A rua do jornalista Esculápio dos Petisquinhos de Lisboa

O Palco -Revista Teatral,20.01.1912

O Palco -Revista Teatral, º 2, 20.01.1912, caricatura de Esculápio por Silva e Souza

Eduardo Fernandes, Esculápio por alcunha feita pseudónimo, foi um jornalista dos séculos XIX e XX que em 1941 fez uma comunicação sobre Os Petisquinhos de Lisboa e que no ano do centenário do seu nascimento, a pedido de um dos seus cinco filhos, também Eduardo Fernandes de nome,  passou a denominar o troço sul da  Rua F do Bairro Social do Arco do Cego através do Edital municipal de 31/03/1970.

O mesmo Edital consagrou também no Bairro Social do Arco do Cego o jornalista José Sarmento (no troço norte da Rua F) e o artista plástico Stuart Carvalhais (na antiga Rua E) que também colaborou em inúmeros jornais e revistas.

Freguesia do Areeiro - Placa Tipo II

Freguesia do Areeiro – Placa Tipo II

Esculápio – sem acento na grafia original – era o pseudónimo de Eduardo Fernandes (Lisboa/25.08.1870 – 08.11.1945/Lisboa), nascido na Travessa da Laranjeira, na Bica, que frequentou o curso de Medicina e aí ganhou a alcunha que passou a usar como pseudónimo, embora metade da Lisboa que o lia nos jornais lhe trocasse o nome por Schwalbach, Chicolate, Escolar, Escolástico, Colaço, Schiapa, Esculapame, Escupálio.

Eduardo Fernandes, o Esculápio era uma estrela em ascensão no jornalismo do início do século XX, popular pelas suas notícias sobre crimes. Fundou e dirigiu A Pátria, O Pimpão (1925 – 1933), colaborou na Vanguarda, no António Maria, no  A Paródia,  em A Chacota, na revista semanal O Branco e o Negro,  na reedição de 1905 de Os Ridículos com Caracoles, para além de ter trabalhado mais de 40 anos n’ O Século com uma interrupção em que integrou a equipa fundadora do O Diário (07.09.1902 – 1906), jornal que ostentava no cabeçalho «Fundado pelos antigos redactores de O Século».

Conhecido pelo seu interesse na gastronomia proferiu em 20 de fevereiro de 1941, na sede do Grupo «Amigos de Lisboa», uma palestra intitulada  Os petiscos de Lisboa e o Carnaval na qual focou os pregos no pão, as galegas iscas com elas, as bifanas ou os bifes entalados, que foi publicada em 3 números da revista Olisipo dos «Amigos de Lisboa» (em 1941 e 1942) e em 1995, reeditada sob o título Os Petisquinhos de Lisboa.

Eduardo Fernandes foi também um dramaturgo que se estreou em 1892  com Sarilho, que escreveu diversas revistas e traduziu mais ou menos livremente inúmeras peças estrangeiras, tendo tido muito êxito com a peça de costumes populares José João (1896) e com a comédia 00020 milhafres, uma paródia à peça americana 20:000 dolars, tendo a determinada altura acumulado a função de empresário teatral. Destaque-se ainda que publicou a comédia O Vizinho de Cima (sem data), a opereta O Poeta Bocage (1902) com música de Filipe Duarte ou As Preciosas Ridículas (1910).

Entre inúmeras outras obras, editou também as suas Memórias – Das Mãos da Parteira ao ano da República (1940), dirigiu a publicação  de O Gabinete dos Repórteres: Politica Independente, Literatura e Serviço Especial de Noticiário (entre 1894-1899) e a edição Galeria de Criminosos Célebres em Portugal. História da Criminologia Contemporânea. Sob o Ponto de Vista Descritivo e Cientifico (1896), bem como O Caso do Boneco (1899), Dois anos de troça – Gazetilhas publicadas em O Século (1900), O Grande e Horrível Crime (1904), Pim pam pum : álbum de celebridades nacionais (1906), Frei Tomás ou o Mistério da Rua Saraiva de Carvalho (1925), e ainda  foi o redator principal de A Imprensa da Manhã (1923),  A Imprensa da Noite (1923),  A Imprensa Livre (1923) e A Imprensa de Lisboa (1923).

A letra do Fado Mercedes Serós e as rimas da Ginjinha do Largo de São Domingos, a primeira de Lisboa, são também deste Esculápio de fisionomia única, no seu 1,80 m e chapéu largo de feltro preto.

Freguesia do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

 

 

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