O Largo que perpetua o militar e escritor Carlos, Selvagem por alcunha e pseudónimo

Freguesia de São Domingos de Benfica (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Foto: Sérgio Dias)

O escritor Carlos Selvagem, formado em Cavalaria e participante em Moçambique na frente africana da I Guerra Mundial, de cuja experiência publicará Tropa de África (1919), foi perpetuado cerca de dois meses após a sua morte  no impasse projectado à Rua Prof. Reinaldo dos Santos feito Largo lisboeta, através do Edital municipal de 28/08/1973 e com a legenda «Escritor/1890 – 1973».

Alma Nova, novembro de 1925

Alma Nova, novembro de 1925

Carlos Tavares de Andrade Afonso dos Santos (Lisboa/13.08.1890 – 04.06.1973/Lisboa), que na frequência do Colégio Militar (1901-1907) ganhou a alcunha de «Selvagem» que escolheu como pseudónimo, foi um militar de carreira, da arma de Cavalaria, que se reformou com o posto de coronel em 1947, tendo participado no Niassa e no norte de Moçambique na frente africana da I Guerra Mundial. Desempenhou também os cargos de governador do distrito de Inhambane (1931-34) e da província da Huíla (1934-35) bem como de comandante militar de Cabo Verde. Em 1963 publicou também A batalha de La Lys e o marechal Gomes da Costa.

Carlos Selvagem foi ainda jornalista e escritor – ficcionista e dramaturgo – e o 4º presidente da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses no período de 1968 até ao seu falecimento em 1973. A pedido do Ministro do Interior, fundou em 1927 o jornal O Imparcial, com Henrique Galvão, com quem aliás também deu corpo aos 4 volumes de Império ultramarino português : monografia do império, publicado entre 1950 e 1953 pela Empresa Nacional de Publicidade, para além da ligação de ambos ainda ter resultado na defesa de Carlos Selvagem por Henrique Galvão após a tentativa de golpe da Junta de Libertação Nacional comandada pelo Almirante Mendes Cabeçadas, de 10 de abril de 1947, também conhecida por Abrilada e de a inspiração do nome Operação Dulcineia para o assalto ao paquete Santa Maria ser a peça Dulcinéa ou a última aventura de D. Quixote (1943) de Carlos Selvagem.

No teatro, Carlos Selvagem estreou-se com o drama rural Entre Giestas (1915) e a comédia dramática Ninho de águias (1920) tendo recebido ainda o Prémio Gil Vicente pelas suas peças Telmo, o Aventureiro (1937) e Encruzilhada (1941). Saliente-se ainda o seu Portugal Militar editado em 1931,  escolhido em concurso público para compêndio a utilizar nas escolas militares, os contos infantis Picapau – Bonecos Falantes, e em conjunto com Hernâni Cidade, para além de Cultura Portuguesa (1967) terem publicado diversas obras historiográficas nos anos 60 e 70 do século XX,  época durante a qual também discursou em diversos eventos da Câmara Municipal de Lisboa, como em 1963 no descerramento da lápide de homenagem a Gustavo Matos Sequeira na casa onde ele nasceu e faleceu.

Freguesia de São Domingos de Benfica (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de São Domingos de Benfica
(Planta: Sérgio Dias)

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