A Travessa da Memória da salvação de D. José I e do Salão Portugal

Salão Portugal na Travessa da Memória em 1969 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Salão Portugal na Travessa da Memória em 1969
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

A memória da aventura galante de D. José I com D. Teresa de Távora que terminou com um atentado à integridade física do soberano, ficou registada no próprio local com a construção de uma Igreja, dedicada a Nossa Senhora do Livramento por ele ter saído ileso e a São José pelo nome do rei, bem como com três topónimos, a guardaram essa memória num Largo, numa Calçada e na Travessa em cujo nº 36 esteve o Salão Portugal a partir de  1928.

Cinegrafia, 23 de maio de 1929

Cinegrafia, 23 de maio de 1929

O Salão Portugal, propriedade de Nicolau Veríssimo, foi um cinema muito popular até aos anos 50 do  século passado. O Salão Portugal foi remodelado interiormente em 1936, quando já era da Sociedade Geral de Cinemas Lda., alcançando 510 lugares. Voltou em 1945 para o dono original  e após diversas vicissitudes e gerências encerrou portas em 1977. Desde 2000 que o edifício é a sede do Comité Olímpico de Portugal.

A Travessa da Memória, na Freguesia da Ajuda, foi formalizada pelo Edital municipal de  26/09/1916, tal como a Calçada da Memória. Já o Largo da Memória não possui prova documental que ateste a sua data de fixação mas todos os três topónimos terão de ser posteriores ao início  da construção nesta zona da Igreja da Memória e mais adiante veremos quando. As obras começaram em maio de 1760 e a cerimónia da primeira pedra teve lugar a 3 de setembro desse ano. O templo foi traçado pelo cenógrafo e arqº Giovanni Carlo Bibienna (Itália/1717-20.11.1760/Lisboa) , responsável por diversas obras como a Real Barraca da Ajuda e a sua Capela Real ou o Teatro Real da Ópera do Tejo. A construção só foi retomada em 1762 e voltou a parar por motivos económicos, sendo reiniciada em novembro de 1779, já sob o visionamento do arqº Mateus Vicente (Barcarena/1706 – 1785/Lisboa).  A Igreja é nos nossos dias a Diocese das Forças Armadas.

Já as três artérias da Memória devem ser mesmo do final do séc. XIX, dado que com data de 27 de outubro de 1886, encontramos no Arquivo Municipal de Lisboa um projeto de ruas na zona da Memória e da Ajuda, no qual percebemos que a Igreja da Memória confrontava com o Caminho do Buraco, o Pátio das Vacas e o Largo do Chafariz. Também com a data de 8 de janeiro de  1891 deparamos com o projeto definitivo das ruas nas denominadas Terras da Memória, em terreno cedido pela Casa Real. E em 1892, descobrimos um requerimento de vários a solicitar a demolição do muro na travessa do Pátio das Vacas para comunicação com as Terras da Memória e ainda uma solicitação de Rosa Gomes para construção de casa num dos arruamentos projetados na zona da Memória .

De acordo com Norberto de Araújo, foi na noite do dia 3 de setembro de 1758, quando o monarca saído dos aposentos da jovem marquesa de Távora D. Teresa (09.08.1723 – ?), subia de Belém para Ajuda, na carruagem do seu criado e confidente Pedro Teixeira (também fixado como topónimo numa Estrada da Ajuda), ao passar no Pátio das Vacas foi D. José atacado a tiro. Os conjurados sumiram-se e o rei partiu à desfilada para a casa do Marquês de Angeja, na Junqueira, para tratar os seus ferimentos no braço. D. José I saiu ileso desta conspiração, tida como dos Távoras, e por tal bênção foi erguida a Igreja da Memória, consagrada a Nossa Senhora do Livramento e a São José.

Depois, o Marquês de Pombal acusou os seus inimigos Távoras de conspiração, e estes foram torturados e executados em janeiro de 1759 mas D. Teresa Tomásia de Távora e Lorena foi salva com a obrigação de professar num convento. A morte dos Távoras foi celebrada com um pelourinho erguido no Beco do Chão Salgado, topónimo também relativo a essa ocasião e os restos mortais do Marquês de Pombal foram transladados em 1923 para a Igreja da Memória.

A Travessa da Memória na Freguesia da Ajuda (a amarelo), vendo-se o Largo e a Igreja da Memória (estrela verde) e a Calçada da Ajuda (bola vermelha)

A Travessa da Memória na Freguesia da Ajuda (a amarelo), vendo-se o Largo e a Igreja da Memória (estrela verde) e a Calçada da Ajuda (bola vermelha)

 

 

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