O Largo da póvoa do Calvário e do Salão da Promotora

O Salão Promotora em 1965 (Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Salão da Promotora no Largo do Calvário em 1965
(Foto: Armando Serôdio, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Largo do Calvário acolheu em 1912 o cinema Salão da Promotora,  no 1º andar da Sociedade Promotora de Instrução Popular, fundada na Rua de Alcântara em 30 de setembro de 1904 e instalada neste Largo a partir de 1911.

O Salão da Promotora nasceu para fazer face aos encargos da associação. Em 1929, a coletividade começou a construir um novo cinema no próprio edifício, que foi inaugurado em 1930 com 480 lugares e que funcionou até meados dos anos 80 do século passado. No rés-do-chão da Promotora encontramos desde 1992 a Videoteca Municipal.

O topónimo Largo do Calvário resultou de uma deliberação camarária de 22 de setembro de 1888 e assim permaneceu 27 anos, até o Edital municipal de 14 de outubro de 1915 o designar como Largo 20 de Abril, a perpetuar a Lei de Separação do Estado das Igrejas, redigida por Afonso Costa, Ministro da Justiça e Cultos do Governo Provisório, e publicada no dia 20 de abril de 1911. Passados quase 22 anos, o Edital municipal de 19 de agosto de 1937 voltou a denominá-lo como Largo do Calvário, seguindo a norma Do Estado Novo, iniciada nessa década, de substituir os topónimos dados no tempo da I República pelos que os antecederam.

Freguesia de Alcântara (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Alcântara
(Foto: Sérgio Dias)

Sobre a origem do topónimo Calvário damos como boa a investigação de Norberto de Araújo que justifica o nome «Porque neste sítio, no lado sul da Rua Primeiro de Maio, antiga de S. Joaquim, existiu um Convento, das religiosas franciscanas, e que datava de 1617.» O olisipógrafo  esclarece ainda que «(…)  no século XVII, e mesmo no XVIII, o Calvário pouco mais era do que uma Póvoa aflorando timidamente de entre quintas, herdades e hortas a norte, com o mar a beijar-lhe a orla por edificar. Antes do Convento se erguer no lugar onde a Quinta do Pôrto (do “porto”, porque aqui atracavam barcos) edificara-se no final do século XVI um solar particular, destinado a ser “alguém” no sítio: foi esse solar que deu o Palácio ou Paço Real do Calvário, mais rigorosamente “de Alcântara”, mas que recebeu a designação invocativa do orago do Convento, seu fronteiro, e assim ajudou a fundamentar o nome de um sítio (Calvário) dentro de outro (Alcântara). »

Freguesia de Alcântara (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Alcântara
(Planta: Sérgio Dias)

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