A produção de azeite na toponímia de Lisboa

Rua da Oliveirinha - Freguesia de São Vicente - Placa Tipo I (Foto: Lena Aguiar )Santa Marinha

Rua da Oliveirinha – Freguesia de São Vicente – Placa Tipo I
(Foto: Lena Aguiar )

A produção de azeite gerou múltiplos topónimos na cidade de Lisboa, deixando transparecer as memórias rurais no tecido urbano que foi crescendo ao longo dos séculos.

Desde logo, referimos a Rua Alexandre Herculano atribuída por deliberação da Câmara de Lisboa de 06/05/1882, para homenagear o escritor, historiador, responsável pela Real Biblioteca da Ajuda e Presidente da Câmara Municipal de Belém (em 1852) que no final da vida se tornou agricultor na Quinta de Vale de Lobos, sendo também produtor de azeite já que 21 dos seus 40 hectares de terra eram olival. O Azeite Herculano ganhou mesmo uma medalha de cobre (1867) na Exposição Universal de Paris a que somou já medalhas de ouro e prata em 1873, para três anos mais tarde vender os direitos de comercialização à Jerónimo Martins.

@ Azeite_Herculano

Se passarmos aos lagares temos na zona mais antiga da cidade, na Freguesia de Santa Maria Maior, a Rua dos Lagares e a Travessa dos Lagares (Edital de 12/11/1897)  e, a norte, na Freguesia de Alvalade, a Rua dos Lagares D’El-Rei, oficializada por Edital de 20/10/1955, a guardar a memória da Quinta dos Lagares d’El Rei, propriedade de D. João I, que a doou  a Afonso Pires da Charneca em 1384, como recompensa pelos seus feitos contra os castelhanos, com uma área de 40 hectares entre a Estrada de Sacavém, a nascente, a Estrada da Charneca, a poente, a Azinhaga da Feiteira, a norte, e Arroios a sul.

Com o topónimo Olival subsistem ainda nos dias de hoje um Beco e uma Rua do Olival, mais uma Travessa do Olival a Santos (Edital do Governo Civil de Lisboa de 07/11/1874), todos na Freguesia da Estrela. Na Freguesia  do Beato encontramos uma Calçada, um Largo e uma Travessa do Olival ao Beato. E ainda encontramos uma Travessa do Olival à Graça na Freguesia de São Vicente e um Cais do Olival (Edital de 16/09/2009) no Parque das Nações.

Na Freguesia que tem Olivais como topónimo, regista-se a Calçadinha dos Olivais e o que foi o Rossio dos Olivais, tornado Praça Viscondessa dos Olivais, desde a publicação do Edital municipal de 22/07/1892. Mas na vizinha Freguesia do Parque das Nações temos um novo Rossio dos Olivais, oficializado pela edilidade lisboeta em 16/09/2009.

Com Oliveiras como topónimo temos uma Rotunda das Oliveiras no Parque das Nações (Edital municipal de  06/05/2015). No singular, deparamos com o Beco da Oliveira e a Rua da Oliveira ao Carmo (ambas geradas pelo Edital do Governo Civil de 01/09/1859),  e as Escadinhas da Oliveira (Edital municipal de 29/09/1920), todas na Freguesia de Santa Maria Maior, a que acresce a Rua da Oliveira de São Lázaro (Arroios) e a Travessa da Oliveira à Estrela (Estrela). E com diminutivo registamos o Largo da Oliveirinha, repartido pelas Freguesias de Santo António e da Misericórdia, mais a Rua da Oliveirinha na Freguesia de São Vicente.

Beco do Olival - Freguesia da Estrela (Foto: Sérgio Dias)

Beco do Olival – Freguesia da Estrela
(Foto: Sérgio Dias)

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One thought on “A produção de azeite na toponímia de Lisboa

  1. Pingback: Alterações de topónimos tradicionais rejeitadas: Largo do Pote de Água, Largo da Graça e Praça do Comércio | Toponímia de Lisboa

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