A Avenida Torre de Belém do Cinema Restelo

Freguesia de Belém (Foto: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Foto: Sérgio Dias)

Desde 1945 que a Avenida Torre de Belém é a  via da capital que segue a direito para o Baluarte de São Vicente – estrutura mais conhecida como Torre de Belém- , e na qual, na década seguinte, se ergueu o Cinema Restelo.

Belém acolheu em 1940 a Exposição do Mundo Português e nessa mesma década os arruamentos da Baixa lisboeta receberam um novo tipo de placa toponímica – a Tipo III – mais trabalhada e luxuosa, para Lisboa exibir dois postais de modernidade. A edilidade também denominou a Avenida CD da Encosta da Ajuda, pelo Edital de 7 de agosto de 1945, como Avenida Torre de Belém que ficou contida, quase três anos depois, pelo Edital de 29 de abril de 1948, entre a Avenida da Índia e a Avenida do Restelo.

Nos anos 50, procedeu-se a um aterro e terraplanagem da zona junto à Torre de Belém, para facilitar a estada e passeio junto a este monumento nacional desde 1907, icónico de uma época de grandeza e modernidade de Portugal. Em 1955 foi exposto no Pavilhão Municipal da Feira Popular o Plano de Urbanização da Encosta do Restelo. Mas já a partir do ano anterior, e durante 45 anos se exibia na Avenida Torre de Belém o Cinema Restelo, da Sociedade Cinema Restelo, Lda.,  para substituir o antigo cinema Belém-Jardim da Rua Bartolomeu Dias, através de um projeto de 1952 dos serviços técnicos da Câmara Municipal de Lisboa (da autoria de Carlos João Chambers Ramos e Carlos Manuel Ventura de Oliveira Ramos), colocando à disposição 1064 lugares, que mais tarde chegaram a ser cerca de 1400. Ainda hoje este Cinema Restelo tem um grupo que lhe é dedicado no Facebook.

 

Cinema Restelo na Avenida Torre de Belém em 1960 (Foto: Arnaldo Madureira., Arquivo Municipal de Lisboa)

Cinema Restelo na Avenida Torre de Belém em 1960
(Foto: Arnaldo Madureira, Arquivo Municipal de Lisboa)

A icónica Torre de Belém foi erguida num afloramento rochoso da  praia de Belém em 1520, cercada então pelas águas em todo o seu perímetro, denominada em honra do padroeiro da cidade de Lisboa Baluarte de São Vicente a par de Belém, mas também conhecida como Torre de São Vicente ou Baluarte do Restelo. Esta fortificação integrava o plano defensivo da barra do rio Tejo traçado por D. João II que incluía também o Baluarte de Cascais ou Torre de Santo António de Cascais (1488) e o Baluarte da Caparica ou Torre de São Sebastião da Caparica (1481).  A obra só começou em 1514, no reinado de D. Manuel, sendo arquiteto Francisco de Arruda e as obras prosseguiram a cabo de Diogo Boitaca, que dirigia em paralelo as da construção do Mosteiro dos Jerónimos.

Com a evolução dos meios de ataque e defesa, esta estrutura  militar foi gradualmente, perdendo a sua função original de defesa da barra do Tejo, tendo ao longo dos séculos sido utilizada como registo aduaneiro, posto de sinalização telegráfico e farol. Também os seus paióis serviram de masmorras para os presos políticos durante o reinado de Filipe I de Portugal e para o Arcebispo de Braga (1586-1641) por ter feito frente a D. João IV, defendendo Espanha.

A Torre de Belém,  considerada pela UNESCO Património Mundial desde 1983, foi também eleita uma das Sete Maravilhas de Portugal em 7 de julho de 2007.

Nesta artéria, para além do Cinema Restelo nasceu também em 1954 The AngloPortuguese Telephone e em 1965 A Familiar, Sociedade Cooperativa de Pão, Crédito e Consumo, para além de contar com inúmeras moradias  de que se destacam as do nº 26 e nº 30 do Arqº Raul Francisco Tojal; a do Engº António da Cunha Coutinho no nº 10; a do nº 20 em 1943 e a do nº 15 em 1947, ambas do arqº Manuel Joaquim Norte Júnior; a do nº 32  do Arqº Vasco Regaleira que foi Prémio Municipal 1945; a do Arqº João Simões no nº 22 que foi Prémio Valmor 1947; a da autoria do Arqº Jorge Segurado de 1948 e  já demolida; a do nº 14 da autoria de Victor Palla e Bento d’Almeida, bem como a do nº 18 do Arqº Alberto José Pessoa, ambas em 1964; a do nº 9 do Arqº Rodrigues Fernandes e a nº 12  do Arqº Carlos Tojal, ambas de 1966.

Freguesia de Belém (Planta: Sérgio Dias)

Freguesia de Belém
(Planta: Sérgio Dias)

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