A Rua do pintor real Marciano Henriques da Silva, no Bairro do Rego

Freguesia das Avenidas Novas (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Foto: Sérgio Dias)

O pintor Marciano Henriques da Silva contribuiu para o Cozinheiro dos Cozinheiros (1870) de Paulo Plantier com uma receita de Innochi e está desde 2009 perpetuado numa artéria do Bairro do Rego com a legenda «Pintor/1831 – 1873», aliás um bairro cuja toponímia alberga muitos pintores.

Esta artéria que liga a Rua Sousa Lopes à Rua Jorge Afonso – topónimos que também homenageiam a pintores -, era a Alameda da Estação (PER do Rego) e pelo Edital municipal de 16/09/2009 passou a denominar-se Rua Marciano Henriques da Silva. Nas imediações encontramos ainda a Rua Francisco Tomás da Costa e a Rua Carlos Reis, referentes ainda a pintores.

Marciano Henriques da Silva (Ponta Delgada- Fajã de Baixo/07.06.1831 – 03.04.1873/Lisboa) foi o pintor que o rei D. Luís escolheu para pintor da Casa Real e diretor da Galeria de Pintura do Palácio Real da Ajuda, no período de 1865 a 1873. Discípulo de Charles Martin, também cursou a Academia de Belas Artes de Lisboa a partir de 1849 e foi professor de Pintura Histórica desta Academia lisboeta, a que acrescentou estudos em Paris, Londres e Roma, tendo desenvolvido uma pintura romântica de retratista e temas do passado nacional onde sobressaem os quadros O Cardeal D. Henrique recebendo a notícia da morte de D. Sebastião em África, Os últimos dias de Tasso, Recordações de Polombara, Cristo e a adúltera, Retrato de um negro ou Retrato de Celina, a artista com quem casou em 1856.

Parte substancial da sua obra está no Palácio Nacional da Ajuda mas também está representado no açoriano Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

Por último, deixamos a receita de Innochi de Marciano Henriques da Silva:

«Tomem-se 3 quilogramas de batatas, muito bem cozidas, tire-se-lhes a pele e amasse-se tudo bem. Junte-se-lhes 125 gramas de manteiga, 3 gemas de ovos; torne-se a amassar com uma pouca de farinha para ligar, deite-se-lhe sal e pimenta, e depois de bem amassado façam-se rolos pequenos. Tenha-se um tacho meio de água, e logo que esta esteja a ferver deitem-se-lhe os rolos; assim que tornar a levantar fervura, os rolos vêm a cima e tiram-se para fora com uma escumadeira. Deve haver todo o cuidado em não deixar ferver de mais, porque então a batata fica em papas.

Substância – Tenha-se 125 gramas de carne escolhida, um pouco de toucinho bom e corte-se tudo aos bocados pequenos. Pica-se o toucinho, juntado-lhe 2 cebolas pequenas ou uma grande, até que fiquem numa massa; junte-se-lhe salsa bem picada, meta-se tudo num tacho, e quando começar a derreter deite-se-lhe a carne picada; cubra-se para ir puxando, e quando chegar a um certo grau deite-se-lhe o sumo de 2 tomates e deixe-se estar até adquirir bom gosto.

Molho – Batam-se 2 gemas de ovos e vá-se-lhe deitando pouco queijo parmesão ralado, coisa de uma colher de sopa; quando estiver tudo bem batido deite-se-lhe de espaço a espaço a substância já feita, mexendo sempre para dissolver bem.

Tenham-se os rolos numa travessa e deite-se em cada camada um pouco de queijo parmesão e o molho. Repita-se isto camada por camada e se sobejar molho deite-se-lhe por cima.»

 

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