Comissão Consultiva Municipal de Toponímia de Lisboa, e do país, em 1943, Pastor de Macedo é para ela nomeado, em representação do Grupo «Amigos de Lisboa». Introduziu nesta Comissão, juntamente com o Engº Vieira da Silva, o debate sobre as bases segundo as quais a Comissão se orientaria. E quando em 1947 foi substituído por Durval Pires de Lima nesta Comissão de Toponímia, por ter sido nomeado Presidente Substituto da CML, continuou a comparecer várias vezes às reuniões da Comissão, tendo mesmo sugerido vários nomes de ruas, nomeadamente que ao Sítio de Alvalade fossem atribuídos nomes de artistas, bem como, alterações ao estudo de Durval Pires de Lima sobre a Toponímia de Lisboa.

Na sua carreira política foi nomeado vogal da 2.ª Comissão Administrativa da CML em 1932, durante o período da ditadura militar- já que com o golpe militar de 26 de maio de 1926 foram criadas Comissões Administrativas com o objectivo de assegurar a actividade camarária-, quando era Presidente Adriano da Costa Macedo. No ano seguinte, quando Henrique Linhares de Lima foi nomeado presidente da Comissão Administrativa foi novamente escolhido como vogal porque era alguém com «um nome respeitável no comércio de Lisboa, autor de trabalhos muito interessantes sobre arqueologia.» , sendo-lhe atribuído o pelouro das edificações urbanas e exerceu este cargo até 1935, tendo sido responsável pela realização das festas da cidade em junho de 1934 e de 1935. Em 1945,  foi eleito deputado à Assembleia Nacional, mandato a que renunciou em 1947, quando em abril foi nomeado  Presidente Substituto da CML, cargo que como Vice-Presidente exerceu de 1949 até 1959, sendo responsável pela Comemoração do VIII Centenário da Tomada de Lisboa ao Mouros e pela edição municipal de obras de temática olisiponense, tal como fez no Grupo «Amigos de Lisboa». Foi ainda Comissário do Governo junto do Teatro Nacional de D. Maria I de 1943 a 1946.

Finalmente, Luís Pastor de Macedo foi também autor de várias obras sobre Lisboa e a sua história. Além da colaboração regular no boletim Olisipo, do Grupo «Amigos de Lisboa», contam-se entre as suas publicações O Terramoto de 1755 na Freguesia da Madalena (1929), A Igreja de Santa Maria Madalena de Lisboa (1930), A Rua das Pedras Negras (1931),  O Antigo Terreiro do Trigo (1932),  A Baixa Pombalina (1938), A Rua das Canastras (1939), os 5 volumes de Lisboa de Lés-a-Lés (1940-1943) e em colaboração com Gustavo de Matos Sequeira, A Nossa Lisboa (1945), bem como com Norberto de Araújo Casas da Câmara de Lisboa – do Século XII à Actualidade (1951).

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

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