A Avenida do Duque d’Ávila e o cinema dos três nomes

Freguesias das Avenidas Novas, de Arroios e do Areeiro (Foto: Sérgio Dias)

Freguesias das Avenidas Novas, de Arroios e do Areeiro
(Foto: Sérgio Dias)

O político liberal e também conde, marquês e duque de Ávila,  desde 1902 que tem assento numa avenida lisboeta onde a partir do primeiro dia do ano de 1930 abriu um cinema que foi sendo denominado  sucessivamente Trianon, Palácio e Avis.

Foi pelo Edital municipal de 29 de novembro de 1902  que nasceu a Avenida Duque d’Ávila, na época situada entre a Estrada do Arco do Cego e a Rua Marquês de Sá da Bandeira e que nos nossos dias começa na Rua Alves Redol e termina na Rua Marquês de Sá da Bandeira e na Rua Marquês de Fronteira. Foi por este Edital da presidência do Conde de Ávila (António José de Ávila – 07.11.1842 – 13.08.1917 – 2º Conde e Marquês de Ávila) que se fixaram nas Avenidas Novas um conjunto de de 15 topónimos referentes essencialmente a políticos regeneradores da Monarquia Constitucional, a saber:  em Avenidas, os nomes dos políticos António de Serpa, Casal Ribeiro, Duque d’Ávila, Hintze Ribeiro (hoje, Avenida Miguel Bombarda), José Luciano (hoje, Avenida Elias Garcia), e em Ruas, os também políticos Andrade Corvo, António Enes, Barros Gomes (hoje, Rua Viriato), Latino Coelho, Luís Bivar ( que passou a Avenida em 1926), Martens Ferrão,  o político e escritor Pinheiro Chagas, o  matemático e cartógrafo Filipe Folque,   e o médico Pedro Nunes.

O Cinema Avis na Avenida Duque d'Avila em 1960 (Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

O Cinema Avis na Avenida Duque d’Ávila em 1960
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

Já o cinema Trianon abriu portas nesta Avenida no dia 1 de janeiro de 1930, garantindo lugar para 733 espetadores, sendo então uma das maiores salas de Lisboa. Augusto de Ornelas Bruges comprara  para o efeito terreno na Avenida Duque d’Ávila, frente à antiga estação dos elétricos do Arco do Cego. Mais tarde, o cinema  mudou de nome para Palácio e voltou  a ser reaberto em 1956 com a designação de Avis, mantendo-se assim durante mais de 30 anos até encerrar no final dos anos 80 e ser demolido na década seguinte para dar lugar à construção de prédios.

António José de Ávila (Faial/08.03.1806 – 03.05.1881/Lisboa), 1º conde (1864) e 1º marquês (1870) de Ávila e único duque de Ávila e Bolama (1878), foi um político Cartista, cuja carreira acompanhou os altos e baixos motivados pelas guerras liberais. Desempenhou as funções de deputado, conselheiro de Estado efetivo, presidente da Câmara dos Pares, ministro das Finanças, Presidente do Conselho de Ministros por três vezes (1868, 1870/71, 1877/78) e ainda, de embaixador junto das cortes de Paris e de Madrid.

Entrou como sócio da Academia Real das Ciências em março de 1855 e pouco depois foi nomeado vice-presidente, tendo sido também agraciado com inúmeras condecorações portuguesas e estrangeiras, de que se destacam a  Grã-Cruz da Ordem de Nª Srª da Conceição e de S. Tiago, a Ordem da Torre e Espada e a comenda da Ordem de Cristo.

Freguesias das Avenidas Novas, de Arroios e do Areeiro (Planta: Sérgio Dias)

Freguesias das Avenidas Novas, de Arroios e do Areeiro
(Planta: Sérgio Dias)

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