A Rua da compositora pioneira do teatro-música Constança Capdeville

constanca-capdeville-solo

A compositora Constança Capdeville, pioneira do teatro-música e muito conhecida pela sua Libera Me, foi inscrita na toponímia de Lisboa a partir de uma sugestão da Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, na Rua B da Quinta da Torrinha à Ameixoeira, através do Edital municipal de 01/02/1993,  que colocou também nas ruas próximas os nomes do cantor lírico Hugo Casaes, dos compositores Rui Coelho e Jorge Croner de Vasconcelos e ainda da atriz Brunilde Júdice.

Freguesia de Santa Clara - Placa Tipo II (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Santa Clara – Placa Tipo II
(Foto: Sérgio Dias)

Constança Capdeville  (Barcelona/16.03.1937 – 04.02.1992/Caxias) escreveu cerca de 80 obras distribuídas por vários géneros, que vão da música para orquestra à música para teatro e cinema, passando pela música para dança e até a espetáculos cénico-musicais.

Constança veio viver para Portugal em 1951, e aqui continuou  os seus estudos musicais no Conservatório Nacional de Música, em piano com Varela Cid e, em composição, com Jorge Croner de Vasconcelos. Mais tarde, frequentou os Cursos especiais de Musicologia, Interpretação de Música Antiga e Técnica de Acompanhamento sob a orientação do Professor Macário Santiago Kastner.

Através da Fundação Calouste Gulbenkian, Capdeville participou em trabalhos musicológicos na Biblioteca da Ajuda e na Biblioteca Nacional, tendo ainda colaborado com Mário de Sampaio Ribeiro num estudo relativo ao tratado Lux Bella, de Domingos Marques Durán. Em 1962, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, trabalhou com o compositor Philip Jarnach e nesse mesmo ano recebeu o Prémio de Composição do Conservatório Nacional de Lisboa, atribuído à sua obra para órgão Variações sobre o nome de Igor Stravinsky.

Constança trabalhou inúmeras vezes como compositora e intérprete na Orquestra Universitária de Lisboa. Foi ainda pianista e percussionista, nos Menestréis de Lisboa, no grupo de música de câmara Convivium Musicum que fundou, no Grupo de Música Contemporânea de Lisboa dirigido por Jorge Peixinho, assim como foi percussionista convidada na Orquestra Gulbenkian. Em 1969, por encomenda da Fundação Calouste Gulbenkian, Constança Capdeville compôs Diferenças Sobre um Intervalo, cuja 1ª audição foi dada pela Orquestra Gulbenkian no XIII Festival de Música Gulbenkian.

Como compositora Constança Capdeville produziu na juventude peças para piano e mais tarde, música de câmara e sinfónica, bem como para a orquestra e o bailado da Fundação Gulbenkian, sendo a sua produção mais famosa Libera Me. Foi a precursora da escrita de obras para teatro musical em Portugal, ao fundar e dirigir um grupo pioneiro de teatro musical nos anos 80:  o ColecViva, que criou  a obra de referência Don’T Juan ( 1985). Com o compositor António de Sousa Dias criou o Opus Sic, com obras de sons sintetizados, que gerou a música para o bailado de Margarida Bettencourt, Io sono una piccola bambina e a banda sonora para o filme de António Macedo A Maldição de Marialva. Capdeville, numa estética ligada à então música contemporânea, apostou em novas formas de comunicação com o público.

Foi ainda professora de música na Academia de Música de Santa Cecília, no Conservatório Nacional de Lisboa, na Escola Superior de Música de Lisboa e, a partir de 1980, no Departamento de Ciências Musicais da Universidade Nova de Lisboa, onde lecionou História e Problemática da Interpretação, bem como Análise da Música do Séc. XX.

Constança Capdeville integrou a Direção do Conselho Português da Música e a Associaciò Catalana de Compositors de Barcelona. Foi agraciada com a Medalha de Mérito Cultural pelo Conselho Português de Música (1990) e com o Grau de Comendador da Ordem de Santiago de Espada (1992), a título póstumo. O espólio da compositora foi doado à Biblioteca Nacional de Portugal, onde integra a coleção de Música.

Freguesia de Santa Clara

Freguesia de Santa Clara

Anúncios

2 thoughts on “A Rua da compositora pioneira do teatro-música Constança Capdeville

  1. Pingback: Constança Capdville: o gosto em criar e ensinar música - FCSH+Lisboa

  2. Pingback: O Dia Mundial do Teatro pelas ruas de Lisboa | Toponímia de Lisboa

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s