A Rua do Cine-Bélgica/Universal e a Duquesa de Palmela

O Cine Bélgica na Rua da Beneficência em 1961 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Cine Bélgica na Rua da Beneficência em 1961
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

A Rua da Beneficência foi atribuída ainda em vida da 3ª Duquesa de Palmela,  Maria Luísa Holstein, pelo Edital de 18 de dezembro de 1903, que nessa época ligava o Largo do Rego à Palma de Cima, perpetuando as iniciativas beneméritas da homenageada.

Publicidade do Universal no Diário de Lisboa , 7 de janeiro de 1977

Publicidade do Universal no Diário de Lisboa , 7 de janeiro de 1977

Vinte e cinco anos depois, em 1928, abriu portas no nº 175 deste arruamento o Cine-Bélgica, por se situar no Bairro da Bélgica, com uma  lotação de 500 lugares que em  1933 foi também equipado com uma aparelhagem de som. Em 1968 pensaram denominá-lo Cinema Universitário mas ficou a designar-se Cinema Universal e cinco anos depois (1973) já pertencia à Animatógrafo, dirigida pelo produtor e realizador António da Cunha Telles tendo em 1980 dado  lugar ao Rock Rendez-Vous, que encerrou em 27 de julho de 1990.

A Duquesa de Palmela no jornal Tiro e Sport, 15 de setembro de 1909

A Duquesa de Palmela no jornal Tiro e Sport, 15 de setembro de 1909

Hoje a Rua da Beneficência liga a Avenida de Berna à Rua Alberto de Sousa e fixa na memória da cidade Maria Luísa Domingas de Sales de Borja de Assis de Paula de Sousa Holstein (Lisboa/04.08.1841-02.09.1909/Sintra) cuja filantropia lhe concedeu um lugar único no panorama nacional, nomeadamente, na Assistência Nacional aos Tuberculosos, nos Socorros a Náufragos, em asilos, missões ultramarinas, institutos de auxílio à infância e na fundação das Cozinhas Económicas, com a sua prima Maria Isabel Saint-Lèger, tendo sido a sua primeira presidente. A Duquesa de Palmela para além de dama da Rainha D. Amélia dedicou-se também à escultura, havendo trabalhos seus no Museu do Chiado e na Sociedade de Geografia de Lisboa, assim como se interessou pela cerâmica e juntamente com a Condessa de Ficalho fundou a Fábrica do Ratinho no seu próprio palácio. Foi distinguida com a Ordem de Santiago, a Ordem de Santa Isabel, a Ordem de Maria Luísa (Espanha) e a Académica de Mérito da Academia Nacional de Belas-Artes.

Passados 86 anos, pelo Edital de 25 de janeiro de 1989, a edilidade lisboeta voltou a perpetuá-la em Lisboa num arruamento de Alcântara junto à Rua da Cozinha Económica: Rua Maria Luísa Holstein.

Freguesia das Avenidas Novas (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia das Avenidas Novas
(Planta: Sérgio Dias)

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