A Rua dedicada ao Prof. Hernâni Cidade que nos campos de prisioneiros fazia conferências de literatura portuguesa

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Hernâni Cidade foi mobilizado em 1916 para o Corpo Expedicionário Português e na Batalha de La Lys, de 9 de abril de 1918, acabou feito prisioneiro pelas forças alemãs e nos cerca de nove meses em que esteve no campo dos oficiais prisioneiros organizou conferências de literatura portuguesa aos domingos.

Este militar da I Guerra que se tornou depois investigador e professor catedrático de literatura portuguesa foi colocado na toponímia do Bairro dos Professores, na Rua 11 da Zona de Telheiras, através do Edital municipal de 27/02/1978, com a legenda «Historiador da Literatura Portuguesa/1887 – 1975». Pelo mesmo edital foram também atribuídos em Telheiras mais 13 topónimos de professores universitários: Rua Prof. Bento de Jesus Caraça / Matemático 1901 – 1948; Rua Prof. Damião Peres / Historiador 1889 – 1976; Rua Prof. Delfim Santos / Filósofo e Pedagogista 1907 – 1966; Rua Prof. Fernando da Fonseca / Médico – 1895 – 1974; Rua Prof. Henrique Vilhena / Médico e Escritor 1879 – 1958; Rua Prof. João Barreira / Historiador de Arte – 1886 – 1961; Rua Prof. Luís Reis Santos / Historiador e Crítico de Arte – 1898 – 1967; Rua Prof. Mário Chicó/Historiador de Arte – 1905 – 1966; Rua Prof. Mark Athias / Médico 1875 – 1946; Rua Prof. Pulido Valente / Médico 1884 – 1963; Rua Prof. Queiroz Veloso/ Historiador 1860 – 1952; Rua Prof. Vieira de Almeida / Filósofo e Escritor 1888 – 1962; Rua Profª. Virgínia Rau / Historiadora 1907 – 1973.

Hernani Cidade

Hernâni Cidade (Redondo/07.02.1887 – 02.01.1975/Évora)  partiu de Lisboa integrado no Regimento de Infantaria nº 35, em 17 de abril de 1917, e foi Comandante de Pelotão na frente da batalha da Flandres e pela sua bravura recebeu a medalha da Cruz de Guerra. Debaixo de fogo foi à terra de ninguém buscar um soldado alemão ferido que lhe agradeceu com a oferta do seu cinturão e sabre e depois, quando em condições degradantes esteve prisioneiro organizou conferências literárias aos domingos, tendo sido a primeira «Camões, poeta europeu».

Antes, Hernâni Cidade viera para Lisboa para frequentar o Curso Superior de Letras, custeando os seus estudos como perfeito no Colégio Calipolense e explicador particular. Licenciado em Filologia Românica iniciou uma carreira de docente liceal como professor supranumerário do Liceu Passos Manuel e, a partir de 9 de Novembro de 1914, como professor efetivo no Liceu de Leiria onde ministrou as disciplinas de Língua e Literatura Portuguesa.

Depois da I Guerra, foi  professor universitário nas Faculdades de Letras do Porto (a partir de 1919, a convite de Leonardo Coimbra) e de Lisboa ( a partir de 1931), nas cadeiras de Língua e Literatura Francesa, Língua e Literatura Portuguesa, Gramática Comparada das Línguas Românicas, História da Literatura Italiana, Filologia Românica, Filologia Portuguesa e História da Literatura Portuguesa. Foi ainda secretário da última equipa diretiva da Faculdade de Letras do Porto (1930-1931) antes da sua extinção. Também participou em alguns movimentos de oposição ao regime até meados da década de 1930, tendo até dirigido com Joaquim de Carvalho e Mário de Azevedo Gomes o Diário Liberal, entre 1934 e 1935, mas viu-se obrigado a abandoná-los perante a ameaça de expulsão da Universidade de Lisboa.

Até à sua jubilação como Professor Catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa, em 1957, dedicou-se a uma extensa produção cultural e científica nos domínios da Literatura e da Cultura Portuguesa, ministrando cursos e participando em conferências em diversas universidades brasileiras, espanholas, francesas e inglesas e mostrou-se um ensaísta prolífero onde se destacam as suas Lições de Cultura e Literatura Portuguesas (1956), A expansão ultramarina e a literatura portuguesa (1943) ou Camões em Lisboa e Lisboa nos Lusíadas (1972).

Hernâni Cidade foi agraciado com a Comenda (1958), o Grande-Oficialato (1969)  e a Grã-Cruz (1973) da Ordem Militar de Santiago da Espada.

Refira-se finalmente que casado com Aida Tâmega desde  1 de julho de 1920, com ela foi pai de Helena Cidade Moura em 1924.

 

Freguesia do Lumiar (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Planta: Sérgio Dias)

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