O Beco e a Travessa da Ferrugenta

A Travessa da Ferrugenta - Freguesia da Ajuda (Foto: Sérgio Dias)

A Travessa da Ferrugenta – Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias)

Na Ajuda, um Beco e uma Travessa colocam uma mulher, Ferrugenta de alcunha, na toponímia desta Freguesia.

A Travessa foi herdada do Concelho de Belém após a sua extinção, em 18 de junho de 1885, e que a Câmara Municipal de Lisboa oficializou 31 anos depois, pelo Edital de 26/09/1916, embora num documento municipal de 10/11/1897 sobre a canalização de esgoto na zona da Ajuda já apareça mencionada como Travessa da Ferrugenta. O Beco pode ter surgido depois e assimilado a mesma denominação por proximidade.

De acordo com Teresa Sancha Pereira, na sua comunicação «A Toponímia durante a I República» apresentada nas II Jornadas de Toponímia de Lisboa, a Ferrugenta era uma antiga moradora do local, Leonor Maria, padeira de Sua Majestade, que assim ficou conhecida por ter enviuvado de um homem cujo apelido era Ferrugento. A proximidade destas artérias à Real Barraca de 1755, ao Paço velho (onde em 1777 faleceu D. José I) e depois Palácio da Ajuda (a partir do plano de 1802) também parece ajudar a revelar porque foram aqui fixados estes topónimos.

Se analisarmos os registos paroquiais da Ajuda encontramos três Leonor Maria no final do séc. XVIII : uma que casou em 1798 com João Simões (Livro: 12-C, Folha: 46), outra que casou em 1798 com José Rodrigues (Livro: 12-C, Folha: 68) e uma terceira que em 1799 casou com Joaquim António da Silva (Livro: 12-C, Folha: 96).

Certo é que o topónimo existia como Travessa da Ferrugenta em 1832 já que o jornal  Gazeta de Lisboa de 28 de abril desse ano, publicitou uma arrematação de propriedades da artéria que faz quina para a travessa da Ferrugenta , nº 24 a 27.

Contudo, Appio Sottomayor no seu artigo «Toponímia de Lisboa, essa nossa familiar», publicado na revista Aldraba de 29 de novembro de 2014, defende antes que «Assim, existiu há muito na Ajuda uma loja de ferro-velho. O povo chamava-lhe o ferrugento. Como o proprietário morresse e ficasse a viúva a gerir, a Ferrugenta ganhou foros de personalidade e ainda hoje lá existem a travessa e o beco da Ferrugenta.» E nos registos paroquiais da Ajuda encontramos um Joaquim de Abreu Ferrugento que em 7 de março de 1812 casou com D. Maria Rita (Livro: 13-C, Folha: 344).

Fica-nos a pergunta : seria a Ferrugenta uma padeira ou a herdeira de uma loja de ferro-velho?…

Freguesia da Ajuda (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Ajuda
(Planta: Sérgio Dias)

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3 thoughts on “O Beco e a Travessa da Ferrugenta

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