A Avenida da República e Miguel Ventura Terra

O Palacete Valmor na Avenida da República, cerca de 1906 (Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Palacete Valmor na Avenida da República, cerca de 1906
(Foto: Paulo Guedes, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Avenida República apresenta duas obras delineadas por Miguel Ventura Terra: o Palacete Valmor, que foi Prémio Valmor de 1906, repartindo o seu espaço em gaveto entre o nº 38 da Avenida da República (então Avenida Ressano Garcia) e o  nº 22  da Avenida Visconde Valmor (então Rua Visconde Valmor), como as placas toponímicas da fotografia de época que encima este artigo documentam; e no nº 46, um prédio de habitação (hoje,  hotel) traçado em 1906 .

Acresce que a Avenida da República se inicia na Praça Duque de Saldanha e o seu central monumento ao Marechal Saldanha, do escultor Tomás Costa, inaugurado em 1900, tem o pedestal da autoria de Miguel Ventura Terra.

A artéria que hoje conhecemos como Avenida da República começou por ser a Avenida das Picoas,  por referência à Quinta das Picoas que existia neste local, mas por edital de 03/05/1897 passou a denominar-se Avenida Ressano Garcia. E para homenagear a implantação da República em Portugal o Edital municipal de 5 de novembro de 1910 tornou-a Avenida da República.

Aguarela de Roque Gameiro alusiva à implantação da República em Portugal

Aguarela de Roque Gameiro alusiva à implantação da República em Portugal

Após a proclamação da República a Câmara Municipal de Lisboa alterou a toponímia da cidade, substituindo os nomes das figuras públicas comprometidas com a monarquia e os topónimos de cariz religioso por outros evocativos dos ideais republicanos e esta Avenida da República é disso um exemplo claro, substituindo o topónimo do criador das Avenidas Novas (Ressano Garcia) pela própria República. Num tempo sem rádio nem televisão e com poucos leitores de jornais, as placas toponímicas eram o meio de difusão dos valores republicanos junto de toda a população.

O Edital de 5 de novembro de 1910, precisamente um mês após o estabelecimento da República em Portugal, fez nascer mais nove topónimos significativos dos novos valores: a Avenida Cinco de Outubro, data da implantação da República em Portugal em substituição da Avenida António Maria Avelar;  a Avenida Almirante Reis para substituir a Avenida Dona Amélia; a Avenida Miguel Bombarda, considerado um dos primeiros mártires da revolução, que ficou na que antes era Hintze Ribeiro; a Avenida Elias Garcia em substituição da Avenida José Luciano; a Rua de Ponta Delgada, para substituir a Rua Mota Veiga; e a Rua de El-Rei, a Rua da Princesa, a Rua Bela da Rainha e a Praça D. Fernando passaram a ser a Rua do Comércio, a Rua dos Fanqueiros, a Rua da Prata e a Praça Afonso de Albuquerque.

Aliás, um pouco por todo o país a República, a data de Cinco de Outubro e o nome de Cândido dos Reis foram na época colocados em largos, praças, ruas e avenidas para perpetuar o regime republicano no quotidiano dos portugueses.

Freguesias de Arroios, Avenidas Novas e Alvalade (Planta : Sérgio Dias)

Freguesias de Arroios, Avenidas Novas e Alvalade
(Planta : Sérgio Dias)

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2 thoughts on “A Avenida da República e Miguel Ventura Terra

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