O Largo Júlio de Castilho

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Júlio de Castilho que viveu e faleceu no Lumiar, no nº 11 da Travessa do Prior ( hoje nº 26 da Rua Pena Monteiro), teve o seu nome imortalizado no Largo contíguo – que era o Largo da Duquesa-, por Edital municipal de 2 de março de 1925, com a legenda «Erudito Escritor e Historiador/1840 – 1919», recordando a sua obra publicada sobre Lisboa: Lisboa antiga – Primeira parte: 0 Bairro Alto (1879), Lisboa antiga – Segunda parte: Bairros orientais em 8 tomos (1884 – 1890) e A Ribeira de Lisboa, descrição histórica da margem do Tejo desde a Madre de Deus até Santos o Velho (1893).

 Júlio de Castilho em data anterior a 1919 (Foto: José Leitão Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa)

Júlio de Castilho em data anterior a 1919
(Foto: José Artur Bárcia, Arquivo Municipal de Lisboa)

Júlio de Castilho (Lisboa/30.04.1840- 08.02.1919/Lisboa), 2.º visconde de Castilho por ser filho primogénito de António Feliciano de Castilho (também perpetuado em Lisboa na Rua Castilho), é considerado um percursor dos estudos olisiponenses, tendo mesmo conseguido uma importante coleção pessoal de documentos sobre o tema, hoje depositada na Biblioteca Nacional. Habilitado com o Curso Superior de Letras foi primeiro-oficial da Biblioteca Nacional de Lisboa, onde desenvolveu investigação na área da bibliografia e da biografia que se espelhou, bem como a sua faceta de poeta e dramaturgo, na obra que publicou e da qual salientamos  Primeiros versos (1867), os 3 volumes de Antonio Ferreira, poeta quinhentista, estudos biographico litterarios, seguidos de excerptos do mesmo autor (1875), o drama em 5 actos e em verso D. Ignez de Castro (1875) com uma monografia, Memórias de Castilho (1881), O archipelago dos Açôres (1886), D. António da Costa, quadro biographico litterario (1895), Elogio historico do arquitecto Joaquim Possidonio Narciso da Silva, proferido em sessão solemne da Real Associação dos Architectos e Archeologos portuguezes em 28 de Março de 1897 (1897), A mocidade de Gil Vicente, o poeta, quadros da vida portugueza nos séculos XV e XVI (1897), Amores de Vieira Lusitano (1901) e um Requerimento a sua magestade el-rei pedindo a abolição das touradas em Portugal (1876), apresentado em nome da Sociedade Protetora dos Animais.

Colaborou também com diversos órgãos de comunicação social como o Arquivo Pitoresco, o Diário Oficial do Rio de Janeiro, a Gazeta Literária do Porto, O Ocidente, a Revista Contemporânea de Portugal e Brasil e A semana de Lisboa. Em 1906 foi-lhe atribuída a tarefa de ser professor de História e de Literatura Portuguesa do Infante D. Luís e ainda desempenhou as funções de cônsul de Portugal em Zanzibar (1888).

Recorde-se também que Júlio de Castilho foi sócio  da Academia das Ciências de Lisboa, da Associação dos Arquitectos e Arqueólogos Portugueses, bem como sócio correspondente do Instituto de Coimbra, do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco,  do Instituto Vasco da Gama de Nova Goa e da Associação Literária Internacional de Paris. Foi ainda Governador Civil do distrito da Horta (1877 – 1878) o que lhe trouxe a distinção de sócio honorário do Grémio Literário Faialense e do Grémio Literário Artista da Horta.

Júlio de Castilho já tinha sido homenageado em Lisboa logo no ano do seu falecimento com a colocação de uma lápide na casa onde viveu por iniciativa de Miguel Trancoso, José Artur Bárcia e António César Mena Júnior, assim como com um busto seu de autoria de Costa Mota (tio), no Largo de Santa Luzia, e inaugurado no dia 25 de julho de 1929, ganhando o espaço ajardinado o nome de Jardim Júlio de Castilho.

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

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