Magalhães Lima na Avenida Central do Arco do Cego

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Magalhães Lima que pugnou pelo apoio claro aos Aliados na I Guerra e pelo envio de tropas para França, teve o seu nome perpetuado na cidade de Lisboa menos de quatro anos após o seu falecimento, com a Avenida Dr. Magalhães Lima na Avenida Central do Bairro Social do Arco do Cego, através do Edital municipal de 12 de março de 1932, a que a edilidade juntou no ano seguinte no mesmo Bairro, pelo Edital de 21 de janeiro de 1933, mais topónimos de outras figuras republicanas: Costa Goodolfim na Rua A, Bacelar e Silva na  Rua B, Ladislau Piçarra na Rua C,  Gomes da Silva na Rua D, Braz Pacheco na Rua U e Desidério Beça na Rua V.

O título de «Doutor» foi retirado do topónimo em 1948, por parecer  da Comissão de Toponímia emitido de 19/08/1948 e homologação em 13/12/1948 do Presidente da edilidade, Álvaro Salvação Barreto.

Galeria Republicana, outubro de 1882

Galeria Republicana, outubro de 1882

Sebastião de Magalhães Lima (Rio de Janeiro/30.05.1850 – 07.12.1928/Lisboa) pugnou para que o governo português tivesse uma política clara de apoio aos Aliados e enviasse tropas para França, tendo até realizado um conjunto de conferências em Itália e França sobre a Guerra e o envolvimento de Portugal, tendo partido de Lisboa a 8 de maio de 1916 e discursado na Sorbonne a 13 de junho. A Junta Patriótica de Arroios realizou até uma manifestação pública de reconhecimento pela campanha de Magalhães Lima em defesa da Guerra, em 5 de maio de 1917. Ainda em 1923, na cerimónia de colocação da primeira pedra do Monumento aos Mortos da Grande Guerra, na Avenida da Liberdade, Magalhães Lima foi orador.

Licenciado em Direito na Universidade de Coimbra (1875), Magalhães Lima ingressou nessa época na Maçonaria (1874), organização na qual veio a ser o grão-mestre a partir de 22 de março de 1907 sendo depois sucessivamente reeleito até à data da sua morte em 1928. Fixou-se em Lisboa e dedicou-se à defesa do ideal republicano, com uma participação importante em momentos cruciais da afirmação republicana, como na comissão executiva da imprensa do Centenário de Camões (1880) ou durante o Ultimatum (1890), como membro do Directório do Partido Republicano Português  e enquanto vereador eleito em 1886 pela lista republicana para a Câmara de Lisboa,  deputado às Constituintes de 1911 ou  enquanto Ministro da Instrução (de 17 de maio a 19 de junho de 1915) do governo de José Ribeiro de Castro instituído após a revolução de 14 de maio de 1915 que pôs termo à ditadura do general Pimenta de Castro.

No jornalismo, foi fundador do Distrito de Aveiro, Comércio de Portugal (1879) e de O Século (1881), assim como diretor dos jornais A Folha do Povo (1896-1898) e Vanguarda (1898-1911), para além de ter sido dirigente da Associação de Jornalistas e Homens de Letras de Lisboa, instituição que representou em congressos de jornalismo em Estocolmo, Paris, Lisboa, Roma e Viena. Da sua obra publicada destaque-se A Actualidade (1872), Padres e Reis (1873), o romance A Senhora Viscondessa (1875), o opúsculo A questão do Banco Nacional Ultramarino (1879 ou 80), Pela Pátria e pela República (1891), O Socialismo na Europa (1892), O Primeiro de Maio (1894), Da monarquia à república: história da implantação da república em Portugal (1910)  e os dois volumes de Episódios da Minha Vida.

Este tribuno republicano que foi o primeiro presidente da Liga Portuguesa dos Direitos do Homem, em 1922, na sua última mensagem como Grão-Mestre, em 1928, condenou a opressão do regime ditatorial imposto a Portugal desde 1926 contrapondo «Pátria» e «Liberdade» como sinónimos e nesse mesmo ano o seu funeral reuniu dezenas de milhar de pessoas.

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

 

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3 thoughts on “Magalhães Lima na Avenida Central do Arco do Cego

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