A Rua do autor da porta do Salão Nobre dos Paços de Concelho de Lisboa e o cinema Tortoise/Tenor Romão/Campolide

O Campolide Cinema na Rua Leandro Braga em 1961 (foto: Artur João Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Campolide Cinema na Rua Leandro Braga em 1961
(foto: Artur João Goulart, Arquivo Municipal de Lisboa)

Leandro Braga, o escultor da porta do Salão Nobre dos Paços de Concelho de Lisboa, está desde 1911 na toponímia de Lisboa, numa artéria de Campolide, que a partir de 1925 passou a exibir também um cinema  que passou por três denominações: Tortoise, Tenor Romão e Campolide.

Nos finais do século XIX foi construído o Bairro Novo de Campolide cujas ruas foram denominadas por edital municipal de 25 de setembro de 1903, fixando nelas os nomes do escultores Vítor Bastos e Soares dos Reis, bem como dos militares Dom Carlos de Mascarenhas, General Taborda e Conde das Antas. Um pouco mais tarde, o Edital de 7 de agosto de 1911  perpetuou mais um escultor nesta zona, através da Rua Leandro Braga, com a legenda «Escultor e Entalhador/1839 – 1897».

Em 4 de janeiro de 1925 foi inaugurado no nº 15 deste arruamento um cinema de bairro, o CineTortoise, por iniciativa de Manuel Pinto Lello (professor e gerente) e Ruy Teixeira Bastos ( artista plástico e diretor técnico da distribuidora e produtora Tortoise-Filmes). Mas em 1927, mudou a gerência e passou a designar-se Cinema Tenor Romão, já que o novo dono era o Tenor Romão Gonçalves, figura excêntrica e conhecida na Lisboa da época, que inventou o licor Romanini para fazer concorrência ao francês Beneditine e remodelou o cinema para ficar com  414 lugares. Em fevereiro do ano seguinte voltou a mudar de mãos e passou a denominar-se Campolide Cinema que apenas fechou portas em 1977.

Freguesia de Campolide (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Foto: Sérgio Dias)

Leandro de Sousa Braga (Braga/22.03.1839 – 06.04.1897/Lisboa) veio para a capital em 1853, aos 14 anos de idade, e entrou para a oficina do entalhador Inácio Caetano e 9 anos depois, para o atelier do escultor Anatole Calmels, notabilizando-se em empreitadas onde trabalhou ao lado destes mestres, como na tribuna do Teatro S. Carlos ou no Arco Triunfal da Rua Augusta, abrindo depois oficina própria na Calçada do Combro e recebendo encomendas particulares como as de D. Maria Pia e D. Fernando para as decorações dos Palácios da Ajuda e de Belém, dos Duques de Palmela, do conde Cabral e do marquês da Foz para o Palácio Foz. Leandro Braga executou ainda numerosos trabalhos em mobílias, decorações de teatro e habitações particulares, esculturas para igrejas ou projetos de monumentos. É ainda obra sua a porta do Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa que em 1890 custou 1:000$000 réis.

Freguesia de Campolide (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Campolide
(Planta: Sérgio Dias)

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