Ruas do Meio

Travessa do Meio - Freguesia de São Vicente (Foto: Mário Marzagão, 2012)

Placa de azulejo da Travessa do Meio – Freguesia de São Vicente
(Foto: Mário Marzagão, 2012)

Ruas do Meio tem Lisboa cinco, mais uma Rua da Metade, indicando todas elas situarem-se entre duas ruas mais conhecidas. Das cinco,  duas são Ruas do Meio e três Travessas do Meio.

E se percorrermos a cidade de oriente para ocidente, deparamos primeiro com a Travessa do Meio, na Freguesia de São Vicente, situada entre a Calçada do Cascão e a Travessa do Raposo. Aparece mencionada já no Levantamento topográfico de Francisco e César Goullard de 1878, bem como em 1909 na Planta Topográfica de Lisboa de Júlio da Silva Pinto e Alberto de Sá Correia.

Já na freguesia de Arroios está a Travessa do Meio do Forte, porque nasce na Travessa do Forte e fica entre a Travessa da Cruz do Desterro e a Travessa das Salgadeiras. O acrescento de localização «do Forte» data do Edital do Governo Civil de Lisboa de 5 de agosto de 1867.

Placa de Azulejo da Rua da Metade - Freguesia de Santo António (Foto: Mário Marzagão)

Placa de Azulejo da Rua da Metade – Freguesia de Santo António
(Foto: Mário Marzagão, 2012)

A Rua da Metade,  na freguesia de Santo António, de acordo com Luís Pastor de Macedo já existia «ao tempo do terremoto segundo lògicamente se pode admitir em vista de ser citada pelo padre João Baptista de Castro que por aquele tempo compunha o seu Mapa de Portugal», embora com a grafia de Rua da Ametade. É a Rua do meio entre a Rua da Caridade e a Travessa Larga.

A Rua do Meio à Lapa, na freguesia da Estrela, situa-se entre a Rua do Quelhas e a Rua das Trinas. Esta Rua do Meio foi acrescida das palavras «à Lapa», na sequência de parecer da Comissão Municipal de Toponímia emitido na sua reunião de 13/04/1951.

Conforme afirma Norberto de Araújo na suas Peregrinações em Lisboa : «(…)Todo este sítio [da Lapa] é posterior ao Terramoto o que não significa que, nessa época, por aqui não houvesse algumas edificações, no meio do descampado sítio, de bela vista sobre o Tejo, que tudo isto tinha». Esta Rua do Meio já aparece no cartografia de Lisboa de Filipe Folque de 1858 assim como em 1860, no prospeto do prédio que Josefa do Carmo Costa Seixas pretendia aumentar, conferido na 3ª Repartição Municipal por Pedro José Pezerat.

Na freguesia de  Campolide, deparamos com a Travessa do Meio à Rua do Garcia,  no Bairro da Cascalheira, e não poderia ser mais precisa ao situar-se entre a Travessa do Sul e a Travessa do Norte. Este arruamento, que na década de 40 do século XX ainda era parte da freguesia de Santa Isabel, foi antes designado como Travessa do Meio, já que no Guia das Ruas de Lisboa de 1941, da Tipografia Gonçalves, é esse o nome dado à artéria junto da Rua do Garcia. Acresce que dois anos depois, na reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 21 de dezembro de 1943, foi confirmado este topónimo como Travessa do Meio. Em vários processos de obras dos arquivos municipais também se encontra a denominação Travessa do Meio à Cascalheira.

Ainda em Campolide, está a Rua do Meio ao Arco do Carvalhão, atribuída por edital de 22 de junho de 1948 ao arruamento que vai da não-oficial Rua Particular à Cascalheira até à Avenida Engenheiro Duarte Pacheco. Este topónimo recorda que esta zona – desde a Cruz das Almas até à ribeira de Alcântara – era propriedade de Sebastião José de Carvalho e Melo, ainda antes de ser Marquês de Pombal e Conde de Oeiras, conhecido como o «Carvalhão», como narra o olisipógrafo Norberto de Araújo.

No entanto, esta artéria já aparece registada apenas como Rua do Meio na planta de Júlio da Silva Pinto e Alberto de Sá Correia de 1910.E curiosamente, já depois do Edital de 22/06/1948 que instituiu a Rua do Meio ao Arco do Carvalhão, na reunião da Comissão Municipal de Toponímia de 19 de janeiro de 1950, Durval Pires de Lima propôs outra denominação: «(…) A revisão da toponímia de Lisboa, que me foi encarregada e que apresentei à apreciação da Comissão Municipal de Toponímia – «Meio (ruas do) Há dois arruamentos com a mesma designação, distantes, em bairros diferentes, Santa Isabel e Lapa. Designações propostas: Rua do Meio à Lapa e Rua do Meio à Cascalheira. Meio (travessas do) Em Santa Isabel e no Monte Pedral, e por igual motivo. Designações propostas: Travessa do Meio à Cascalheira e Travessa do Meio a Santa Clara.» Ainda mais tarde, encontramos a Rua do Meio à Cascalheira no roteiro editado pela CML em 1962 e em vários processos de obras municipais de 1969.

E por fim, temos a Rua do Meio à Ajuda, entre a antiga Rua da Paz (a partir de 1916, Rua Brotero) e a Rua da Paz à Ajuda ( a partir de 1916, Rua do Laranjal). O acrescento de localização «à Ajuda» havia sido colocado pelo Edital municipal de 8 de junho de 1889 e foi confirmado pelo Edital municipal de 26 de setembro de 1916 que atribuiu também a Rua Brotero e a Rua do Laranjal.

Placa Tipo II da Rua do Meio à Ajuda - Freguesia da Ajuda (Foto: Sérgio Dias)

Placa Tipo II da Rua do Meio à Ajuda – Freguesia da Ajuda
(Foto: Sérgio Dias)

 

 

 

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2 thoughts on “Ruas do Meio

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