A Rua de Pardal Monteiro, Arquiteto que teve Ventura Terra como referência

A Estação do Cais do Sodré de Pardal Monteiro, fotografada pelo próprio em 1928 (Arquivo Municipal de Lisboa)

A Estação do Cais do Sodré de Pardal Monteiro, fotografada pelo próprio em 1928 (Arquivo Municipal de Lisboa)

O Arqº Pardal Monteiro que teve Ventura Terra como figura de referência passou em 1978 a dar nome a uma artéria da freguesia de Marvila, no Bairro dos Lóios.

Miguel Ventura Terra, um dos mais destacados arquitetos do início do século XX em Portugal era uma figura venerada no círculo familiar de Pardal Monteiro e este, ainda durante a frequência da Escola de Belas Artes de Lisboa, onde foi aluno de José Luís Monteiro, trabalhou no atelier do primeiro.   Pardal Monteiro foi também o responsável pela cantaria do prédio traçado por Ventura Terra na Avenida António Augusto de Aguiar nº 3-D, para o escultor Artur Prat, que recebeu uma Menção Honrosa do Prémio Valmor em 1913.

Com a legenda «Arquitecto/1897-1957», Pardal Monteiro teve o seu nome fixado na Via Envolvente da Zona N2 de Chelas pelo Edital municipal de 10/08/1978, tal como mais 11 arquitetos, todos em ruas, a partir de uma proposta do Arqº Francisco Silva Dias, que era então membro da Comissão Municipal de Toponímia de Lisboa, a saber :  Adães Bermudes, Adelino Nunes, Álvaro Machado, Cassiano Branco, Domingos Parente, José Luís Monteiro, Keil do Amaral, Luís Cristino da Silva, Miguel Nogueira Júnior, Norte Júnior e Pedro José Pezerat.

Rua Pardal Monteiro - Freguesia de Marvila (Foto: Pedro Letria, 1998, Arquivo Municipal de Lisboa)

Rua Pardal Monteiro – Freguesia de Marvila
(Foto: Pedro Letria, 1998, Arquivo Municipal de Lisboa)

Porfírio Pardal Monteiro (Pêro Pinheiro/06.02.1897 –  16.12.1957/Lisboa) foi o autor em Lisboa de arquiteturas tão emblemáticas como a Estação do Cais do Sodré (1925-1928), o conjunto arquitetónico de 7 edifícios do Instituto Superior Técnico (1927-41) como uma Acrópole sobre o vale da Avenida Almirante Reis e exemplo do Modernismo Português, o Instituto Nacional de Estatística (1931), a Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima que foi Prémio Valmor 1938, o monumento a António José de Almeida (1937) com Leopoldo de Almeida, as Estações Marítimas de Alcântara (inaugurada em 1943) e da Rocha do Conde de Óbidos (edificada entre 1945 e 1948), o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (1949), os hotéis Tivoli, Mundial e Ritz (1952 – 1959), a Cidade Universitária (através das  Faculdade de Direito, Faculdade de Letras e Reitoria, a partir de 1952) e, com outros arquitetos, a Biblioteca Nacional (1954-61), tendo sido estes dois últimos projetos terminados pelo seu sobrinho António Pardal Monteiro. Traçou ainda na capital um edifício na Avenida da República, nº 49 (1920) que foi Prémio Valmor 1923 e outro no nº 54 que foi Menção Honrosa do Prémio Valmor 1930,  o Templo da Igreja Adventista de Lisboa (1923) na Rua Joaquim Bonifácio, o  Palacete Vale Flor na Calçada de Santo Amaro (1925) que foi Prémio Valmor 1928, uma moradia na Avenida Cinco de Outubro nºs 207-215 que foi Prémio Valmor 1929, o edifício da Ford Lusitana (1930) na Rua Castilho e já demolido,  o edifício do Diário de Notícias na Avenida da Liberdade que foi Prémio Valmor 1940, o edifício de habitação na Avenida Sidónio Pais nº 16 que foi Prémio Municipal de Arquitetura 1947, o edifício da A Nacional/Companhia Industrial de Portugal e Colónias (1952) na Avenida Infante Dom Henrique nº 255 com a Rua do Beato nº 21.

Pardal Monteiro começou por trabalhar em 1919 na Repartição das Construções Escolares do Ministério da Instrução e depois, no serviço de arquitetura da Caixa Geral de Depósitos (1920-1929), assim como na Exposição do Mundo Português de 1940, em Belém,  a partir do plano coordenado pelo arquiteto Cottineli Telmo, sendo seu o Pavilhão e Esfera dos Conhecimentos. Foi também professor desde 1920 e  catedrático desde 1942,  da cadeira de Arquitetura do curso de Engenharia Civil do Instituto Superior Técnico .

Pardal Monteiro desempenhou ainda os cargos de Secretário da Direção da Sociedade de Arquitectos Portugueses (1919-1922),  vogal do Conselho Superior de Belas Artes, da Comissão Municipal de Arte e Arqueologia da CML, da Junta Nacional de Educação, do Conselho Superior das Obras Públicas, de Presidente do Conselho Diretor (1936-1944)  e da Mesa da Assembleia Geral (1948 e 1951)  do Sindicato Nacional dos Arquitectos, para além de ter sido membro honorário da Academia de São Fernando de Madrid, do Real Instituto dos Arquitectos Britânicos e do Instituto de Arquitectos do Brasil tendo sido ainda, a título póstumo, sido agraciado com a Comenda da Ordem Militar de Santiago da Espada (em 5 de janeiro de 1962).

 

Freguesia de Marvila (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Marvila
(Planta: Sérgio Dias)

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