A Rua do pintor Domingos Sequeira e o Paris Cinema

O Cinema Paris na Rua Domingos Sequeira, em 1960 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Paris Cinema na Rua Domingos Sequeira, em 1960
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

O pintor Domingos Sequeira  foi colocado há 129 anos na toponímia de Lisboa –  por deliberação camarária de 4 de novembro de 1887- e cinquenta anos após o falecimento do artista,  sendo que no nº 30 desta artéria abriu portas em 1931 o  Paris Cinema, não como um cinema de bairro mas de estreia.

Já antes, desde janeiro de 1916, existia na Rua Ferreira Borges o Cine Paris,  e este novo Paris Cinema nasceu para o substituir, de acordo com o traçado do arqº Victor Manuel Carvalho Piloto, e por ordem de Victor Alves da Cunha Rosa que também encomendou pinturas a Jorge de Sousa e baixos relevos ao escultor Simões de Almeida (Sobrinho). Foi inaugurado em 21 de maio de 1931 com 885 lugares e encerrou cinquenta anos depois, em 20 de outubro de 1981. Já fechado, ainda serviu em 1994 de cenário para Lisbon Story, de Wim Wenders.

Rua Domingos Sequeira - Freguesias da Estrela e de Campo de Ourique (Foto: Sérgio Dias)

Rua Domingos Sequeira – Freguesias da Estrela e de Campo de Ourique
(Foto: Sérgio Dias)

A Rua Domingos Sequeira nasceu entre a Praça da Estrela e o ponto de convergência das Ruas Saraiva de Carvalho, do Patrocínio e Ferreira Borges, e só 70 anos depois, por parecer da Comissão Municipal de Toponímia na sua reunião de 04/06/1957, foi acrescentada ao topónimo a legenda «Pintor/1768 – 1837».

O homenageado é o pintor Domingos António Sequeira (Lisboa/10.03.1768 – 08.03.1837/Roma), que sendo filho de um barqueiro de Belém foi educado na Casa Pia de Lisboa – tendo mais tarde pintado a Alegoria da Fundação da Casa Pia de Belém –, após o que frequentou o curso de Desenho e Figura na Aula Régia e, graças a uma pensão de D. Maria I, partiu em 1788  para Itália onde estudou na Academia Portuguesa em Roma, sendo aluno de Antonio Cavallucci após o que exerceu como professor na Academia di San Luca.

Regressou  a Lisboa em 1795, e em 1802 foi nomeado pintor real e codiretor da empreitada de pintura do Palácio da Ajuda. A partir do ano seguinte foi também professor de desenho e pintura das princesas e em 1806 dirigiu a Aula de Desenho, no Porto.

Domingos Sequeira dedicou-se particularmente a pinturas alegóricas e retratos, como o de D. João VI e o do Conde de Farrobo, assim como também pintou as suas sucessivas posições políticas, primeiro como partidário do exército de invasão francês – com Junot Protegendo a Cidade de Lisboa (1808)-, depois da aliança inglesa – com Apoteose de Wellington (1811) e Lisboa protegendo os seus habitantes (1812) -, e da Revolução Liberal Vintista com o retrato dos 33 deputados em 1821. Depois, a  Vilafrancada fê-lo emigrar para Paris onde em 1824 expôs no Salão do Louvre  A Morte de Camões  e em 1826 fixou-se definitivamente em Roma onde passou a executar obras sacras como a série sobre a vida de Cristo (1828).

Domingos Sequeira também exerceu como gravador e a ele se devem as primeiras litografias feitas em Portugal. A sua obra está representada no Museu Nacional de Arte Antiga, que por subscrição pública em 2015/2016 conseguiu adquirir o seu Adoração dos Magos, de 1828.

Rua Domingos Sequeira - Freguesias da Estrela e de Campo de Ourique (Planta: Sérgio Dias)

Rua Domingos Sequeira – Freguesias da Estrela e de Campo de Ourique
(Planta: Sérgio Dias)

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