Filipe Duarte, compositor da opereta Severa e do Fado da Ceguinha, numa Rua do Lumiar

Freguesia do Lumiar (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
(Foto: Sérgio Dias)

Filipe Duarte, compositor de opereta e de revista, muito querido do público de Lisboa nas primeiras décadas do século XX, sobretudo pela «Canção da Ceguinha» da opereta O Fado (1910)  e pela opereta A Severa (1923), ficou perpetuado numa artéria alfacinha do Lumiar quatro anos após o seu falecimento.

Foi pelo Edital municipal de 31/03/1932 que Filipe Duarte deu nome à Rua B do Bairro Jardim. Pelo mesmo Edital o Bairro Jardim também ganhou a Avenida Ventura Terra (Avenida nº 6) e a Rua Branco Rodrigues (Rua A). Todavia, como na época as decisões sobre atribuições de topónimos era tomadas a partir de plantas a crescente urbanização do Bairro acabou por fazer desaparecer a Rua deste último, que renasceu como topónimo em 1976, na artéria onde havia residido.

O Palco - Revista Teatral, 05.03.1912

O Palco – Revista Teatral, 05.03.1912

Filipe Duarte (Lisboa/01.07.1855-08.07.1928/Lisboa), cursou o Conservatório de Lisboa onde estudou Violino, Composição e Direção de Orquestra. Em 1875, foi regente fundador da Academia de Alunos do Conservatório de Lisboa mas no ano seguinte,  devido a dificuldades económicas,  tornou-se profissional da música como ocarinista, enquanto membro da Sociedade de Concertos de Ocarinas, que partiu numa digressão pela América do Sul.

De regresso, iniciou em 1881 a sua carreira de maestro na Orquestra do Club Guilherme Cossoul e no ano seguinte,  a 10 de novembro, estreou-se como solista de violino no Teatro Nacional de São Carlos. Em 1884  foi um dos membros fundadores da Real Academia de Amadores de Música, onde permaneceu como professor e regente de orquestra até ao fim da vida.

Filipe Duarte compôs principalmente música para revistas e operetas, entre as quais se destacam a sua primeira opereta  A Lancha Favorita (levada à cena no antigo Clube do Calvário), bem como Agulhas e Alfinetes ( 1895, Teatro da Rua dos Condes), Nicles (1901), O Fado (1910, Teatro Apolo),  A Leiteira d’Entre-Arroios (1920, Teatro São Luiz),  A Mouraria (1925, Teatro Apolo), firmando-se como uma personalidade de relevo no teatro de revista na viragem do século, tendo-se destacado de outros compositores da mesma época pelo carácter popular das suas criações, com enorme sucesso e aplauso do grande público.

Dois casos reveladores da popularidade da criação musical de Filipe Duarte foram a «Canção da Ceguinha» da opereta em 4 atos O Fado (1910)  e a opereta A Severa (1923).  A última foi musicada por Filipe Duarte, com libreto de Júlio Dantas e André Brun, a partir da peça homónima de Dantas e o êxito foi tal que Leitão de Barros pegou no conjunto para fazer o primeiro filme sonoro português, com o mesmo nome e tendo André Brun como assistente. Ainda em 2015, o Teatro Ibérico repôs esta opereta. Já a «Canção da Ceguinha» da opereta  O Fado, com letra de Bento Faria, foi cantada por Zulmira Miranda e compreendia um total de seis quadras, sendo as duas primeiras assim:

Sou ceguinha de nascença!
Isto assim não é viver!
Minha tristeza é imensa,
Quem me dera já morrer!

Porque assim fui condenada,
Se não fiz mal a ninguém?
Vivo em trevas sepultada
Não conheço pai nem mãe.

Este tema tornou-se muito popular e também era conhecido como «Fado do Ceguinho», «Fado dos Cegos», « Fado da Ceguinha» ou «A Ceguinha» e na primavera de 1928 foi gravado na voz de António Menano sob o título «Fado do Ceguinho» e em outubro desse mesmo ano, como «Fado dos Cegos» foi gravado por Armando Goes e de acordo com um ensaio de Júlio Dutra Andrade, a canção era popularíssima na Ilha do Faial, como canção maternal de embalar, rivalizando com o antigo «Papão Feio».

O aplaudido Filipe Duarte foi ainda colaborador da Revista do Conservatório Real de Lisboa e vogal do conselho da arte musical da mesma instituição e, curiosamente, o seu falecimento no ano 1928 coincidiu com o desaparecimento da opereta dos palcos portugueses.

Freguesia do Lumiar Planta: Sérgio Dias)

Freguesia do Lumiar
Planta: Sérgio Dias)

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