A Avenida Afonso Costa do Parque Eduardo VII para o Areeiro

 

Freguesia do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

Afonso Costa que foi um dos Primeiros Ministros da I República e nessa qualidade acompanhou o Presidente da República, Bernardino Machado, em 1917, na visita às tropas portuguesas em França, ficou desde 1976 fixado numa Avenida lisboeta, embora no decorrer desse ano tenha passado do topo do Parque Eduardo VII para o Areeiro.

A Comissão Consultiva Municipal de Toponímia, na sua reunião de 29 de junho de 1976, sugeriu  que Avenida Afonso Costa fosse o topónimo para o arruamento situado a Norte do Parque Eduardo VII, entre a Avenida Sidónio Pais e a Rua Castilho, artéria que hoje conhecemos por Alameda Cardeal Cerejeira (Edital municipal de 14/04/1982). No entanto, duas reuniões depois, em 30 de dezembro de 1976 passou o topónimo para «o arruamento que, partindo da Praça do Areeiro segue para Nascente e é vulgarmente designada por prolongamento da Avenida João XXI», com a legenda «Professor e estadista/1871 – 1937» e assim ficou registado pelo edital municipal desse mesmo dia. No ano seguinte, no dia 6 de março, o próprio Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Aquilino Ribeiro Machado, procedeu à inauguração desta Avenida que nos dias de hoje faz a ligação da Praça Francisco Sá Carneiro à Rotunda das Olaias.

Atlântida, 15.09.1916

Atlântida, 15.09.1916

Afonso Costa  foi Presidente do Ministério (hoje diríamos Primeiro Ministro) desde 1913 e assim continuava em 1917, tendo visitado as tropas do Corpo Expedicionário Português em França, de 8 a 25 de outubro, com o Presidente da República Bernardino Machado, quando Portugal tinha mais de 100 mil homens a combater  na I Guerra Mundial, sendo que cerca de metade defendiam as fronteiras de Angola e Moçambique desde  o verão de 1914, enquanto os outros 50 mil portugueses combatiam na Flandres.  Em dezembro de 1917, foi destituído como a tomada do poder por Sidónio Pais, mas em 28 de junho de 1919 chefiou a delegação portuguesa à Conferência de Paz e assinou em representação de Portugal o Tratado de Versalhes e recebeu a 10 de Julho a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada.

Afonso Augusto da Costa (Seia/06.03.1871 – 11.05.1937/Paris) licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra e  doutorado com a tese «A Igreja e a Questão Social» (1895), foi um advogado de prestígio e um dos juristas mais respeitados do seu tempo devido ao rigor da argumentação e a fundamentação das suas teses. Desenvolveu também uma carreira académica como professor na Universidade de Coimbra (de Economia Política e Organização Judiciária), na Escola Politécnica de Lisboa, na Faculdade de Direito de Lisboa – que fundou em 1913 e de que foi o primeiro diretor – e ainda, no Instituto Superior de Comércio (1915).

A sua participação política começara antes da proclamação da República, no Partido Republicano, tendo em 1890 publicado com António José de Almeida o jornal anti-monárquico Ultimatum e  participado na organização das revoltas de 31 de janeiro de 1891 e de 28 de janeiro de 1908 (em que foi preso). Distinguiu-se pelo ímpeto dos seus discursos contra o regime monárquico e como deputado pelo Partido Republicano (1899, 1906-1907, 1908 e 1910). Após a implantação da República  foi também deputado (de 1911 a 1926) e assumiu funções governativas como Ministro da Justiça (1910 e 1911), Ministro das Finanças (1913-1914 e 1915-1917) e Presidente do Ministério (1913-1914, 1915-1916 e 1917). Refira-se ainda que para além do contributo que deu à Constituição Republicana (1911), devem-se-lhe as iniciativas políticas que conduziram à elaboração de leis, como a Lei da Família, a Lei do Registo Civil, a Lei do Divórcio, a Lei da Separação do Estado e das Igrejas (1911), a Lei do Inquilinato, a Lei da Reorganização Judiciária, a Lei da Reforma Monetária ou a Lei da Expulsão das Ordens Religiosas. Foi afastado pelo golpe de Sidónio Pais mas depois dele, Afonso Costa foi nomeado presidente da delegação portuguesa na Conferência de Paz de Versalhes e mais tarde, presidente da delegação portuguesa junto da Sociedade das Nações, cargo de que foi demitido logo após o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926. Exilado em Paris, fundou em fevereiro de 1927,  a Liga da Defesa da República com Álvaro de Castro, António Sérgio , Jaime Cortesão e José Domingues dos Santos. Foi agraciado postumamente com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (1980).

 

Freguesia de São Domingos de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

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