A Rua Luís de Sttau Monteiro d’ «A Melga no Prato»

Freguesia de Marvila (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Foto: Sérgio Dias)

O escritor Luís de Sttau Monteiro, assinou crónicas gastronómicas sob os pseudónimos de Inspector Gourmet e  Manuel Pedrosa, e o seu nome faz o topónimo de uma rua de Marvila desde a publicação do Edital municipal de 26/12/2001, ligando a Rua António Gedeão à Rua João José Cochofel, com a legenda «Escritor 1926 – 1993».

Entre 1969 e 1975, sob o pseudónimo de Manuel Pedroso ou Pedrosa, Sttau Monteiro assinou crónicas gastronómicas no suplemento semanal A Mosca, do Diário de Lisboa, mesmo se com frequência eram mais um exercício literário do que uma verdadeira e rigorosa crítica de restaurantes. Já desde 1959 e até 1961, na revista mensal Almanaque, o escritor havia redigido crónicas sobre a mesma temática, desta feita sob o pseudónimo de Inspector Gourmet, podendo assim ser considerado um pioneiro neste tema. Luís de Sttau Monteiro ainda teve uma coluna sobre gastronomia em O Jornal, a partir de 1975, retomando o pseudónimo Manuel Pedrosa.

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Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro (Lisboa/03.04.1926 – 23.07.1993/Lisboa), filho do embaixador Armindo Monteiro que foi demitido por Salazar em 1943, é um dramaturgo incontornável do século XX português cujo carisma literário também se impôs no romance, na crónica e no jornalismo. Sttau escritor ergue uma obra literária em que critica, de uma forma impressiva e satírica, as contradições sociais e históricas da sociedade portuguesa das décadas de sessenta e setenta do século XX, com os romances Um Homem não Chora (1960), Angústia para o Jantar (1961), E se For Rapariga Chama-se Custódia, e o inédito Agarra o Verão, Guida, Agarra o Verão, a partir do qual foi produzida a telenovela Chuva na Areia, mais 9 peças: Felizmente há Luar! (de 1961 e Grande Prémio de Teatro da então Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses), Todos os Anos pela Primavera (1963), O Barão (adaptação da novela homónima de Branquinho da Fonseca em 1965), Auto da Barca do Motor Fora de Borda (1966), todas as quatro com representação proibida pela Censura; as peças satíricas A Guerra Santa e A Estátua que levaram a PIDE a prender o autor em 1967; e ainda As Mãos de Abraão Zacut (1968), Sua Excelência (1971) e Crónica Aventurosa do Esperançoso Fagundes (1978), concebida propositadamente para o Grupo 4 (Teatro Aberto).

Luís de Sttau Monteiro colaborou com inúmeros jornais sendo de destacar no Diário de Lisboa, a sua coordenação do suplemento dos sábados A Mosca, ou a sua coluna de crítica intitulada «Redacções da Guidinha», onde numa linguagem deliberadamente infantil e sem pontuação escrevia redações como uma miúda lisboeta de classe média-baixa  sobre a sua vida quotidiana embora versassem mesmo sobre o estado da nação e que foram publicadas em livro em 2002.

Viveu em Londres e em Lisboa, na Rua Coelho da Rocha nº 105.

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias)

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