A Rua Santos Pinto, compositor do Hino a Saldanha

Freguesia da Estrela (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia da Estrela
(Foto: Sérgio Dias)

Com a legenda «Escritor Musical/1815 – 1860» foi fixado em 1925 o nome do alfacinha Francisco dos Santos Pinto na Rua nº 3 do então Novo Bairro da Lapa, um compositor, violinista e trompista  que politicamente era um liberal ferrenho tendo por isso composto um Hino ao Marechal Saldanha em 1851.

Por esse mesmo Edital municipal de 8 de junho de 1925 foram também dados nomes de compositores às Ruas nº 1 e nº 2 do mesmo Bairro, a saber, a Rua Joaquim Casimiro – homenageando neste caso um miguelista ferrenho de meados do século XIX e rival de Santos Pinto-, e a Rua Maestro António Taborda, que desenvolveu a sua carreira na Banda de Música da Guarda Nacional Republicana.

Santos Pinto Francisco dosFrancisco António Norberto dos Santos Pinto (Lisboa/06.06.1815 – 30.01.1860/Lisboa) começou desde cedo a ganhar a vida através da música, recebendo para cantar em festas de igreja. Aprendeu a tocar violino, trompa e clarim. Iniciou os seus estudos musicais com Teotónio Rodrigues, cantor da Capela da Bemposta, estudou violino com José Maria Morte e trompa com Justino José Garcia, mestre de banda das Reais Cavalariças, a que Santos Pinto viria também a pertencer em 1830, com apenas 15 anos. No início das guerras civis de 1832 era Francisco santos Pinto primeiro corneta na Banda da Guarda Real da Polícia. Estudou Harmonia com Eleutério Franco Leal, e mais tarde, com Manuel Joaquim Botelho. Pela mesma altura, mas um pouco depois, integrou a orquestra do Teatro de São Carlos até que em 1838 se estreou como compositor do bailado Adoração do Sol e no ano seguinte, era clarim supranumerário na orquestra da Real Câmara.

A partir de 1845 ficou como o compositor (mais ou menos permanente) do recém-inaugurado Teatro de D. Maria, para o qual irá compor cinco anos depois, A casa misteriosa, uma espécie de ópera cómica. Ainda nesse ano, aquando da visita do pianista Franz Lizt a Lisboa, Santos Pinto dedicou-lhe a sua 8ª Sinfonia (ou Abertura), fazendo-se mesmo retratar com a partitura num quadro que hoje se encontra no Museu da Música em Lisboa. A partir de 1849 iniciou também funções de docente do Real Conservatório de Lisboa, onde foi seu discípulo Guilherme Cossoul, como professor de Instrumentos de Latão e, em 1857, alcançou a  coroa de glória da sua carreira ao passar a ser o maestro diretor do São Carlos.

Francisco dos Santos Pinto foi um autor sobretudo de teatro cómico, de opereta, de teatro musical, de revista, fundando a sua carreira no entretenimento musical de grande apelo público. Compôs música para mais de 20 bailados e musicou cerca de 30 peças teatrais, tal como escreveu 35 aberturas para orquestra e algumas peças de música sacra e hinos patrióticos como a Marcha que compôs em homenagem aos voluntários da Carta (1844). Santos Pinto foi bastante interventivo na vida social e política do seu tempo, manifestando-se como simpatizante do Cartismo e da Maçonaria, não apenas ao compor hinos alusivos a ambos, para além das  Odes Maçónicas, o que se prende também com o ter sido fundador de duas importantes instituições musicais paramaçónicas: a Associação Musica 24 de Junho e a Academia Melpomenense.

Freguesia da Estrela (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia da Estrela
(Planta: Sérgio Dias)

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