Numa Rua de Alvalade, Domingos Bomtempo, responsável do primeiro Conservatório de Música lisboeta

Freguesia de Alvalade (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Foto: Sérgio Dias)

João Domingos Bomtempo, o primeiro diretor da Escola de Música do Conservatório Nacional, tem o seu nome perpetuado na Rua 37 do Sítio de Alvalade, desde a publicação do Edital municipal de 14 de junho de 1950, como Rua Domingos Bomtempo.

O mesmo Edital colocou nas ruas circundantes mais 7 homenagens toponímicas ligadas à música – o compositor e professor de piano Alexandre Rey Colaço; os compositores Carlos de Seixas, Duarte Lobo e Viana da Mota; o compositor do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra Dom Pedro de Cristo, o Mestre da Capela Real Filipe Magalhães e o compositor carmelita Frei Manuel Cardoso -, a partir do parecer favorável da Comissão Consultiva Municipal de Toponímia da sua reunião de 19 de maio de 1950 à proposta do Vice-presidente da Câmara, Luís Pastor de Macedo.

Selo lançado em 30 de outubro de 1974 , da autoria de Frederico George

Selo lançado em 30 de outubro de 1974 , da autoria de Frederico George

João Domingos Bomtempo (Lisboa/28.12.1771 – 18.08.1842/Lisboa), filho de um músico italiano, nasceu e viveu na Rua Nova da Piedade, encontrando-se o seu registo de nascimento na Igreja da comunidade italiana residente em Portugal, a Igreja de Nossa Senhora do Loreto no Largo do Chiado.

Bomtempo afirmou-se como pianista e compositor em Paris, onde residiu entre 1801 e 1810. Acumulou mais fama em Londres, no período de 1810 a 1814 e  regressou a Lisboa, onde só se fixou definitivamente após a Revolução Liberal de 1820. Dois anos depois fundou uma sociedade de concertos, a Sociedade Filarmónica, extinta em 1828, já que após a vitória de D. Miguel na Vilafrancada de 1823 este proibiu os seus concertos, situação agravada em 1828 pelo segundo golpe de estado de D. Miguel. As perseguições no período miguelista obrigaram-no mesmo a viver refugiado no Consulado da Rússia em Lisboa durante cinco anos.

Restabelecido o poder dos liberais em 1833, passou a professor de Música da rainha D. Maria II e  apresentou-lhe em 1834 um projeto para a  criação de um conservatório de música seguindo o modelo da escola de música parisiense, com 18 professores e 16 disciplinas. No ano seguinte, foi criado  pelo Decreto de 5 de maio de 1835 o Conservatório de Música, instalado na Casa Pia de Lisboa e Bomtempo foi nomeado seu diretor, cargo que manteve  até à morte, mesmo quando a partir do ano seguinte a Escola de Música passou a integrar  o Conservatório Nacional em edifício próprio.

Da obra de compositor de Domingos Bomtempo há que destacar as suas sonatas para piano, a Missa de Requiem (à Memória de Camões e que segue o texto litúrgico da Missa pro defunctis), a 2.ª Sinfonia, Variações Alessandro in Éfeso bem como Fantasia e Variações sobre Uma Ária de Mozart.

Freguesia de Alvalade (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alvalade
(Planta: Sérgio Dias)

Anúncios

2 thoughts on “Numa Rua de Alvalade, Domingos Bomtempo, responsável do primeiro Conservatório de Música lisboeta

  1. Pingback: De Santo Antoninho e da Vitória à misteriosa Senhora da Piedade | Toponímia de Lisboa

  2. Pingback: A Rua da Constança que era a pianista Nina | Toponímia de Lisboa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s