Ruas do Norte

Rua do Norte na freguesia da Misericórdia (Foto: Rui Pereira)

Rua do Norte na freguesia da Misericórdia
(Foto: Rui Pereira)

O Norte, direção fundamentada no sentido de rotação do planeta e o ponto zero dos quatro pontos cardeais serviu a georreferenciação de algumas de artérias de Lisboa e ainda hoje encontramos oito:  a Rua do Norte na freguesia da Misericórdia, a Rua do Norte e o Beco do Norte na freguesia de Carnide, a Travessa do Norte à Lapa na freguesia da Estrela, a Praça do Norte e a Circular Norte do Bairro da Encarnação, e no Parque das Nações, a Rua do Mar do Norte e a Rua do Pólo Norte.

Sem uma data precisa podemos presumir que a Rua do Norte, no Bairro Alto, seja do século XVI, altura em que foram arruadas as terras do sítio para constituir o Bairro Alto de São Roque. Aliás, Cristóvão Rodrigues de Oliveira no seu Sumário- Lisboa em 1551, já refere a Rua do Norte na então freguesia do Loreto. O topónimo propriamente dito é uma orientação geográfica o que não será de estranhar num bairro que na época era muito habitado por marinheiros, como aliás transparece também no topónimo da rua paralela a esta, a Rua das Gáveas.

Já em Carnide, deparamos com a Rua do Norte e o Beco do Norte, ambos oficializados por Edital municipal de 19/07/1919 com as denominações pelas quais já eram vulgarmente conhecidas, conforme se lê no próprio edital : «Faço saber que a Comissão Executiva desta Câmara, atendendo a que pela anexação do Concelho de Lisboa do extinto concelho de Belém, não foi entregue nesta Câmara a documentação referente à nomenclatura e numeração das vias públicas pertencentes à Freguesia de Carnide, (…) deliberou, em sua sessão de 10 do Julho do corrente, confirmar oficialmente as actuais designações das vias públicas da referida freguesia de Carnide, pelas quaes o vulgo, de há muito, as denominava».

O Beco do Norte à Lapa em 1967 (Foto: Augusto de Jesus Fernandes, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Beco do Norte à Lapa em 1967
(Foto: Augusto de Jesus Fernandes, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Travessa do Norte à Lapa, que  liga a Rua de São Domingos à Rua de Buenos Aires, na freguesia da Estrela, nasceu em resultado de uma solicitação dos moradores do arruamento e apresentada à Câmara pela Junta de Freguesia da Lapa, motivada pelo facto da artéria em causa ter entrada e saída e configuração de Travessa e como tal não dever continuar a designar-se Beco, alteração que foi firmada pelo Edital municipal de 30/07/1999.

Beco do Norte deverá ter sido uma designação fixada entre o último quartel do séc. XVI e o século XVIII, já que a zona foi primeiro ocupada por conventos como o convento beneditino de Nossa Senhora da Estrela, fundado em 1572, e foi intensificando-se o povoamento da zona, sobretudo, depois do terramoto de 1755, tendo a  freguesia de Nossa Senhora da Lapa sido instituída em 11/02/1770 por desanexação de Santos-O-Velho. Certo é que em 1854 Francisco Severiano Rebelo Júnior pretendia reedificar um prédio com frente para a rua de Buenos Aires n.º 40 a 45 e para o beco do Norte n.º 11, a partir do traçado do arqº  Malaquias Ferreira Leal e que em 1906 o designado Beco do Norte à Lapa teve um alargamento.

O Bairro Social da Encarnação, na freguesia dos Olivais, foi construído nos anos de 1940 a 1943 e inaugurado em 1946, em resultado de um plano de urbanização da autoria do Arqº Paulino Montez, numa área de cerca de 47 ha, propriedade do Ministério das Obras Públicas e Comunicações. O então designado Bairro-Jardim da Encarnação assume a forma de uma borboleta, orientado a partir de um eixo principal, a Alameda da Encarnação, que define duas área simétricas e termina no largo principal. E nele encontramos a Praça do Norte, atribuída pelo  Edital municipal de 15/03/1950, e a Circular Norte do Bairro da Encarnação gerada pelo Edital de 27/11/1957.

O Bairro da Encarnação era um Bairro Social ou de Casas Económicas, como os outros construído em área isolada da malha urbana da época, mas já de uma arquitetura com princípios das cidades-jardim que então se iam construindo noutros países europeus, pelo que além da toponímia numérica que era tradicional nestes bairros, recebeu alguns topónimos, todos referências de localização, de que a Praça do Norte e a Circular Norte do Bairro da Encarnação são exemplos. Conforme se pode ser na ata da reunião da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia de 19 de dezembro de 1949, foram escolhidos «Praça do Norte, Praça das Casas Novas, Rua dos Lojistas, Rua da Portela, Rua da Quinta de Santa Maria, Rua da Quinta do Morgado, Rua da Quinta da Fonte, e ruas números: dois, quatro, seis, oito, dez, doze, catorze, dezasseis, dezoito, vinte, vinte e dois, vinte e quatro, vinte e seis e vinte e oito, e um, três, cinco, sete, nove, onze, treze, quinze, dezassete, dezanove, vinte e um, vinte e três, vinte e cinco, vinte e sete e vinte e nove, aos arruamentos situados, respectivamente, à direita e à esquerda da Alameda da Encarnação.»

A Expo 98, subordinada ao tema Os oceanos: um património para o futuro, nomeou os arruamentos do evento com topónimos ligados aos oceanos, mas também aos Descobrimentos Portugueses, aos aventureiros marítimos reais e até aos da literatura e banda desenhada mundiais, a figuras de relevo para Portugal, a obras de escritores portugueses de alguma forma ligadas ao tema da exposição e ainda alguns ligados à botânica. Com a reconversão da zona em Parque das Nações foram 102 topónimos oficializados pelo Edital de 16/09/2009, a que se juntaram mais 60 topónimos oficializados pelo Edital municipal de 06/05/2015.

Tanto a Rua do Mar do Norte como a Rua do Pólo Norte pertencem ao Edital municipal de 16/09/2009. A Rua do Mar do Norte, que vai da Alameda dos Oceanos ao Passeio do Báltico, refere-se a um mar do Oceano Atlântico, situado entre as costas da Noruega e da Dinamarca a leste, a costa das Ilhas Britânicas a oeste e a Alemanha, Países Baixos, Bélgica e França a sul. A Rua do Pólo Norte, que vai da Avenida do Índico à Rua do Mar da China, refere-se à região que se localiza no extremo Norte do planeta Terra, situado no Oceano Glacial Ártico e cuja determinação, bem como a do Pólo Sul, permite fixar as coordenadas de latitude e de longitude que indicam a localização de qualquer ponto na superfície terrestre.

A Rua do Norte na freguesia de Carnide em 1961 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua do Norte na freguesia de Carnide em 1961
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

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