Combros de Lisboa

Calçada do Combro - Freguesia da Misericórdia (Foto: José Pascoal)

Calçada do Combro – Freguesia da Misericórdia
(Foto: José Pascoal)

Combro é sinónimo de cômoro e ambos significam pequena elevação isolada de terreno ou cumeada. Na toponímia de Lisboa ainda encontramos dois combros, um em calçada e outro numa travessa.

Quando o Bairro Alto começava a nascer nos idos do séc. XVI, a Calçada do Combro era parte da Estrada de Santos ou da Horta Navia. Gomes de Brito identifica-a como a calçada da «Bella Vista» referida por Cristóvão Rodrigues de Oliveira no seu Sumário de 1551. Mas no século seguinte, de acordo com o mesmo olisipógrafo e também segundo Norberto de Araújo, aparecia como «Calçada do Congro» em documentos camarários e até numa denúncia feita à Inquisição, ou ainda como «do Congo» por deturpação da lógica toponímica de cômoro, combro ou cumeada. Mais tarde, este arruamento aparece já como Calçada do Combro, nomeadamente numa postura municipal de 26 de maio de 1704, nas plantas das freguesias de Lisboa após o terramoto de 1755 e até num pedido de licença ao Supremo Senado municipal, de 7 de maio de 1792, de José António morador na Calçada do Combro, para vender água do Chafariz da Esperança.

Esta calçada tem no nº 38 o Palácio Marim-Olhão, dos Condes de Castro Marim e dos Marqueses de Olhão, construído no 2º quartel do séc. XVIII, onde mais tarde se instalou o Correio Geral (1801-1881), o jornal Revolução de Setembro (1849-1890), uma conservatória do Registo Civil (no início da República), a Confederação Geral do Trabalho, o jornal A Batalha e as Juventudes Monárquicas. Logo a seguir encontra-se o Palácio  seiscentista do desembargador André Valente de Carvalho que foi também vereador da CML e dá o seu nome a uma Travessa próxima. Ainda do mesmo lado e descendo, encontramos o Convento dos Paulistas ali nascido em 1647 e que após 1834 passou a Sociedade Promotora da Indústria e depois, sucessivamente, a quartel da Guarda Nacional de Lisboa, da Guarda Municipal e desde 1910, da Guarda Nacional Republicana.

E da Calçada do Combro, na freguesia da Misericórdia, vamos para a Estrela, ao encontro da Travessa do Combro, que liga a Rua dos Navegantes à Travessa dos Ferreiros à Lapa, artéria que de acordo com Luís Pastor de Macedo já aparece citada em 1758 mas com a categoria de rua. Na documentação municipal encontra-se ainda uma planta com indicação da venda de um terreno municipal a Guilherme de Oliveira Martins na Travessa do Combro nº 41, em 29 de janeiro de 1903.

 

Travessa do Combro em 1967 (Foto: Augusto de Jesus Fernandes, Arquivo Municipal de Lisboa)

Travessa do Combro em 1967
(Foto: Augusto de Jesus Fernandes, Arquivo Municipal de Lisboa)

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5 thoughts on “Combros de Lisboa

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  4. Visito seu blog cujo conteúdo aprecio . Quero deixar reparo, tenho também blog “tudo de novo a ocidente” no Sapo, se clicar no google acede. O que escreveu acerca de arquitecto Adães Bermudes, no referente ao nascimento e morte não está certo. Conheço muito da vida dele pois viveu em Rio de Mouro onde habito há 43 anos. Se consultar o post “Adães Bermudes Revisitado” está lá tudo. Um abraço e continue.
    Júlio Cortez Fernandes

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